O empresário Joesley Batista, um dos controladores da JBS, teria se reunido diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em 20 de agosto, para defender a ampliação das importações de carne bovina brasileira pelos Estados Unidos. A informação foi divulgada pelo The Wall Street Journal.

Segundo o jornal americano, a conversa ocorreu em um momento de forte pressão sobre os preços da carne bovina nos Estados Unidos. Joesley teria argumentado que o aumento da oferta de carne brasileira poderia ajudar a reduzir os preços para os consumidores americanos.

Trump anunciou mudança um dia depois

No dia seguinte ao encontro, Trump anunciou um plano para permitir a entrada de até 300 mil toneladas de cortes de carne bovina magra nos Estados Unidos com tarifa reduzida a zero durante um período de 90 dias. A medida foi apresentada pelo governo americano como uma forma de aumentar a oferta e combater a alta dos preços da carne.

A decisão pode representar uma vantagem para a JBS, que possui forte presença no mercado americano e vem ampliando suas operações no país. Segundo a reportagem do Wall Street Journal, as exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos cresceram cerca de 10% neste ano.

Pressão sobre o mercado americano

Os Estados Unidos enfrentam uma redução significativa do rebanho bovino, que chegou ao menor nível em décadas. A menor oferta doméstica contribuiu para a elevação dos preços, aumentando a pressão sobre o governo Trump para encontrar alternativas para abastecer o mercado.

A estratégia de aumentar as importações, entretanto, provocou reação negativa de produtores e organizações rurais americanas. Parte dos pecuaristas teme que a maior entrada de carne estrangeira reduza seus ganhos e desestimule a recuperação do rebanho americano.

Encontro levanta questionamentos

A atuação de Joesley Batista chama atenção porque ocorre justamente durante uma disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. A reportagem do Wall Street Journal aponta que o empresário apresentou diretamente a Trump argumentos relacionados ao impacto das tarifas sobre o abastecimento e os preços da carne.

A Reuters também repercutiu a informação, destacando que Joesley teria defendido a redução de uma tarifa de 26% sobre a carne brasileira. A agência ressalvou que não conseguiu verificar de forma independente todas as informações publicadas pelo jornal americano.

O episódio mostra como interesses empresariais e negociações comerciais passaram a se cruzar nas tratativas entre Brasil e Estados Unidos. Enquanto os governos negociam a questão das tarifas, grandes empresas exportadoras também procuram defender seus interesses diretamente junto às autoridades americanas.

A possível influência de Joesley na decisão de Trump agora coloca a carne brasileira novamente no centro das negociações comerciais entre os dois países.

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