Medida entra em vigor em 3 de setembro e também atinge aves, ovos e mel; bloco cobra garantias sobre regras sanitárias e uso de antimicrobianos

A União Europeia (UE) confirmou que, a partir desta quinta-feira (3 de setembro de 2026), serão suspensas as importações de produtos de origem animal do Brasil, incluindo carne bovina, carne de aves, ovos e mel. A decisão foi confirmada pela Comissão Europeia e está relacionada às exigências do bloco sobre o uso de medicamentos antimicrobianos na produção animal.

A medida não surgiu de uma decisão tomada apenas agora. Em maio, o Brasil foi retirado da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal para a União Europeia. Em junho, a decisão foi formalizada e estabeleceu 3 de setembro como data para a entrada em vigor das restrições.

O que motivou a suspensão?

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias consideradas suficientes de que sua produção atende integralmente às regras europeias relacionadas ao controle de antimicrobianos.

A legislação da UE possui restrições ao uso de determinados antibióticos na criação de animais, principalmente quando utilizados como promotores de crescimento ou quando se trata de substâncias reservadas para tratamentos de infecções em seres humanos. O objetivo declarado pelo bloco é combater o avanço da resistência antimicrobiana.

A Comissão Europeia, entretanto, afirmou que o Brasil continua sendo um parceiro importante e que as negociações técnicas permanecem em andamento. Segundo o bloco, caso o país consiga demonstrar o cumprimento das exigências, as exportações poderão ser novamente autorizadas.

Auditoria pode mudar parte da decisão

Uma auditoria europeia está sendo realizada no Brasil para verificar se as garantias apresentadas pelo país estão sendo efetivamente aplicadas. O processo deve ser concluído em 4 de setembro, um dia depois do início da suspensão.

Para carne de aves e mel, existe a possibilidade de uma retomada mais rápida caso os resultados da auditoria sejam considerados satisfatórios. Já para a carne bovina, a reabertura do mercado europeu pode levar mais tempo, devido aos ciclos de produção e às exigências para comprovação da conformidade.

Qual o impacto para o Brasil?

A decisão afeta um mercado importante para o agronegócio brasileiro. Em 2025, o Brasil exportou mais de 92 mil toneladas de carne bovina para a União Europeia, movimentando mais de € 713 milhões.

Dados divulgados anteriormente pelo Ministério da Agricultura apontam que, considerando diferentes tipos de carnes, o Brasil exportou cerca de 368,1 mil toneladas para a UE em 2025, com valor de aproximadamente US$ 1,8 bilhão. A carne bovina representou a maior parcela desse comércio.

A suspensão, portanto, representa um desafio comercial para frigoríficos, produtores e exportadores, que podem precisar redirecionar parte da produção para outros mercados enquanto as negociações com os europeus continuam.

Governo brasileiro tenta reverter a situação

O Ministério da Agricultura afirma que as tratativas técnicas com a União Europeia continuam. Em julho, o governo informou que havia encaminhado documentação às autoridades europeias e que o Brasil não buscava flexibilizar as regras, mas atender aos requisitos estabelecidos pelos mercados importadores.

A expectativa brasileira é conseguir demonstrar que os controles adotados são suficientes para atender às exigências europeias e, com isso, recuperar as autorizações de exportação.

Importante: embora a manchete possa ser descrita como “proibição”, tecnicamente a situação anunciada é uma suspensão das importações a partir de 3 de setembro, que poderá ser revertida caso o Brasil comprove o cumprimento das exigências sanitárias europeias.

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