Moeda norte-americana fechou em queda de 0,91%, enquanto Ibovespa avançou mais de 3%; mercado reagiu ao acirramento da disputa presidencial apontado pela Quaest

O dólar comercial fechou esta quarta-feira (2) em forte queda frente ao real, cotado a R$ 5,1065, recuo de aproximadamente 0,91%. A movimentação ocorreu em um dia de forte reação dos mercados financeiros brasileiros à nova pesquisa eleitoral Quaest, que apontou redução da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma eventual disputa de segundo turno.

Durante o pregão, a moeda norte-americana chegou a ser negociada abaixo dos R$ 5,10. A mínima registrada foi próxima de R$ 5,098, enquanto a máxima ficou em torno de R$ 5,17. O fechamento representou a terceira sessão consecutiva de queda do dólar e levou a moeda ao menor nível de encerramento desde o início de agosto.

Pesquisa eleitoral mexe com os mercados

O principal fator observado pelos investidores foi a nova pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira. No cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o levantamento apontou 42% para Lula e 41% para Flávio, configurando empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Na pesquisa anterior, Lula aparecia três pontos à frente. Agora, a diferença caiu para apenas um ponto percentual.

Apesar da vantagem numérica de Lula, a proximidade dos percentuais passou a ser interpretada pelo mercado como sinal de uma disputa eleitoral mais competitiva. Investidores passaram a avaliar possíveis mudanças na condução da política econômica e fiscal a partir de 2027, caso haja alternância no comando do governo federal.

No primeiro turno, entretanto, Lula continua na liderança do levantamento, com 37% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 29%. Augusto Cury registra 10% nesse cenário.

Ibovespa dispara

A reação não ficou restrita ao mercado de câmbio. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, subiu 3,05% e encerrou o dia aos 185.205 pontos.

Durante a sessão, o índice chegou a alcançar aproximadamente 186 mil pontos. O resultado representou uma das maiores altas recentes do mercado acionário brasileiro e marcou a 11ª sessão consecutiva de valorização do Ibovespa.

A combinação entre o cenário eleitoral, a entrada de recursos estrangeiros e o desempenho de ações de grande peso contribuiu para o movimento positivo.

Papéis de empresas como Vale, Itaú, Petrobras e Banco do Brasil estiveram entre os destaques durante o pregão, ajudando a sustentar a alta do índice.

Mercado vê possibilidade de mudança de governo

Para parte dos investidores, uma eleição mais competitiva pode reduzir o chamado prêmio de risco associado aos ativos brasileiros. O raciocínio é que uma eventual mudança de governo poderia trazer alterações na condução da política fiscal e nas medidas relacionadas às contas públicas.

O tema fiscal é acompanhado de perto pelo mercado porque a trajetória da dívida pública influencia as expectativas para juros, inflação, câmbio e investimentos.

Analistas, porém, também destacam que movimentos baseados em pesquisas eleitorais podem apresentar forte volatilidade. Uma nova pesquisa, declaração de candidato ou mudança nas expectativas pode alterar rapidamente a percepção dos investidores.

Dólar acumula sequência de quedas

Com o resultado desta quarta-feira, o dólar manteve a trajetória de baixa observada nos últimos pregões. Segundo dados divulgados após o fechamento, a moeda acumulou queda de aproximadamente 1,72% nas três últimas sessões.

O movimento doméstico ocorreu mesmo diante de um ambiente internacional que apresentava fatores de pressão sobre os mercados, mostrando que os acontecimentos políticos e econômicos no Brasil tiveram peso significativo na formação dos preços.

Cenário ainda pode mudar

Apesar da forte reação dos investidores, o resultado da pesquisa não significa que o mercado já tenha definido uma preferência definitiva para as eleições de 2026. A campanha eleitoral ainda está em andamento, e novas pesquisas poderão modificar as expectativas.

O próprio comportamento dos ativos demonstra a sensibilidade do mercado às mudanças no cenário político. Para especialistas, a tendência é que dólar, Bolsa e juros continuem reagindo às pesquisas, aos discursos dos candidatos e às propostas para a economia nos próximos meses.

Por enquanto, o resultado desta quarta-feira reforça um cenário de maior equilíbrio na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno — movimento que foi acompanhado por queda do dólar para perto de R$ 5,10 e forte alta da Bolsa brasileira.

Fonte: Estadão/UOL, InfoMoney, Money Times e SpaceMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *