Go Up Entertainment deverá apresentar contratos, notas fiscais, comprovantes e prestação de contas do filme “Dark Horse”; material é aguardado pela Polícia Federal em meio às investigações sobre o financiamento da produção A produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, prevê entregar nesta sexta-feira (4) à Polícia Federal documentos relacionados à produção da obra. A informação foi divulgada pela CNN Brasil nesta quinta-feira (3). A empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora, havia planejado entregar o material na semana passada. O prazo, porém, acabou sendo adiado diante da dificuldade de reunir documentos relacionados às operações realizadas no exterior. Segundo informações obtidas pela CNN, ainda faltavam documentos que deveriam ser encaminhados pelo sócio majoritário do braço internacional da empresa. PF pediu documentação financeira A solicitação partiu de um delegado da Polícia Federal em Brasília. Em ofício enviado à produtora, a corporação pediu a apresentação voluntária da documentação comprobatória da produção cinematográfica. Entre os documentos solicitados estão faturas pagas, contratos, aditivos, invoices nacionais e internacionais, demonstração das despesas, comprovantes da origem dos recursos e informações sobre os financiamentos utilizados no filme. A produtora também deverá apresentar informações sobre os gastos realizados durante as diferentes etapas do projeto. Segundo a CNN, são pelo menos 300 contratos relacionados a profissionais que participaram da produção. Investigação envolve dinheiro de Daniel Vorcaro O interesse da Polícia Federal ocorre em meio às investigações sobre o financiamento de Dark Horse e os recursos repassados pelo empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar os repasses feitos por Vorcaro para a produção do filme. Segundo a Agência Brasil, os valores chegaram a aproximadamente R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025. A investigação busca esclarecer se os recursos efetivamente foram utilizados na produção do longa e se houve alguma irregularidade nos pagamentos. O caso ganhou repercussão após a divulgação de áudios nos quais o senador Flávio Bolsonaro aparece pedindo recursos a Vorcaro para financiar a produção. Flávio confirmou que buscou apoio financeiro para o projeto, mas afirmou que os recursos eram privados e negou ter negociado qualquer vantagem indevida. Duas frentes de investigação A apuração sobre Dark Horse possui mais de uma frente. Uma delas, sob relatoria de André Mendonça no STF, concentra-se nos repasses de Daniel Vorcaro e no financiamento do filme. Outra investigação, conduzida a partir de informações da Polícia Civil de São Paulo e compartilhada com a PF por autorização do ministro Flávio Dino, analisa possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos e emendas parlamentares relacionadas a empresas ligadas à produtora. Em agosto, Dino autorizou que a Polícia Federal tivesse acesso às provas reunidas pela Polícia Civil paulista durante investigação envolvendo a Go Up Entertainment. A apuração estadual também envolve suspeitas relacionadas a um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada à empresária Karina Gama. Produtora afirma que produção é regular A defesa e a produtora negam irregularidades. Segundo informações divulgadas pela CNN, Karina Gama inicialmente avaliou que o pedido da PF poderia representar uma espécie de busca exploratória de provas, mas, depois de obter esclarecimentos das autoridades, decidiu colaborar voluntariamente com a investigação. A empresa afirma que a execução e o financiamento do filme ocorreram de forma regular e que pretende apresentar os documentos solicitados para esclarecer a origem e a aplicação dos recursos. A entrega dos documentos poderá fornecer à Polícia Federal elementos para confrontar as informações já obtidas durante as investigações, especialmente sobre a origem do dinheiro, os contratos firmados, os pagamentos realizados e o destino dos recursos utilizados na produção. O que a PF pretende esclarecer Com a documentação, os investigadores poderão verificar, entre outros pontos: quem efetivamente financiou a produção; quais valores foram recebidos e em quais datas; como os recursos de Vorcaro foram utilizados; quais empresas e pessoas receberam pagamentos; se os valores declarados correspondem às despesas efetivamente realizadas; a origem dos recursos utilizados no filme; e se houve eventual conexão entre recursos públicos investigados e a produção cinematográfica. Até o momento, a existência das investigações não significa que a produtora ou os envolvidos tenham sido considerados culpados. As apurações ainda buscam reunir documentos e evidências para determinar se houve ou não irregularidades. Fonte principal: CNN Brasil, com informações atualizadas em 3 de setembro de 2026. Fontes complementares: Agência Brasil e CNN Brasil sobre a investigação dos repasses de Daniel Vorcaro. 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