Deputado admite contatos com Daniel Vorcaro, nega ter recebido dinheiro do ex-banqueiro e questiona repercussão de relações envolvendo autoridades e o Banco Master

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou a se manifestar nesta quinta-feira (3) após a divulgação de mensagens e áudios que mostram contatos mantidos por ele com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Em tom irônico, o parlamentar fez uma comparação com as controvérsias envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e questionou como seria a repercussão caso sua própria esposa tivesse contratos milionários com Vorcaro.

“Imagina se a minha esposa tivesse contratos milionários; eu me chamaria Alexandre de Moraes”, afirmou Nikolas, em uma referência às informações divulgadas recentemente sobre contratos entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro.

Nikolas admite contato com Vorcaro

A manifestação ocorreu depois que vieram a público mensagens e áudios que mostram que Nikolas manteve contato com Vorcaro.

Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira, o deputado procurou o ex-banqueiro em março de 2025 para pedir ajuda relacionada a um ativo minerário que interessava a um amigo e ex-assessor, o advogado Thiago Rodrigues de Faria.

Nas mensagens, Nikolas encaminhou o contato do advogado e pediu que Vorcaro ajudasse a destravar a situação.

O deputado reconheceu que conversou com Vorcaro, mas negou que tenha cometido qualquer irregularidade ou recebido dinheiro do empresário.

“Não houve nenhum contrato fechado, nunca recebi nenhum centavo dele”, afirmou Nikolas, segundo declaração reproduzida pelo UOL.

Pedido envolvia ativo minerário

As mensagens divulgadas mostram que o contato de Nikolas com Vorcaro não teria sido apenas uma conversa informal.

Segundo o conteúdo revelado, o deputado solicitou ajuda para resolver uma questão envolvendo um ativo minerário ligado ao advogado Thiago Faria.

O próprio Faria afirmou que o contato tinha finalidade profissional e negou envolvimento em qualquer atividade ilegal.

Também não há, até o momento, informação pública que demonstre que a solicitação feita por Nikolas tenha resultado em benefício financeiro para o deputado.

O UOL informou que não se sabe se o pedido chegou efetivamente a ser atendido por Vorcaro.

Deputado nega proximidade com Vorcaro

Apesar dos contatos, Nikolas afirma que não mantinha uma relação de proximidade com o ex-banqueiro.

O parlamentar também reagiu à divulgação de um áudio no qual teria chamado Vorcaro de “lindão”.

Em resposta às críticas, Nikolas disse que os contatos ocorreram em circunstâncias específicas e que não havia relação financeira entre os dois.

Segundo o deputado, a divulgação das conversas estaria sendo utilizada para criar uma associação indevida entre sua atuação parlamentar e os problemas envolvendo o Banco Master.

Vorcaro afirmou ter bancado voos

Outro ponto que entrou no debate foram declarações atribuídas ao próprio Daniel Vorcaro.

Em mensagens, o ex-banqueiro teria afirmado que financiou voos utilizados por Nikolas Ferreira.

Segundo levantamento publicado pelo UOL, Vorcaro afirmou ter “bancado” voos do deputado. O caso estaria relacionado a uma viagem realizada em 2022, durante a campanha eleitoral.

Nikolas já havia se manifestado anteriormente sobre o episódio e afirmou que não tinha conhecimento de que o empresário estava por trás do financiamento relacionado ao evento.

O deputado nega ter recebido vantagens indevidas de Vorcaro.

Críticas a Alexandre de Moraes

Ao responder às acusações, Nikolas decidiu direcionar o foco para Alexandre de Moraes.

O parlamentar citou informações divulgadas recentemente sobre contratos entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.

Um dos contratos, segundo documentos e reportagens divulgados nesta semana, previa aproximadamente R$ 131 milhões em honorários ao longo de três anos.

O escritório afirmou que consultou Alexandre de Moraes sobre possíveis impedimentos legais antes da contratação e destacou que o ministro não julgou processos do Banco Master.

Nikolas utilizou o episódio para fazer uma comparação política com sua própria situação.

Segundo contrato também entrou no debate

Além do contrato de R$ 131 milhões, a Polícia Federal identificou outro documento envolvendo o escritório de Viviane Barci de Moraes e uma empresa ligada a Vorcaro.

Segundo informações divulgadas pela Exame, o documento previa R$ 60 milhões em honorários ao longo de três anos.

A PF também investigou tratativas envolvendo aeronaves e outros ativos, embora o escritório tenha negado que um segundo contrato com determinadas condições tenha sido efetivamente assinado.

