Rafael Grossi destacou a situação delicada na usina de Zaporizhzhia, os avanços na apuração do antigo programa nuclear sírio e a expansão das capacidades nucleares da Coreia do Norte O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou que o cenário nuclear internacional continua exigindo atenção máxima, diante dos riscos relacionados à guerra na Ucrânia e das atividades nucleares observadas na Coreia do Norte e em instalações ligadas ao antigo programa nuclear da Síria. Em discurso ao Conselho de Governadores da AIEA, realizado em Viena, Grossi destacou especialmente a situação da usina nuclear de Zaporizhzhia, localizada no sul da Ucrânia e sob controle russo desde os primeiros meses da guerra. SITUAÇÃO EM ZAPORIZHZHIA PREOCUPA A AIEA Segundo Grossi, a usina registrou dez perdas de energia externa desde junho, elevando para 26 o número de interrupções desde o início da guerra. Desde 20 de agosto, a instalação vem dependendo de geradores a diesel para manter sistemas essenciais. A AIEA considera que um fornecimento externo confiável de eletricidade é fundamental para garantir o funcionamento dos sistemas de segurança e o resfriamento dos reatores. Um cessar-fogo localizado permitiu o início de trabalhos de desminagem e reparos em uma das linhas de transmissão que podem ajudar a restabelecer o fornecimento externo de energia. Grossi, porém, pediu máxima moderação militar e ressaltou que os trabalhadores ucranianos responsáveis pelos reparos precisam conseguir realizar suas atividades sem serem atacados ou colocados em risco. A situação de Zaporizhzhia é considerada particularmente sensível porque qualquer interrupção prolongada do fornecimento de energia pode aumentar os riscos à segurança nuclear da maior usina nuclear da Europa. SÍRIA: AIEA IDENTIFICA AVANÇOS NA COOPERAÇÃO Na Síria, Grossi classificou como histórico o avanço obtido nas chamadas salvaguardas nucleares. A nova administração síria permitiu o acesso de inspetores da AIEA a locais relacionados ao antigo programa nuclear do país e forneceu informações que ajudaram a esclarecer questões que permaneciam pendentes havia anos. A investigação envolve principalmente as atividades realizadas durante o governo de Bashar al-Assad. A AIEA confirmou que a instalação de Dair Alzour, destruída em 2007, apresentava características compatíveis com um reator nuclear que deveria ter sido declarado à agência. Recentemente, inspetores também verificaram cerca de 73 toneladas de urânio natural, encontradas na Síria. O material foi colocado sob salvaguardas da AIEA, enquanto continuam os trabalhos de verificação. Grossi afirmou que a cooperação atual de Damasco permitiu avanços importantes na investigação sobre o antigo programa nuclear. COREIA DO NORTE AMPLIA CAPACIDADE NUCLEAR A situação é diferente na Coreia do Norte. De acordo com a AIEA, o país continua ampliando suas instalações relacionadas ao enriquecimento de urânio e à produção de material nuclear. A agência identificou, por meio de imagens de satélite e outras fontes abertas, uma nova instalação no complexo de Yongbyon, além de sinais de operação em uma área associada ao complexo de enriquecimento de Kangson. A AIEA afirmou que a continuidade das atividades e a expansão da capacidade norte-coreana de produzir material nuclear destinado a armas são motivo de séria preocupação. Como os inspetores internacionais não têm acesso à Coreia do Norte desde 2009, a agência depende principalmente de imagens de satélite e outras informações disponíveis para acompanhar a evolução do programa. Segundo a AIEA, também existem indícios de continuidade de atividades relacionadas a reatores, reprocessamento e mineração e processamento de urânio. RISCO INTERNACIONAL Para a AIEA, os diferentes casos demonstram os desafios enfrentados pela comunidade internacional para acompanhar atividades nucleares em regiões afetadas por guerras, conflitos políticos ou falta de acesso dos inspetores. Enquanto na Síria a agência registra avanços na cooperação com o novo governo, na Coreia do Norte permanece a preocupação com a expansão do programa nuclear. Na Ucrânia, o principal risco está relacionado à possibilidade de um acidente nuclear provocado pelas condições de guerra e pela vulnerabilidade da infraestrutura de energia da usina de Zaporizhzhia. Grossi defende que o acesso dos inspetores e a manutenção das condições de segurança sejam preservados para evitar que tensões militares se transformem em uma crise nuclear. Fonte: AIEA, Reuters e Estadão Conteúdo. Navegação de Post MÃE DE ALLAN E ÁGATHA IRÁ VIAJAR PARA OS EUA EM MEIO ÀS INVESTIGAÇÕES DA INTERPOL