Candidato à Presidência pelo Missão questiona classificação de facções brasileiras como organizações terroristas e defende que combate ao crime organizado seja liderado pelas forças de segurança nacionais REDAÇÃO02/09/2026 – 21h26 O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, voltou a criticar a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Em entrevista ao podcast Flow nesta quarta-feira (2), o candidato afirmou que não considera adequado tratar facções criminosas e terrorismo como se fossem a mesma coisa. Renan também questionou as intenções do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao tratar do problema do crime organizado brasileiro. Segundo o candidato, não há motivos para acreditar que o governo norte-americano esteja buscando solucionar os problemas de segurança pública do Brasil por interesse genuíno em ajudar o país. “Eu não fico tão confortável em ver o Trump querendo falar que: ah, isso é tudo terrorista, porque o Trump não quer nos ajudar”, afirmou Renan durante a entrevista. A declaração foi divulgada pela Agência Estado e também repercutida por veículos como Jornal do Comércio e Terra. RENAN QUESTIONA INTERESSE DOS ESTADOS UNIDOS Durante a conversa, Renan afirmou que vê com desconfiança a tentativa dos Estados Unidos de ampliar sua atuação sobre o combate ao crime organizado na América Latina. Na avaliação do candidato, o histórico norte-americano na região não justificaria a expectativa de que Washington esteja agora disposto a resolver o problema do tráfico de drogas brasileiro. “Os americanos nunca resolveram o problema do tráfico de drogas na América Latina. Por que agora eles querem? Nunca se interessaram por isso”, disse. A crítica acompanha uma posição que Renan já havia apresentado anteriormente: a de que o Brasil não deve depender de outros países para enfrentar organizações criminosas que atuam em seu próprio território. “QUEM VAI DESTRUIR O CRIME É O BRASIL” Renan defende que o combate às facções seja conduzido principalmente pelas instituições brasileiras de segurança, investigação e Justiça. Em manifestações anteriores sobre o mesmo assunto, o candidato afirmou que o Brasil precisa assumir o protagonismo no enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho. Em agosto, durante sabatina, Renan classificou como uma espécie de “efeito de marketing” a decisão americana e argumentou que a medida poderia produzir consequências além do simples reconhecimento internacional do problema. Segundo ele, a classificação também poderia aumentar o poder dos Estados Unidos para aplicar sanções contra empresas brasileiras que eventualmente fossem consideradas relacionadas às facções. CLASSIFICAÇÃO AMERICANA O governo dos Estados Unidos anunciou em maio a inclusão do PCC e do Comando Vermelho em sua lista de organizações terroristas estrangeiras. A decisão provocou diferentes reações entre os candidatos à Presidência. Enquanto alguns comemoraram a medida e defenderam maior cooperação com os Estados Unidos, Renan adotou uma posição crítica. Na época, o candidato afirmou que considerava inadequado o Brasil depender dos norte-americanos para combater as organizações criminosas. A CNN Brasil registrou que Renan defendeu que “quem tem que destruir o Comando Vermelho e o PCC é o Brasil”. CRÍTICA TAMBÉM ATINGE FLÁVIO BOLSONARO A posição de Renan também o colocou em confronto com políticos que comemoraram a classificação das facções pelos Estados Unidos. Entre eles está o senador Flávio Bolsonaro, que celebrou a decisão do governo Trump e agradeceu publicamente ao secretário de Estado americano, Marco Rubio. Renan criticou a postura e acusou adversários de apostar excessivamente em uma solução estrangeira para um problema brasileiro. Em maio, ele chegou a afirmar que “americano nenhum” iria combater os criminosos brasileiros e defendeu que o enfrentamento fosse realizado pelas forças nacionais. DIFERENÇA ENTRE CRIME ORGANIZADO E TERRORISMO Um dos principais pontos levantados por Renan é a diferença conceitual entre organizações criminosas e grupos classificados como terroristas. O candidato argumenta que PCC e Comando Vermelho são organizações criminosas ligadas principalmente ao tráfico de