Essas informações estão entre os elementos utilizados por críticos de Moraes para questionar sua relação com o empresário.

Até o momento, porém, a existência dos contratos e das tratativas não comprova, por si só, que Moraes tenha cometido qualquer crime.

“Nunca tomei whisky com ele”

Nikolas também fez referência às notícias sobre encontros entre Vorcaro e autoridades.

O deputado afirmou que nunca participou de encontros semelhantes com o empresário e questionou a diferença de tratamento que, em sua avaliação, existe entre os contatos mantidos por políticos e aqueles envolvendo integrantes do Judiciário.

Segundo reportagem da Itatiaia, Nikolas declarou que nunca tomou uísque com Vorcaro e voltou a negar irregularidades em sua relação com o ex-banqueiro.

A referência está relacionada à divulgação de informações sobre um evento em Londres que teria reunido autoridades e empresários próximos a Vorcaro, incluindo uma degustação de bebidas e charutos de alto valor.

Caso Vorcaro atinge diferentes setores da política

As novas revelações mostram que Daniel Vorcaro mantinha contatos com pessoas de diferentes grupos políticos e institucionais.

Mensagens extraídas de seu celular já haviam revelado relações com políticos, empresários, advogados e autoridades.

Entre os nomes mencionados nas reportagens estão Alexandre de Moraes, Paulo Gonet, Andrei Rodrigues, Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira, entre outros.

A existência desses contatos, entretanto, não significa automaticamente que todas as pessoas citadas tenham participado de irregularidades.

Pedido de investigação contra Nikolas

A divulgação das conversas também provocou reação no Congresso.

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) solicitou ao ministro André Mendonça que Nikolas Ferreira e seu ex-assessor Thiago Faria sejam ouvidos no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.

O pedido inclui a análise das comunicações entre os envolvidos e a identificação do ativo minerário mencionado nas conversas.

A solicitação ainda deverá ser analisada pelas autoridades competentes e não representa conclusão de que Nikolas tenha cometido qualquer crime.

O que Nikolas afirma

O deputado sustenta que:

  • manteve contatos pontuais com Daniel Vorcaro;
  • procurou o empresário para tentar ajudar um amigo em uma questão relacionada a ativo minerário;
  • não recebeu dinheiro de Vorcaro;
  • não fechou contrato com o Banco Master;
  • nega ter cometido irregularidades;
  • afirma que sua relação com Vorcaro está sendo apresentada de forma distorcida.

Do outro lado, as mensagens divulgadas mostram que houve comunicação direta entre o deputado e o ex-banqueiro e que Nikolas efetivamente pediu ajuda em uma questão de interesse de terceiro.

Comparação com Moraes vira centro da reação

Ao transformar o episódio em uma crítica a Alexandre de Moraes, Nikolas tenta colocar os diferentes relacionamentos com Vorcaro no mesmo debate público.

A principal diferença apontada pelo deputado é a natureza das relações: enquanto ele afirma ter feito contatos pontuais e sem receber dinheiro, as reportagens sobre Moraes envolvem contratos milionários firmados entre o Banco Master e o escritório de sua esposa.

O escritório de Viviane Barci de Moraes afirma que os serviços foram efetivamente prestados e que não houve irregularidade na contratação.

Assim, embora os episódios tenham passado a ser comparados politicamente, são situações distintas e precisam ser analisadas individualmente.

Caso continua em investigação

A divulgação das mensagens de Nikolas Ferreira ocorre em meio a uma investigação mais ampla sobre o Banco Master e sobre as relações mantidas por Daniel Vorcaro antes da liquidação da instituição.

As novas informações devem continuar sendo analisadas pelas autoridades.

No caso de Nikolas, até o momento, o deputado reconhece os contatos, mas nega qualquer benefício financeiro ou irregularidade.

A frase “eu me chamaria Alexandre de Moraes” tornou-se o principal elemento da reação pública do parlamentar e representa uma crítica política aos questionamentos envolvendo o ministro e sua esposa.

As investigações deverão determinar se os diferentes contatos e negócios mantidos por Vorcaro com autoridades e políticos tiveram alguma consequência jurídica ou se permanecerão no campo das relações privadas e políticas.

Por enquanto, não há decisão judicial que considere Nikolas Ferreira culpado por qualquer irregularidade relacionada ao Banco Master, assim como as informações divulgadas sobre os contratos envolvendo o escritório da esposa de Moraes não equivalem, por si mesmas, à comprovação de crime.

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