Presidente ucraniano afirma que Kiev está disposta a suspender ataques aéreos e pede reciprocidade de Moscou durante o período das conversas

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, propôs nesta sexta-feira (4) que Rússia e Ucrânia adotem um cessar-fogo limitado nos ataques aéreos enquanto representantes dos Estados Unidos estiverem envolvidos em novas negociações para tentar avançar em direção ao fim da guerra.

A proposta ocorre em meio à retomada dos esforços diplomáticos do governo do presidente norte-americano Donald Trump, que enviará os representantes Steve Witkoff e Jared Kushner para conversas com autoridades russas e ucranianas.

Zelensky afirmou que a Ucrânia estaria disposta a interromper seus ataques aéreos durante o período das negociações, desde que a Rússia faça o mesmo.

“Não haverá ataques aéreos de nossa parte, e a Rússia deve, de forma recíproca, garantir um cessar-fogo, sem ataques aéreos, pelo tempo necessário para conduzir essas negociações”, afirmou o presidente ucraniano.

A declaração foi divulgada no mesmo dia em que aumentaram os esforços diplomáticos para colocar novamente Moscou e Kiev à mesa de negociações.

Proposta ocorre durante missão diplomática dos EUA

Os enviados especiais de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, devem viajar a Moscou e Kiev para tentar avançar nas negociações de paz.

A iniciativa representa uma nova tentativa de Washington de aproximar os governos russo e ucraniano depois de meses sem avanços concretos nas negociações. Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira, Witkoff e Kushner devem passar primeiro pela Rússia e depois seguir para a Ucrânia.

Zelensky confirmou que espera receber os representantes americanos em Kiev e classificou a nova rodada de contatos como uma oportunidade para discutir caminhos para interromper o conflito.

Cessar-fogo seria limitado aos ataques aéreos

A proposta apresentada por Zelensky não representa, neste momento, um acordo de paz definitivo nem necessariamente uma suspensão completa das hostilidades.

O foco anunciado pelo presidente ucraniano está nos ataques aéreos, incluindo operações realizadas com drones e outros meios utilizados para atingir alvos em território adversário.

A ideia seria estabelecer uma pausa durante o período necessário para que os representantes norte-americanos realizem suas reuniões e para que questões logísticas relacionadas à missão diplomática sejam resolvidas.

Zelensky condicionou a iniciativa à reciprocidade russa, ou seja, Kiev interromperia seus ataques se Moscou também suspendesse os ataques aéreos.

Guerra aérea aumentou nos últimos meses

A proposta ocorre depois de um período de intensificação dos ataques de longo alcance realizados pelos dois lados.

A Rússia tem realizado ataques contra cidades e infraestrutura ucranianas, enquanto a Ucrânia ampliou o uso de drones contra alvos dentro do território russo.

Nos últimos dias, a situação também provocou preocupação em relação à segurança da aviação civil russa. Zelensky chegou a alertar companhias aéreas e seguradoras internacionais sobre os riscos associados ao aumento das operações de drones ucranianos no espaço aéreo russo.

O governo ucraniano afirma que seus ataques têm como alvo instalações militares, embora as operações tenham causado interrupções no funcionamento de aeroportos russos.

Putin diz que existe possibilidade de acordo

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta semana que existe possibilidade de um acordo de paz para encerrar a guerra.

Putin reconheceu o papel de países como Estados Unidos e China nos esforços diplomáticos, mas afirmou que a solução definitiva dependerá principalmente de Rússia e Ucrânia.

Ao mesmo tempo, o presidente russo criticou ações recentes de Kiev, especialmente os ataques contra embarcações e o alerta ucraniano sobre os riscos para a aviação civil no espaço aéreo russo.

As declarações mostram que, embora exista espaço para negociação, ainda permanecem divergências importantes entre os dois governos.

Negociações estavam paralisadas

As últimas negociações trilaterais envolvendo Rússia, Ucrânia e Estados Unidos ocorreram em fevereiro. Desde então, os contatos diplomáticos ficaram limitados a conversas separadas entre as partes e representantes norte-americanos.

A Ucrânia vinha defendendo a retomada das negociações e, em agosto, Zelensky afirmou que Kiev havia elaborado, juntamente com representantes americanos e europeus, uma proposta com ideias para um possível cessar-fogo.

Entre as propostas discutidas está também a possibilidade de criação de uma zona econômica livre em parte da região de Donbas, no leste da Ucrânia.

Trump volta a pressionar por acordo

O governo Trump voltou a intensificar a atuação diplomática para tentar interromper a guerra.

O presidente americano afirmou nesta sexta-feira que seus representantes estão levando a Moscou uma proposta destinada a tentar colocar fim ao conflito.

A missão ocorre em um momento de grande pressão internacional para reduzir a intensidade dos combates e criar condições para uma negociação mais ampla.

Apesar do esforço, ainda existem obstáculos importantes. Moscou e Kiev continuam discordando sobre questões territoriais, garantias de segurança e o futuro das regiões ocupadas.

Rússia ainda não confirmou adesão à proposta

Até o momento, a proposta apresentada por Zelensky não significa que a Rússia tenha aceitado formalmente um cessar-fogo aéreo.

A iniciativa depende da resposta de Moscou e de um eventual entendimento entre os dois governos.

Por isso, o anúncio deve ser tratado como uma proposta diplomática, e não como um cessar-fogo já em vigor.

A expectativa é que a questão seja discutida durante os contatos dos enviados americanos com autoridades russas e ucranianas.

Uma possível pausa pode abrir espaço para novas negociações

Caso os dois lados concordem com a suspensão temporária dos ataques aéreos, a medida poderá representar um primeiro passo para reduzir a tensão e criar um ambiente mais favorável às negociações.

No entanto, uma pausa limitada não resolveria automaticamente as principais questões que estão no centro da guerra.

A linha de frente permanece disputada e as divergências políticas e territoriais continuam profundas. A Rússia exige mudanças nas posições ucranianas sobre território e segurança, enquanto Kiev rejeita concessões que considera incompatíveis com sua soberania.

Cenário ainda é incerto

A proposta de Zelensky ocorre, portanto, em um momento de nova tentativa diplomática, mas ainda sem garantia de avanço.

De um lado, Washington busca aproximar as partes e apresentar novas propostas. De outro, Rússia e Ucrânia continuam realizando operações militares e mantendo posições bastante diferentes sobre os termos de um eventual acordo.

O possível cessar-fogo aéreo durante a visita dos representantes americanos poderá servir como teste para medir a disposição de Moscou e Kiev em reduzir temporariamente as hostilidades.

Se houver reciprocidade, a pausa poderá facilitar os contatos diplomáticos. Caso uma das partes rejeite a iniciativa, as negociações deverão continuar enfrentando o mesmo ambiente de desconfiança que marcou os meses anteriores.

Até o momento, portanto, não há confirmação de um cessar-fogo geral entre Rússia e Ucrânia. O que existe é uma proposta de Zelensky para suspender os ataques aéreos durante o período das negociações com os Estados Unidos.

Fontes: Reuters, AFP, GZH, UOL e informações divulgadas por autoridades da Ucrânia, Rússia e Estados Unidos.

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