Operador Nacional do Sistema Elétrico acompanha as condições de geração e consumo e considera a possibilidade de adotar medidas extraordinárias diante do risco de excesso de oferta de energia. Probabilidade de acionamento é considerada média para domingo e baixa para segunda-feira. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) está avaliando as condições de funcionamento do Sistema Interligado Nacional (SIN) durante o feriado e poderá recorrer novamente ao Plano de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição caso as medidas operacionais convencionais não sejam suficientes para manter o equilíbrio do sistema. A avaliação ocorre em um cenário de baixa demanda por eletricidade, característica de domingos e feriados, ao mesmo tempo em que a geração de fontes renováveis, principalmente solar, pode permanecer elevada durante as horas de maior insolação. Segundo informações divulgadas neste sábado (5), a possibilidade de acionamento do plano é considerada média para o domingo e baixa para a segunda-feira. Por que o ONS pode precisar cortar geração? O problema não é falta de energia. Pelo contrário: em determinados períodos, o sistema pode registrar energia demais sendo produzida em relação ao consumo. A situação é particularmente sensível durante dias de baixa demanda, quando a geração solar continua elevada durante o período diurno. Se a produção superar a capacidade de absorção do sistema, o ONS precisa reduzir parte da geração para preservar a estabilidade elétrica. O próprio ONS explica que o chamado curtailment, ou restrição de geração, é uma medida técnica utilizada quando a produção das fontes renováveis não coincide com o consumo. Segundo o operador, a medida é necessária para preservar a segurança e a confiabilidade do SIN. Medida é considerada de última instância O plano emergencial não é acionado automaticamente sempre que existe excesso de geração. Antes de recorrer às usinas conectadas às redes de distribuição, o ONS utiliza os demais recursos disponíveis para reduzir a produção de energia sob seu controle. Somente quando essas alternativas deixam de ser suficientes é que pode ser necessário restringir a geração de determinados empreendimentos conectados às redes das distribuidoras. O planejamento do ONS prevê que a medida excepcional seja utilizada em última instância, quando todas as demais ações operativas possíveis já tiverem sido adotadas. Excesso de energia solar é um dos principais desafios A expansão acelerada da geração solar, tanto em grandes usinas quanto na chamada micro e minigeração distribuída (MMGD), mudou o perfil de operação do sistema brasileiro. Durante o dia, especialmente entre o fim da manhã e o início da tarde, a geração solar pode atingir níveis elevados justamente quando o consumo nacional é relativamente baixo. O problema tende a se tornar ainda mais relevante em domingos e feriados, quando empresas e indústrias reduzem suas atividades e a demanda total de eletricidade diminui. Estudos do próprio ONS projetam que, em cenários mais críticos entre 2026 e 2029, as restrições de geração poderão alcançar montantes superiores a 40 GW ou 50 GW em determinados períodos, principalmente entre 9h e 16h, dependendo das condições de geração e carga. O que acontece se o plano for acionado? Caso as condições operacionais indiquem risco para o sistema, o ONS poderá determinar medidas para reduzir temporariamente a produção de determinados geradores. Em junho, durante o feriado prolongado de Corpus Christi, o operador realizou pela primeira vez o acionamento do plano e determinou a restrição de 1.000 MW de geração entre 10h e 14h. A operação foi realizada diante da expectativa de baixa carga e elevada produção de geração distribuída, principalmente solar. Segundo o ONS, a operação foi concluída com sucesso. Em agosto, o plano voltou a ser utilizado em razão de condições semelhantes, com excesso de oferta de energia e menor consumo. Medida não significa risco de falta de energia Um ponto importante é que o eventual acionamento do plano não significa que esteja faltando energia no país. O problema é justamente o contrário: existe risco de excesso de geração em determinados horários. A redução temporária da produção serve para evitar problemas de estabilidade e manter o equilíbrio entre geração e consumo. O objetivo é impedir que o excesso de energia provoque condições capazes de comprometer a operação do sistema elétrico. O desafio para os próximos anos O cenário representa um dos principais desafios da expansão das energias renováveis no Brasil. O país possui enorme potencial de geração solar e eólica, mas o crescimento da oferta precisa ser acompanhado por mecanismos capazes de armazenar ou deslocar a energia produzida para os horários em que o consumo é maior. Entre as alternativas discutidas pelo setor estão baterias e outras formas de armazenamento, aumento da demanda durante o período diurno, maior flexibilidade operacional e mecanismos de gerenciamento da geração distribuída. O ONS também vem trabalhando com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e as distribuidoras para aperfeiçoar os procedimentos de controle de excedentes. Decisão depende das condições do sistema A avaliação para o feriado continuará dependendo das condições efetivamente observadas na operação do SIN. A previsão atual aponta probabilidade média de acionamento no domingo e baixa na segunda-feira, mas a decisão poderá mudar conforme a carga, a geração solar e eólica, as condições climáticas e a disponibilidade dos demais recursos de controle. Assim, o eventual acionamento do plano deve ser entendido como uma medida preventiva de segurança operacional, e não como sinal de desabastecimento de energia. O episódio também evidencia um novo desafio para o sistema elétrico brasileiro: administrar o crescimento das fontes renováveis em momentos nos quais a produção de energia pode superar significativamente a demanda. Fontes: ONS, Agência Brasil e informações do Estadão Conteúdo repercutidas pela imprensa. Navegação de Post Rússia ataca empresa na região de Dnipro e deixa mortos e feridos, diz Zelensky Pesquisas eleitorais: como ficou a disputa Lula x Flávio após os números da semana