A saúde pública aparece entre os principais desafios apontados pelos eleitores para o próximo governo. Segundo pesquisa What Worries the World, da Ipsos, divulgada em julho, 35% dos brasileiros colocaram a saúde entre os três maiores problemas do país, atrás apenas de crime e violência e corrupção. Em uma nova série, o SBT News reuniu as principais propostas para a área da saúde apresentadas nos programas de governo dos candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026. Entre os temas mais recorrentes estão a redução das filas do SUS, fortalecimento da atenção básica, digitalização dos serviços, ampliação da telemedicina e participação da rede privada. Lula (PT) O programa prevê medidas para reduzir as filas do SUS, incluindo a ampliação do Agora Tem Especialistas, mutirões, Carretas da Saúde e parcerias com hospitais privados. Também estão previstas a ampliação das equipes de Saúde da Família, continuidade do Mais Médicos e expansão de exames e diagnósticos na atenção básica. Na área tecnológica, a proposta inclui um prontuário único do cidadão, teleconsultas, agendamento de consultas pelo celular e utilização de inteligência artificial para auxiliar na triagem e na regulação dos pacientes. Flávio Bolsonaro (PL) O plano propõe a criação de um prontuário eletrônico único, vinculado ao CPF e integrado ao Gov.br, com interoperabilidade entre as redes pública e privada. Outra proposta é utilizar inteligência artificial para agilizar o agendamento de consultas e exames e identificar pessoas com maior risco de desenvolver doenças. O programa também prevê a correção da tabela do SUS, ampliação da Estratégia Saúde da Família, exames preventivos e um programa específico de atendimento aos idosos. Para diminuir as filas, a proposta inclui contratação de serviços da rede privada em horários ociosos e ampliação da telessaúde. Romeu Zema (Novo) O programa de Zema prioriza a atenção primária, prevenção e vacinação, com ampliação da Estratégia Saúde da Família e incentivos financeiros vinculados a resultados. Para enfrentar as filas, prevê parcerias com clínicas e hospitais privados, além da expansão de hospitais, UPAs e atendimento especializado por meio de concessões, PPPs e organizações sociais. O plano também apresenta propostas relacionadas à judicialização da saúde e mudanças nas regras para planos privados. Ronaldo Caiado (PSD) Caiado propõe um Sistema Nacional de Acesso e Regulação Inteligente, que levaria em consideração fatores como gravidade, risco de progressão da doença, vulnerabilidade e tempo de espera. O programa estabelece como meta reduzir em pelo menos 50% o tempo mediano das filas prioritárias nas regiões com maior demora até 2030. Na atenção básica, prevê ampliar ferramentas digitais e teleconsultoria para as equipes de Saúde da Família. O plano também apresenta uma proposta específica para atendimento de infarto e AVC, com expansão de estruturas de emergência, Centros de AVC, TeleAVC e acesso regional à trombectomia mecânica. Augusto Cury (Avante) O candidato propõe o Tele Saúde Brasil, uma plataforma pública nacional para conectar pacientes e profissionais de diferentes regiões. O projeto prevê inteligência artificial para auxiliar na triagem e estabelece uma meta de atendimento digital em até 30 minutos nos casos compatíveis com telemedicina. A saúde mental é outro eixo do programa, com ações envolvendo escolas, universidades, empresas, unidades de saúde e comunidades. Cury também propõe uma rede nacional de prevenção e diagnóstico precoce do câncer, com unidades móveis e ações de rastreamento. Renan Santos (Missão) O programa prevê substituir a fila baseada exclusivamente na ordem de chegada por uma “fila viva”, considerando gravidade clínica, risco de progressão, impacto funcional, vulnerabilidade social e tempo de espera. A proposta também inclui um prontuário eletrônico nacional interoperável, telemedicina, diagnósticos com inteligência artificial e integração de dados genômicos. Na área financeira, o plano propõe mudanças nos pisos constitucionais de saúde e educação e a criação de um fundo nacional de modernização, com repasses aos municípios condicionados ao desempenho. Especialistas apontam desafios Especialistas ouvidos pelo SBT News destacaram que os programas apresentam diferentes estratégias para problemas semelhantes, mas algumas propostas ainda precisam detalhar como serão executadas e financiadas. A integração entre União, estados e municípios aparece como um dos desafios para organizar as filas e melhorar o fluxo dos pacientes. O financiamento do SUS também é apontado como uma questão central, já que novas iniciativas exigem recursos adicionais. Outro ponto levantado é a necessidade de garantir segurança e proteção dos dados dos pacientes diante da expansão dos prontuários eletrônicos e do uso de inteligência artificial. A saúde mental de crianças e adolescentes, os impactos das apostas on-line e a preparação da rede de saúde para eventos climáticos extremos também aparecem entre os temas apontados pelos especialistas como áreas que exigem maior atenção. As propostas apresentadas correspondem aos programas de governo dos candidatos e poderão sofrer alterações durante o processo eleitoral. Fonte principal: SBT News. Confira a reportagem completa do SBT News Navegação de Post Fachin consulta ministros sobre possível mudança na relatoria do caso Banco Master EUA: Cédulas de correio começam a ser enviadas para eleições de meio de mandato