Ministro do STF determina investigação criminal e administrativa sobre produção de relatórios de inteligência e possível desvio de finalidade na estrutura da Polícia Federal O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura imediata de procedimentos investigatórios criminais e administrativo-disciplinares na Corregedoria-Geral da Polícia Federal para apurar as circunstâncias relacionadas à produção e ao encaminhamento de relatórios de inteligência que estão no centro da atual crise envolvendo a Corte e a corporação. A determinação atinge diretamente o diretor-geral afastado da PF, Andrei Rodrigues, além de envolver a atuação do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, que também foi afastado preventivamente por decisão de Mendonça. Segundo o ministro, é necessário esclarecer quem determinou, produziu, autorizou, encaminhou e teve acesso aos documentos, além de verificar se houve utilização indevida da estrutura de inteligência da Polícia Federal. Investigação terá duas frentes A determinação de Mendonça prevê apurações em duas esferas: criminal e administrativa. Na esfera criminal, deverão ser verificadas eventuais condutas que possam configurar ilícitos penais. Já no âmbito administrativo-disciplinar, a Corregedoria deverá analisar se servidores ou autoridades da Polícia Federal descumpriram normas internas, deveres funcionais ou limites legais. A investigação não significa, por si só, que os crimes tenham sido comprovados. As eventuais responsabilidades deverão ser estabelecidas a partir das provas e das diligências determinadas. Relatórios estão no centro da apuração O caso envolve pelo menos seis relatórios de inteligência produzidos de forma sigilosa entre 3 e 31 de agosto de 2026, segundo informações apresentadas na decisão de Mendonça. Os documentos teriam sido elaborados no âmbito da estrutura da PF responsável por atividades relacionadas a investigações perante os tribunais superiores. Os relatórios foram utilizados em uma controvérsia que envolve o próprio Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes. Moraes havia utilizado material produzido pela PF para solicitar providências contra Mendonça, incluindo alegações relacionadas a possível abuso de autoridade, crime de responsabilidade e improbidade administrativa. Parte do documento foi classificada pela própria PF como análise de cenário e sem valor probatório. Mendonça, por sua vez, questionou a legalidade da produção e utilização desses documentos e afirmou ter sido alvo de monitoramento sistemático pela estrutura de inteligência da corporação. O que a Corregedoria deverá esclarecer Entre os pontos que deverão ser analisados está a cadeia de comando envolvida na produção dos relatórios. A investigação deverá buscar respostas para questões como: quem solicitou ou autorizou a produção dos documentos; quais servidores participaram da elaboração; quais sistemas e bases de dados foram consultados; quem teve acesso aos relatórios; para quem os documentos foram encaminhados; se houve utilização de informações sigilosas; se as normas internas da PF foram respeitadas; e se houve eventual desvio de finalidade no uso da estrutura de inteligência. A apuração também deverá avaliar a existência de eventuais responsabilidades individuais dentro da corporação. Medidas para preservar provas A decisão de Mendonça também determina providências destinadas à preservação de elementos que possam ser relevantes para a investigação. Entre os materiais de interesse estão documentos, registros internos, relatórios e dados eletrônicos relacionados à produção e circulação dos documentos questionados. A preservação dos elementos é considerada importante para impedir que informações sejam apagadas ou alteradas antes da conclusão das apurações. Andrei Rodrigues foi afastado Além de determinar a investigação, Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. O ministro também afastou Leandro Almada da Costa, diretor de Inteligência Policial da corporação. Mendonça justificou as medidas cautelares pela necessidade de preservar a investigação e evitar eventual interferência dos envolvidos na apuração. Segundo a decisão, a permanência dos investigados nos cargos poderia representar risco para a coleta de informações e para a própria condução dos procedimentos. Caso envolve disputa institucional no STF A investigação ocorre em meio a uma crise entre integrantes do Supremo Tribunal Federal e setores da Polícia Federal. O conflito ganhou força após a utilização de relatórios de inteligência da PF em questionamentos envolvendo Mendonça. O ministro passou a contestar a metodologia, a origem e a finalidade dos documentos. Paralelamente, o presidente do STF, Edson Fachin, já havia determinado a abertura de procedimento para apurar possíveis irregularidades em investigações envolvendo autoridades com foro no Supremo e solicitado esclarecimentos a Moraes, Mendonça, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a Andrei Rodrigues. Crise coloca atividade de inteligência sob questionamento O episódio também trouxe para o centro do debate os limites da atividade de inteligência realizada pela Polícia Federal. A produção de informações de inteligência pode subsidiar investigações e ações de segurança pública, mas a utilização desses mecanismos envolvendo autoridades com foro especial exige observância das regras legais e institucionais aplicáveis. É justamente esse ponto que deverá ser analisado pelas investigações determinadas por Mendonça. Decisão ainda será analisada pelo STF As medidas determinadas individualmente por Mendonça deverão ser submetidas à análise da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal. Uma sessão extraordinária foi convocada para avaliar as decisões. Até lá, permanecem em vigor as determinações cautelares estabelecidas pelo ministro, incluindo os afastamentos e a abertura das investigações na Corregedoria da Polícia Federal. Próximos passos A partir da instauração dos procedimentos, a Corregedoria deverá reunir documentos, ouvir pessoas que possam contribuir para esclarecer os fatos e identificar os agentes envolvidos na produção e circulação dos relatórios. O resultado da investigação poderá indicar se houve apenas irregularidades administrativas ou se existem elementos capazes de sustentar responsabilizações em outras esferas. Por enquanto, as possíveis práticas criminosas e infrações disciplinares são objeto de investigação e não podem ser tratadas como fatos definitivamente comprovados. O caso deverá continuar sendo acompanhado pelo STF, pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e por outras instituições diante do impacto das medidas sobre o funcionamento da principal instituição de investigação criminal da União. Fonte: decisão do ministro André Mendonça e informações divulgadas pelo STF e veículos de imprensa em 8 de setembro de 2026. Navegação de Post MENDONÇA AFIRMA QUE SOFREU “MONITORAMENTO POR MAIS DE 30 DIAS” E DETERMINA AÇÕES CONTRA CÚPULA DA PF Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam André Mendonça e formaram maioria pela manutenção do afastamento do diretor-geral da Polícia Federal; julgamento foi suspenso após pedido de vista de Gilmar Mendes.