O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal identificasse o destinatário de mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master. A perícia realizada pela PF apontou que o destinatário das mensagens era o ministro Alexandre de Moraes. A determinação de Mendonça passou a ser um dos principais pontos de controvérsia dentro do STF. Isso porque a Procuradoria-Geral da República (PGR), em manifestação apresentada nesta terça-feira (1º), questionou a legalidade da ordem e pediu a nulidade do relatório produzido pela Polícia Federal. Como a PF chegou a Moraes Segundo o relatório policial, os investigadores conseguiram reconstruir a sequência de ações realizadas no celular de Vorcaro mesmo em situações nas quais as mensagens haviam sido enviadas em formato de visualização única. A perícia cruzou registros do sistema do iPhone, horários de abertura de aplicativos, capturas de tela, arquivos temporários e registros de envio do WhatsApp. Em uma das sequências analisadas, Vorcaro produziu uma nota, fez uma captura de tela e, segundos depois, abriu o WhatsApp e enviou uma mensagem. O número utilizado como destinatário estava salvo na agenda de Vorcaro como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Outros registros também associavam o mesmo número a nomes como “Novo”, “STF TSE NOVO” e “Eu STF”. A PF identificou dezenas de registros seguindo padrão semelhante. Segundo o relatório, cinco mensagens de novembro de 2025 puderam ser diretamente confrontadas com registros de envio encontrados no aparelho, ajudando os peritos a validar a metodologia utilizada Moraes nega ser o destinatário O ponto mais sensível da discussão está na decisão de Mendonça que determinou à PF a identificação das pessoas relacionadas às mensagens encontradas no material apreendido. Segundo documentos divulgados nesta terça-feira, o ministro determinou que fossem identificadas pessoas mencionadas ou envolvidas nas mensagens e que a PF reunisse os elementos relacionados aos registros. A medida foi cumprida pela corporação, que posteriormente informou que o destinatário identificado era Moraes. A discussão agora é se Mendonça apenas determinou uma diligência para esclarecer a identidade de um interlocutor que ainda não estava identificado ou se, na prática, acabou determinando uma investigação direcionada a outro ministro do Supremo. PGR contesta atuação de Mendonça O procurador-geral da República, Paulo Gonet, adotou uma posição crítica à iniciativa. Para a PGR, Mendonça não poderia ter determinado o aprofundamento das diligências para identificar o destinatário sem provocação do Ministério Público ou da própria Polícia Federal. Gonet entende que, caso surgissem indícios envolvendo outro ministro do STF, o assunto deveria ser encaminhado ao presidente da Corte para que o Plenário avaliasse a necessidade e a forma de eventual investigação. Por esse motivo, a PGR pediu que a determinação seja considerada nula e que, por consequência, também seja reconhecida a nulidade do relatório produzido a partir dela. Polícia Federal diz que não investigou magistrado A própria PF afirma no relatório que não realizou atos de aprofundamento investigativo direcionados a magistrados. A versão apresentada é que os investigadores encontraram os registros durante a análise do aparelho de Vorcaro e posteriormente conseguiram identificar o destinatário por meio da perícia digital. Aliados de Mendonça sustentam justamente essa interpretação: o ministro não teria determinado uma investigação contra Moraes, mas apenas solicitado a identificação de um interlocutor cuja identidade ainda não estava esclarecida. Caso pode chegar ao Plenário A controvérsia agora ultrapassa o conteúdo das mensagens e envolve principalmente a validade do procedimento utilizado para identificá-las e incluí-las no relatório da PF. Mendonça defende que os novos elementos sejam analisados pelo Plenário do Supremo. A eventual discussão deverá avaliar tanto os aspectos jurídicos da investigação quanto os limites da atuação de um ministro quando surgem elementos relacionados a outro integrante da Corte. A decisão sobre colocar o assunto em julgamento pelo Plenário depende do presidente do STF, Edson Fachin O episódio coloca em lados diferentes o relator do caso e a PGR e abre uma discussão institucional sobre até onde pode ir a atuação judicial na fase investigativa quando os elementos encontrados envolvem um próprio ministro do Supremo. Importante: a identificação do número como pertencente ao contato salvo por Vorcaro como “Alexandre de Moraes BRASILIA” consta do material divulgado pela PF, mas isso, por si só, não comprova que Moraes tenha lido ou respondido às mensagens. Moraes nega ser o destinatário. Navegação de Post Divergência no STF: Mendonça quer levar ao Plenário caso envolvendo Moraes e Vorcaro Como era a relação de amizade e “gratidão de vida” entre Vorcaro e Moraes