Ex-banqueiro afirmou ao gabinete de André Mendonça que agentes teriam feito ameaças durante transferência para Brasília; investigadores contestam versão apresentada

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria sofrido intimidações e ameaças de morte durante uma transferência sob custódia da Polícia Federal (PF).

O relato, divulgado pela revista VEJA e posteriormente repercutido por outros veículos, faz parte das declarações apresentadas por Vorcaro sobre as condições em que teria sido transportado após sua prisão.

Segundo a versão do ex-banqueiro, agentes teriam feito ameaças relacionadas à possibilidade de jogá-lo para fora da aeronave durante o trajeto para Brasília. As acusações, entretanto, não foram confirmadas de forma independente.

A suposta ameaça durante o transporte

De acordo com o depoimento divulgado, Vorcaro contou que foi colocado em um compartimento durante o transporte e que teria permanecido em condições que descreveu como de forte pressão psicológica.

Segundo seu relato, durante o voo agentes teriam batido no compartimento onde ele estava e feito ameaças.

A frase atribuída aos policiais, conforme a versão apresentada pelo banqueiro, teria sido de que poderiam abrir a porta da aeronave e jogá-lo para fora, acrescentando que ninguém duvidaria caso dissessem posteriormente que ele havia se jogado.

A acusação é grave, mas trata-se, até o momento, da versão apresentada por Vorcaro em depoimento. Não há confirmação pública independente de que os agentes tenham praticado as condutas descritas.

Vorcaro diz que temeu pela própria vida

Durante o depoimento ao gabinete de André Mendonça, o ex-banqueiro afirmou que passou a temer pela própria segurança e pela de seus familiares.

Vorcaro declarou que estaria sendo intimidado e que acreditava estar sendo impedido de apresentar informações que, segundo ele, poderiam contribuir para as investigações.

O banqueiro também afirmou que pretendia colaborar com as autoridades e que possuía informações que considerava relevantes sobre o caso Banco Master e sobre pessoas ligadas às investigações.

Relato envolve outros episódios

As acusações não ficaram restritas ao voo.

Vorcaro também relatou outras situações que classificou como intimidação e maus-tratos durante o período em que esteve preso.

Segundo o SBT News, o ex-banqueiro afirmou que permaneceu aproximadamente seis horas dentro de um compartimento fechado antes de ser levado à aeronave que faria o transporte entre São Paulo e Brasília.

Ele também relatou ter sido vendado durante o deslocamento e afirmou que teria sofrido novas intimidações durante o transporte realizado pela PF.

O depoimento, portanto, reúne uma série de acusações distintas, que precisam ser analisadas separadamente e confrontadas com provas e registros oficiais.

Investigadores contestam declarações

As declarações de Vorcaro foram contestadas por investigadores ouvidos pela revista VEJA.

Segundo a publicação, policiais federais questionaram a versão apresentada pelo ex-banqueiro e negaram as acusações feitas contra agentes envolvidos na custódia.

A divergência coloca em lados opostos a narrativa apresentada pelo empresário e a versão de integrantes da força policial.

Até o momento, não foi apresentada publicamente uma conclusão definitiva que confirme a ocorrência das ameaças descritas por Vorcaro.

PGR pediu arquivamento

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também analisou as acusações apresentadas pelo ex-banqueiro.

Na quarta-feira (2), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu o arquivamento das declarações relacionadas às supostas agressões, ameaças e maus-tratos.

Segundo informações divulgadas pelo SBT News, a PGR avaliou que Vorcaro não apresentou fatos concretos ou elementos suficientes que justificassem a abertura de uma investigação naquele momento.

O pedido de arquivamento, porém, não equivale a uma declaração de que as acusações sejam falsas. Significa que, diante dos elementos disponíveis, a Procuradoria entendeu não haver base suficiente para iniciar novas providências investigativas.

Depoimento ocorreu no gabinete de André Mendonça

As declarações foram prestadas ao gabinete do ministro André Mendonça, relator de investigações relacionadas ao caso Banco Master.

Segundo informações divulgadas, a oitiva ocorreu a pedido da defesa de Vorcaro, que alegou que o ex-banqueiro estaria sofrendo intimidações e precisava ser ouvido diretamente pelo Supremo.

Durante o depoimento, Vorcaro também fez referências à Polícia Federal e afirmou temer que sua tentativa de colaborar com as autoridades fosse prejudicada.

Caso envolve crise institucional

O episódio ocorre em meio a uma crise envolvendo o Banco Master e às divergências entre diferentes autoridades responsáveis pela investigação.

As declarações de Vorcaro ganharam ainda mais repercussão porque o ex-banqueiro também teria afirmado possuir informações que poderiam atingir integrantes do governo, da Polícia Federal e outras autoridades.

A possibilidade de uma eventual colaboração premiada aumenta a importância de suas declarações, mas qualquer informação apresentada pelo investigado precisa ser verificada e corroborada por elementos independentes.

PF terá de responder às acusações

As denúncias também colocam a própria Polícia Federal diante de uma questão delicada.

Caso sejam apresentadas provas ou registros capazes de confirmar as acusações, as autoridades responsáveis deverão apurar a eventual conduta dos agentes envolvidos.

Por outro lado, se as acusações não forem sustentadas por evidências, a versão apresentada pelo ex-banqueiro poderá perder força no curso das investigações.

O fato de Vorcaro estar sob custódia durante os episódios narrados torna especialmente relevantes documentos como registros de transporte, escalas de agentes, imagens de segurança, relatórios de custódia e eventuais registros internos da operação.

O que está comprovado até agora?

Até o momento, é possível separar o caso em três pontos:

1. Vorcaro fez as acusações:
O ex-banqueiro relatou ao gabinete de André Mendonça que teria sofrido ameaças e intimidações durante sua custódia.

2. As acusações são contestadas:
Investigadores ouvidos pela VEJA contestaram a versão apresentada pelo ex-banqueiro.

3. Não houve confirmação independente:
Não há, até o momento, comprovação pública independente de que agentes da PF tenham ameaçado jogar Vorcaro de uma aeronave.

Caso continua sob atenção do STF

As declarações de Daniel Vorcaro acrescentam um novo capítulo à crise em torno do Banco Master.

Além das suspeitas financeiras investigadas pelas autoridades, o caso agora envolve acusações sobre a forma como o ex-banqueiro teria sido tratado durante sua prisão e transferência.

A depender da apresentação de novos elementos, as alegações poderão voltar a ser analisadas pelas autoridades competentes.

Por enquanto, porém, as ameaças relatadas permanecem como acusações feitas pelo próprio Vorcaro, sem comprovação independente pública.

O caso continua sendo acompanhado pelo STF, pela Procuradoria-Geral da República e pela Polícia Federal.

Fontes
VEJA — Relato de Vorcaro sobre tortura na PF tem até ameaça de morte em avião
VEJA — Íntegra do depoimento de Daniel Vorcaro sobre Andrei e ameaças na PF
SBT News — Vorcaro relatou tortura e ameaças após prisão pela PF
Conexão Política — Vorcaro relata ameaça de assassinato em aeronave durante custódia

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