O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) ganhou força nas pesquisas eleitorais divulgadas nesta segunda-feira (31) e passou a ocupar um espaço de destaque na disputa presidencial de 2026. O crescimento ocorreu após uma semana de intensa exposição, que incluiu o debate da Band, entrevistas e a participação no Jornal Nacional.

No levantamento BTG/Nexus, Cury saltou de 2% para 11% das intenções de voto, assumindo a terceira colocação. Lula aparece com 39%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 33%. A pesquisa ouviu 2.005 eleitores entre os dias 28 e 30 de agosto e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Outra pesquisa, da AtlasIntel/Bloomberg, também mostrou crescimento expressivo: Cury passou de 1,6% para 7,8%, ficando tecnicamente empatado com Renan Santos. Os números indicam que o escritor começa a conquistar espaço entre eleitores que procuram uma alternativa à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Mas de quem Cury está tirando votos?

Essa é uma das principais questões levantadas pelos analistas. O crescimento de Cury não significa automaticamente que seus votos estejam vindo diretamente de Lula ou de Flávio Bolsonaro. O perfil do eleitor que demonstra simpatia pelo candidato indica uma forte presença de pessoas descontentes com a polarização política e que ainda não haviam escolhido um nome.

As campanhas dos dois principais candidatos, porém, enxergam riscos diferentes. O grupo de Lula avalia que Cury pode conquistar parte do eleitorado de centro e, indiretamente, dificultar uma vitória petista no primeiro turno. Já aliados de Flávio acreditam que Cury pode atrair principalmente eleitores da chamada terceira via e, em um eventual segundo turno, acabar favorecendo o candidato bolsonarista.

O analista ouvido pela BBC destaca que ainda é cedo para afirmar que Cury esteja retirando votos diretamente de Lula ou Flávio. Seu crescimento parece estar relacionado, em grande medida, à busca por uma alternativa aos dois polos tradicionais da disputa.

Crescimento também nas redes sociais

Além das pesquisas, Cury apresentou forte crescimento nas redes sociais. Segundo levantamentos publicados nesta segunda-feira, ele ganhou cerca de 2,5 milhões de seguidores no Instagram em apenas uma semana, ultrapassando a marca de 10 milhões. O fenômeno aumentou sua exposição e transformou sua candidatura em uma das principais novidades da corrida presidencial.

Apesar da alta, especialistas fazem uma ressalva: é necessário observar se o crescimento será mantido nas próximas pesquisas ou se representa apenas um efeito temporário provocado pela exposição nos debates e nas redes sociais.

A principal conclusão, portanto, é que Cury já deixou de ser um candidato periférico e passou a interferir na estratégia de Lula e Flávio Bolsonaro. A disputa agora ganha um novo elemento: saber se ele conseguirá consolidar esse crescimento e, principalmente, de qual campo político virá a maior parte de seus novos eleitores.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *