Bolsa brasileira fechou aos 185.205 pontos, enquanto o EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, avançou 4,16%

O Ibovespa teve uma forte alta nesta quarta-feira (2), impulsionado principalmente pelo cenário eleitoral brasileiro e pela percepção dos investidores de que a disputa pela Presidência da República está mais acirrada.

O principal índice da Bolsa brasileira avançou 3,05%, encerrando o pregão aos 185.205,09 pontos. Com o resultado, o Ibovespa voltou ao patamar de 185 mil pontos e atingiu seu maior nível de fechamento desde maio.

A movimentação foi interpretada pelo mercado como parte de um chamado “trade eleitoral”, estratégia na qual investidores ajustam suas posições financeiras diante das perspectivas para a eleição e para as políticas econômicas que podem ser adotadas pelo próximo governo.

Pesquisa eleitoral influencia os mercados

O movimento ganhou força depois da divulgação de uma nova pesquisa Genial/Quaest sobre a corrida presidencial.

O levantamento mostrou uma disputa mais apertada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno. O cenário aumentou as apostas de investidores em uma possível mudança na condução da política econômica a partir de 2027.

Para parte do mercado financeiro, uma eventual vitória da oposição poderia significar uma política fiscal mais voltada ao controle das contas públicas, redução de despesas e busca por maior previsibilidade econômica.

Essa percepção, independentemente de representar uma avaliação sobre qual candidato vencerá a eleição, passou a influenciar diretamente a formação dos preços dos ativos.

EWZ dispara em Nova York

Um dos principais sinais de que o movimento teve forte componente doméstico veio do desempenho do EWZ, fundo negociado em Nova York que acompanha ações brasileiras.

O ETF subiu 4,16% no pregão, desempenho muito superior ao do EEM, que acompanha ações de mercados emergentes. O EEM avançou apenas 0,57%.

A diferença reforçou a avaliação de que o Brasil teve uma valorização específica, relacionada ao cenário interno, e não apenas a um movimento generalizado de alta dos mercados emergentes.

Opções também movimentaram o mercado

Nos últimos pregões, investidores aumentaram as operações com opções relacionadas ao Ibovespa e ao EWZ.

Esse tipo de operação pode provocar efeitos no mercado à vista. Quando investidores vendem determinadas opções, instituições financeiras podem precisar comprar os ativos correspondentes para reduzir o risco de suas posições.

Com isso, a negociação de opções pode gerar demanda adicional por ações e ETFs.

Reportagem da Bloomberg Línea mostrou que aumentou a procura por opções de alta do Ibovespa e do EWZ, especialmente contratos com vencimento após o segundo turno das eleições.

Petrobras e bancos entre os destaques

A alta do Ibovespa também contou com o desempenho de grandes empresas que possuem peso relevante na composição do índice.

Petrobras, bancos e outras companhias de grande capitalização contribuíram para o avanço do mercado.

O setor de commodities também recebeu atenção dos investidores diante da alta do petróleo no mercado internacional. As tensões no Oriente Médio continuam influenciando as cotações da commodity e aumentando a volatilidade nos mercados globais.

Dólar recua

Enquanto a Bolsa disparou, o dólar apresentou movimento contrário.

A moeda norte-americana terminou o dia cotada a aproximadamente R$ 5,10, com queda próxima de 0,9%.

A combinação de valorização das ações brasileiras e queda do dólar refletiu, em parte, o aumento do apetite por ativos domésticos e a entrada de recursos no mercado brasileiro.

Mercado acompanha cenário fiscal

Apesar do otimismo observado no pregão, investidores continuam atentos à situação fiscal brasileira.

A trajetória da dívida pública, o controle das despesas, a política de juros e as propostas econômicas dos candidatos devem permanecer entre os principais fatores acompanhados pelo mercado durante a campanha.

Analistas ressaltam que o desempenho da Bolsa não depende apenas do nome do candidato, mas também da capacidade de cada eventual governo de apresentar um programa econômico considerado sustentável pelos investidores.

Alta chama atenção após sequência de ganhos

A valorização desta quarta-feira ocorreu depois de uma sequência de pregões positivos.

Na terça-feira (1º), o Ibovespa já havia avançado 1,30%, aos 179.722,48 pontos, em uma sessão marcada pelo aumento das operações com opções do EWZ e da Petrobras.

Com a nova alta, o mercado acionário brasileiro ampliou a recuperação e voltou a níveis que não eram observados desde maio.

O que é o “trade eleitoral”?

O termo é utilizado no mercado financeiro para descrever operações de compra e venda de ativos baseadas nas expectativas sobre o resultado das eleições e, principalmente, sobre as políticas que podem ser implementadas pelo próximo governo.

No caso brasileiro, investidores avaliam fatores como política fiscal, trajetória da dívida pública, juros, inflação, privatizações, tributação e relação do governo com o setor privado.

Quando o mercado interpreta que determinado cenário político pode favorecer empresas ou reduzir riscos percebidos, os investidores podem antecipar esse movimento comprando ações ou outros ativos.

É justamente esse tipo de antecipação que está sendo chamado de “trade eleitoral” neste momento.

Cenário ainda pode mudar

Apesar da forte alta, o movimento não significa que o mercado tenha definido antecipadamente o resultado da eleição.

Pesquisas eleitorais, declarações dos candidatos, propostas econômicas e acontecimentos nacionais e internacionais podem provocar novas mudanças nas expectativas dos investidores.

Por isso, analistas esperam que a volatilidade aumente à medida que a campanha eleitoral avance e os candidatos apresentem suas propostas para a economia.

O pregão desta quarta-feira, porém, deixou um sinal claro: o cenário eleitoral passou a exercer influência cada vez maior sobre os preços dos ativos brasileiros.

Fonte: Diário do Grande ABC, Folha de S.Paulo, UOL/Estadão, Bloomberg Línea e Reuters.

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