drogas, controle territorial e outras atividades ilícitas, enquanto a classificação de terrorismo possui consequências jurídicas e políticas específicas no sistema norte-americano. A avaliação de Renan é que a mudança de classificação, por si só, não seria suficiente para desarticular as estruturas criminosas que atuam no Brasil. Em junho, ele havia declarado que a classificação teria impacto limitado sobre a capacidade operacional das facções e que o resultado mais relevante poderia estar relacionado à cooperação internacional entre órgãos de segurança e inteligência. CANDIDATO PROMETE COMBATE DURO ÀS FACÇÕES Apesar de criticar a participação dos Estados Unidos, Renan Santos tem adotado um discurso de endurecimento contra o crime organizado. Em agosto, o candidato afirmou que, caso seja eleito presidente, pretende destruir as estruturas das facções em até um ano. Segundo ele, a estratégia envolveria atingir financeiramente as organizações, recuperar territórios dominados por criminosos e ampliar a atuação do Estado. Renan também defendeu medidas duras contra integrantes das facções e afirmou que o Estado brasileiro precisa recuperar o controle de áreas dominadas pelo crime organizado. SOBERANIA NACIONAL NO CENTRO DO DEBATE A discussão sobre a classificação do PCC e do Comando Vermelho também abriu um debate sobre soberania nacional. Para Renan, o Brasil precisa evitar qualquer situação em que um governo estrangeiro passe a determinar como o país deve combater suas organizações criminosas. O candidato considera que a cooperação internacional pode ser útil, especialmente em operações financeiras, inteligência e combate ao tráfico internacional de drogas, mas sustenta que a decisão sobre como agir dentro do território brasileiro deve permanecer sob responsabilidade das autoridades nacionais. DEBATE GANHA IMPORTÂNCIA ELEITORAL A segurança pública deverá ocupar espaço importante na campanha presidencial de 2026, especialmente diante da expansão das facções criminosas e das disputas territoriais em diferentes regiões do país. A questão também ganhou peso eleitoral no Nordeste, onde pesquisas recentes apontam a segurança como uma das principais preocupações dos eleitores. Nesse cenário, a discussão sobre PCC, Comando Vermelho, tráfico de drogas e cooperação internacional tende a permanecer no centro do debate entre os candidatos. Renan Santos tenta se diferenciar tanto daqueles que defendem maior aproximação com os Estados Unidos quanto dos que rejeitam qualquer tipo de cooperação internacional. O QUE RENAN DEFENDE A posição apresentada pelo candidato pode ser resumida em três pontos principais: Combate nacional: o Brasil deve liderar diretamente o enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho; Cautela com a classificação de terrorismo: Renan considera que crime organizado e terrorismo são fenômenos diferentes; Cooperação sem dependência: o candidato admite a possibilidade de cooperação internacional, mas rejeita a ideia de que os Estados Unidos possam assumir o protagonismo no combate ao crime dentro do Brasil. PRÓXIMOS PASSOS A discussão sobre a classificação das facções deverá continuar produzindo efeitos políticos e jurídicos, principalmente em relação às sanções internacionais, ao bloqueio de recursos e à cooperação entre órgãos de inteligência. Para Renan Santos, entretanto, o ponto central permanece sendo a capacidade do próprio Estado brasileiro de enfrentar as organizações criminosas. A declaração feita no podcast Flow reforça uma posição que o candidato vem apresentando há meses: o combate ao crime organizado, na avaliação dele, deve ser liderado pelo Brasil, e não depender de uma eventual ação do governo Trump. A discussão deverá continuar durante a campanha presidencial, com os candidatos apresentando propostas diferentes sobre segurança pública, soberania nacional e cooperação internacional. Fontes consultadas: Agência Estado/UOL, Jornal do Comércio, Terra, CNN Brasil, Metrópoles, Band e Poder360. Navegação de Post FOTO DE REUNIÃO NOS BASTIDORES DO STF APÓS SAÍDA DE MENDONÇA GERA REPERCUSSÃO EM MEIO À CRISE DO BANCO MASTER MPT ABRE INQUÉRITOS PARA INVESTIGAR TRÊS MORTES DE TRABALHADORES NO INTERIOR DA BAHIA