Gabriel Galípolo, Roberto Campos Neto, André Esteves e Ailton de Aquino foram chamados como testemunhas em investigação que apura suspeitas envolvendo o Banco Central e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro

A Polícia Federal intimou nomes de destaque do Banco Central e do mercado financeiro para prestar depoimento no inquérito que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master, instituição que pertencia ao banqueiro Daniel Vorcaro e foi liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025.

Entre os intimados estão o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto, o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, e o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos. Os três primeiros devem ser ouvidos como testemunhas, enquanto Aquino deverá prestar novo depoimento. As intimações foram determinadas em 3 de agosto de 2026, e as audiências ainda não têm data divulgada.

INVESTIGAÇÃO APURA POSSÍVEL FAVORECIMENTO

O inquérito investiga a atuação de dois ex-servidores do Banco Central, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, que trabalhavam em áreas relacionadas à supervisão e fiscalização bancária.

Segundo as suspeitas investigadas pela PF, os servidores teriam mantido contato recorrente com Vorcaro e fornecido informações internas e orientações relacionadas aos procedimentos do Banco Central envolvendo o Banco Master.

Os dois foram afastados durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. As defesas negam que eles tenham praticado irregularidades ou favorecido o ex-dono do banco.

DEPOIMENTO MENCIONOU SUPOSTA FRAUDE DE R$ 32 BILHÕES

A decisão de ouvir os novos depoentes ocorreu depois de informações apresentadas por Paulo Sérgio Neves em depoimento à Polícia Federal.

O ex-servidor afirmou que o BTG Pactual teria identificado uma suposta fraude de aproximadamente R$ 32 bilhões no Banco Master durante uma auditoria realizada enquanto avaliava possíveis negócios envolvendo a instituição.

De acordo com o relato, representantes do BTG teriam apresentado informações sobre o assunto ao Banco Central em dezembro de 2024, em reunião que contou com a participação do então presidente da instituição, Roberto Campos Neto. Segundo o depoimento citado pela imprensa, não teriam sido entregues documentos sobre a suposta fraude naquela reunião.

O BTG Pactual não comentou o caso.

ANDRÉ ESTEVES TAMBÉM SERÁ OUVIDO

O nome de André Esteves entrou no inquérito em razão da participação do BTG nas tratativas envolvendo o Banco Master.

Segundo informações reunidas pela investigação, o banco teria realizado uma análise sobre o Master e posteriormente comunicado autoridades do Banco Central sobre problemas identificados.

Em outro episódio, o diretor Ailton de Aquino relatou que o BTG teria solicitado ao Banco Central uma espécie de carta de conforto relacionada à aquisição de determinados ativos do Banco Master, em outubro de 2025.

O objetivo, segundo o relato, seria evitar questionamentos sobre a operação durante o processo de liquidação da instituição.

GALÍPOLO E CAMPOS NETO SERÃO TESTEMUNHAS

A convocação de Gabriel Galípolo e Roberto Campos Neto não significa, por si só, que eles sejam investigados como suspeitos.

Os dois foram chamados na condição de testemunhas, para prestar esclarecimentos sobre fatos que podem ajudar a PF a reconstruir as decisões tomadas pelo Banco Central em relação ao Banco Master.

A defesa de Campos Neto afirmou que o ex-presidente do BC ainda não havia sido formalmente intimado quando a notícia veio a público. Os advogados também questionaram o vazamento de informações sobre o procedimento e disseram que, sem acesso ao documento, não poderiam confirmar sua existência, autenticidade ou conteúdo.

BANCO MASTER FOI LIQUIDADO EM 2025

O Banco Master foi colocado em liquidação pelo Banco Central em novembro de 2025, depois de uma série de problemas envolvendo a situação financeira da instituição.

Desde então, diferentes frentes de investigação passaram a apurar possíveis irregularidades relacionadas às operações do banco, à atuação de seus dirigentes e a possíveis relações com agentes públicos e instituições financeiras.

Daniel Vorcaro é alvo das investigações e está preso preventivamente. As suspeitas ainda estão sob apuração e eventuais responsabilidades criminais dependem da conclusão das investigações e das decisões das autoridades competentes.

INVESTIGAÇÃO AVANÇA

Com os novos depoimentos, a Polícia Federal pretende esclarecer como funcionava a relação entre integrantes do Banco Master, servidores do Banco Central e outras instituições financeiras.

A oitiva de Galípolo, Campos Neto, Esteves e Aquino poderá ajudar os investigadores a confrontar diferentes versões apresentadas ao longo do inquérito, especialmente sobre a fiscalização do Master, as negociações envolvendo ativos da instituição e as informações que teriam circulado dentro do Banco Central.

O caso continua em andamento e novas medidas poderão ser adotadas pela Polícia Federal conforme o avanço das apurações.

Fonte: Polícia Federal, Folha de S.Paulo, UOL e JC.

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