Encontro reservado no Planalto ocorreu enquanto aumentam as tensões envolvendo Alexandre de Moraes, André Mendonça, a Polícia Federal e as investigações relacionadas ao Banco Master

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), procurou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meio à crise institucional que ganhou força após a divulgação de mensagens envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

O encontro ocorreu no Palácio do Planalto, na terça-feira (1º), fora da agenda oficial da Presidência. A reunião fez parte de uma série de conversas de Lula com integrantes do Supremo para avaliar o cenário de tensão dentro da Corte. A informação foi confirmada por diferentes veículos de imprensa.

Segundo relatos publicados sobre a conversa, o momento delicado vivido pelo STF esteve entre os principais assuntos discutidos. O presidente teria demonstrado preocupação com os possíveis impactos das revelações sobre a imagem institucional da Corte e com o desgaste provocado pelo confronto entre diferentes setores envolvidos no caso.

GILMAR TERIA DEFENDIDO APOIO INSTITUCIONAL

Relatos de bastidores indicam que Gilmar Mendes teria buscado sensibilizar Lula para a necessidade de preservar a estabilidade institucional do Supremo e evitar que a crise provocasse um enfraquecimento da Corte.

A avaliação atribuída ao ministro é de que o governo federal deveria manter diálogo com o STF durante o período de maior tensão, em vez de se afastar institucionalmente do tribunal.

A frase de que Lula não deveria “abandonar o STF no momento mais delicado da Corte”, porém, deve ser entendida como uma síntese atribuída aos bastidores da reunião, e não como uma declaração pública registrada do ministro.

COBRANÇA DE APOIO À CÚPULA DA POLÍCIA FEDERAL

Além da situação interna do Supremo, Gilmar também teria levado ao presidente preocupações relacionadas à atuação da Polícia Federal no caso Banco Master.

Segundo reportagem da Folha, o ministro procurou Lula para cobrar maior apoio do governo à cúpula da PF em meio ao embate envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça. A crise também envolve divergências sobre a condução das investigações e a relação entre a Polícia Federal e outros órgãos do governo.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, passou a ocupar posição importante nas discussões internas depois dos desdobramentos envolvendo documentos produzidos pela corporação.

CRISE AUMENTOU APÓS DIVULGAÇÃO DE MENSAGENS

A crise dentro do STF ganhou novas proporções depois que André Mendonça retirou o sigilo de documentos relacionados ao caso Banco Master.

Entre os materiais divulgados estava um relatório da Polícia Federal que reunia informações sobre contatos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

A divulgação provocou reações dentro e fora do tribunal e aumentou a pressão sobre Moraes, enquanto integrantes da Corte passaram a discutir os limites da atuação de Mendonça na condução do caso.

Moraes, por sua vez, sinalizou disposição para levar a disputa ao plenário do Supremo e conta, segundo relatos publicados, com ministros que avaliam questionar atos praticados por Mendonça.

LULA EVITA SE ENVOLVER DIRETAMENTE

O presidente Lula tem procurado evitar uma intervenção pública direta no conflito entre os ministros. Ao mesmo tempo, o chefe do Executivo vem mantendo conversas com integrantes do Supremo para avaliar os impactos políticos e institucionais da crise.

Além de Gilmar Mendes, Lula também conversou com o presidente do STF, Edson Fachin. Segundo a Folha, o presidente passou a adotar uma postura de maior distanciamento em relação a Moraes e pretende enfatizar publicamente a ideia de que “ninguém está acima da lei”.

A estratégia busca evitar que o governo seja acusado de interferir em uma disputa interna do Judiciário, ao mesmo tempo em que tenta preservar a relação entre Executivo e Supremo.

STF TENTA CONTER DESGASTE

A crise ocorre em um momento especialmente sensível para o Supremo. A divulgação de mensagens e informações relacionadas ao Banco Master abriu uma nova frente de questionamentos sobre a atuação de ministros, os procedimentos adotados na investigação e os limites de atuação de cada autoridade.

Gilmar Mendes tem demonstrado preocupação com os efeitos institucionais do episódio. Em outras manifestações relacionadas ao caso, o ministro já criticou a condução de determinadas medidas envolvendo Vorcaro e a atuação de magistrados em negociações de colaboração premiada.

O objetivo, segundo relatos de bastidores, seria evitar que as divergências entre ministros evoluam para uma crise institucional de maiores proporções.

ENCONTRO NÃO CONSTOU NA AGENDA OFICIAL

A reunião entre Lula e Gilmar Mendes não apareceu na agenda oficial da Presidência. O encontro foi posteriormente confirmado por diferentes veículos, que relataram que o presidente buscava ouvir integrantes do Supremo sobre a dimensão da crise.

Até o momento, não houve divulgação de uma declaração oficial de Lula ou de Gilmar Mendes detalhando o conteúdo integral da conversa.

O episódio, contudo, demonstra a preocupação do Palácio do Planalto e de integrantes do STF com a escalada das divergências envolvendo Moraes, Mendonça, a Polícia Federal e as investigações relacionadas ao Banco Master.

Enquanto o Supremo busca uma saída institucional para o impasse, o governo federal tenta administrar a crise sem assumir publicamente um lado na disputa entre os ministros.

Foto: Folhapress

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