Ministro do STF afirma que foi alvo de monitoramento sistemático e ilegal e determina afastamento preventivo de diretor-geral e diretor de Inteligência da Polícia Federal O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou ter sido alvo de um “monitoramento sistemático e ilegal” por parte da Polícia Federal durante mais de 30 dias. A declaração consta da decisão em que o magistrado determinou o afastamento preventivo de integrantes da cúpula da corporação. Segundo Mendonça, documentos de inteligência produzidos pela Polícia Federal indicariam a existência de ações de “monitoramento e coleta dirigida” de informações relacionadas a autoridades. O ministro classificou o episódio como de “superlativa gravidade”. A decisão determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. Além das medidas cautelares, Mendonça determinou a abertura de procedimentos investigatórios criminais e administrativo-disciplinares pela Corregedoria da Polícia Federal para apurar as circunstâncias relacionadas à produção dos documentos questionados. Mendonça diz ter sido monitorado pela própria PF Na decisão, o ministro afirmou que ele próprio vinha sendo monitorado pela estrutura de inteligência da Polícia Federal. De acordo com Mendonça, o acompanhamento teria ocorrido por mais de 30 dias e envolveria a produção de informações direcionadas sobre sua atuação. O magistrado também afirmou que o advogado-geral da União, Jorge Messias, teria sido alvo de monitoramento e de uma suposta “coleta dirigida” de informações. A alegação está relacionada a documentos de inteligência que, segundo a decisão, foram encaminhados ao ministro Alexandre de Moraes no âmbito do Inquérito das Fake News. Relatórios produzidos entre agosto Segundo informações apresentadas na decisão, pelo menos seis relatórios de inteligência teriam sido produzidos de maneira sigilosa entre 3 e 31 de agosto de 2026 e encaminhados ao ministro Alexandre de Moraes. Os documentos teriam analisado a atuação de autoridades e levantado hipóteses sobre decisões tomadas no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master e o INSS. Mendonça questionou a legitimidade e a metodologia utilizada para a produção dos relatórios e afirmou que eles não poderiam ser utilizados para monitorar a atuação funcional de integrantes do Judiciário e da advocacia pública. Caso envolve crise entre STF e Polícia Federal A decisão ocorre em meio a uma crise institucional que envolve integrantes do Supremo Tribunal Federal e a cúpula da Polícia Federal. O episódio ganhou força depois que um relatório produzido pela PF foi utilizado por Alexandre de Moraes para solicitar investigação envolvendo Mendonça, em razão de acusações relacionadas à condução de procedimentos ligados ao Banco Master e ao INSS. Mendonça, por sua vez, passou a questionar a legalidade e a finalidade dos documentos utilizados contra ele. A disputa elevou a tensão entre ministros do Supremo e integrantes da direção da Polícia Federal. Afastamento de Andrei Rodrigues Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A decisão também determina que a Corregedoria da PF apure a conduta do dirigente e as circunstâncias relacionadas à elaboração e ao encaminhamento dos relatórios. O ministro justificou que a medida seria necessária para garantir que integrantes do STF, o advogado-geral da União e servidores da Polícia Federal possam exercer suas funções sem constrangimentos ilegais. Diretor de Inteligência também foi afastado Além de Andrei Rodrigues, o ministro determinou o afastamento de Leandro Almada da Costa, diretor de Inteligência Policial da Polícia Federal. A medida atinge diretamente a área responsável pela produção e tratamento de informações de inteligência dentro da corporação. A decisão também estabeleceu a suspensão da produção e do compartilhamento de relatórios de inteligência destinados a analisar a atuação funcional de magistrados, integrantes da advocacia pública ou da própria atividade de polícia judiciária, conforme os termos determinados pelo ministro. Corregedoria deverá investigar Mendonça determinou que a Corregedoria da Polícia Federal instaure procedimentos para investigar as circunstâncias da elaboração dos documentos. A apuração deverá verificar como os relatórios foram produzidos, quem participou da elaboração, quais informações foram utilizadas e de que maneira os documentos chegaram ao conhecimento de outras autoridades. A determinação inclui procedimentos de natureza criminal e administrativo-disciplinar. Segunda Turma do STF deverá analisar a decisão Mendonça também solicitou a convocação de uma sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do STF para analisar e referendar a decisão. A Segunda Turma é composta por ministros da Corte e será responsável por avaliar as medidas determinadas individualmente por Mendonça. Até essa análise colegiada, as determinações permanecem como decisões cautelares tomadas pelo relator. Relatórios de inteligência entram no centro da crise O principal ponto da controvérsia é o uso de estruturas de inteligência da Polícia Federal para produzir informações sobre a atuação de autoridades. Mendonça sustenta que houve monitoramento ilícito e direcionado e questiona a utilização desses mecanismos para analisar a atuação funcional de ministros do Supremo e de integrantes da administração pública. A Polícia Federal, por sua vez, está no centro da apuração e deverá prestar esclarecimentos sobre os procedimentos utilizados na produção dos documentos. Crise institucional ganha novo capítulo A decisão de André Mendonça representa uma medida de grande impacto institucional porque atinge simultaneamente o diretor-geral da Polícia Federal e o diretor de Inteligência da corporação. O caso também amplia a crise que já vinha envolvendo o STF, a PF e investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS. O episódio deverá ser acompanhado pelo governo federal, pelo Congresso Nacional, pelo Ministério Público e pelos próprios ministros do Supremo, especialmente diante da necessidade de esclarecer os limites legais da atividade de inteligência quando envolve autoridades públicas. O que pode acontecer agora Os próximos passos devem envolver a análise da decisão pela Segunda Turma do STF e o avanço das investigações determinadas à Corregedoria da Polícia Federal. Também deverá ser esclarecido o conteúdo completo dos relatórios questionados, quem autorizou ou solicitou sua elaboração e quais procedimentos internos foram utilizados. A depender das conclusões das investigações, poderão ocorrer novas medidas administrativas, disciplinares ou judiciais. Por enquanto, as acusações de monitoramento ilegal constituem alegações apresentadas por André Mendonça em sua decisão, enquanto as circunstâncias e eventuais responsabilidades deverão ser apuradas pelos órgãos competentes. Fonte: decisão do ministro André Mendonça e informações divulgadas por veículos de imprensa em 8 de setembro de 2026. Navegação de Post André Mendonça afasta diretor-geral da PF e chefe de Inteligência em meio à crise envolvendo STF CORREGEDORIA DA PF É ACIONADA POR MENDONÇA PARA APURAR CONDUTA DE ANDREI RODRIGUES