O Ministério Público da Bahia (MP-BA) instaurou um inquérito para investigar a morte da empresária Adriele da Silva Pinto, de 31 anos, ocorrida durante uma cirurgia plástica em Ilhéus, no Litoral Sul da Bahia. A apuração foi divulgada nesta terça-feira (1º). Adriele morreu na madrugada de 26 de agosto, após passar por uma série de procedimentos estéticos no Hospital Vida Memorial. Entre as intervenções estavam mastopexia com prótese, lipoescultura, remodelamento costal e jato de plasma. Inquérito terá prazo inicial de 30 dias O procedimento instaurado pelo MP-BA terá prazo inicial de 30 dias, podendo ser prorrogado por mais 30 dias. A investigação deverá buscar esclarecer as circunstâncias da morte e verificar se houve alguma irregularidade relacionada ao atendimento médico ou à realização dos procedimentos. A empresária morava nos Estados Unidos e teria viajado ao Brasil especificamente para realizar as cirurgias. Segundo o advogado da família, Adriele entrou no centro cirúrgico às 15h do dia 25 de agosto, e a previsão era de que os procedimentos terminassem por volta das 20h. A família, entretanto, teria sido informada sobre a morte somente durante a madrugada, depois de procurar informações sobre a demora. Centro cirúrgico foi interditado Um dia após a morte, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) interditou cautelarmente o centro cirúrgico do hospital. Segundo a secretaria, o espaço não possuía alvará sanitário para funcionamento. A Sesab informou ainda que o hospital havia solicitado licenciamento, mas o centro cirúrgico não teria sido incluído no pedido. A interdição ocorreu enquanto as autoridades passaram a investigar as condições em que a cirurgia foi realizada. Médico já havia sido alvo de denúncias O médico responsável pelos procedimentos, o cirurgião plástico Rossini Tebaldi Ruback, já havia sido alvo de denúncias de pacientes desde 2023. A família de Adriele também apresentou uma denúncia ao Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb-BA). O conselho informou, porém, que não havia processo ético-profissional em tramitação no Tribunal de Ética Médica envolvendo o médico. Segundo o Cremeb, informações sobre eventuais procedimentos anteriores são protegidas pelo sigilo previsto nas normas do processo ético-profissional. Defesa afirma que cirurgia ocorreu sem intercorrências A defesa de Rossini Tebaldi Ruback lamentou a morte da empresária e apresentou uma versão diferente da relatada pelos familiares. Segundo os advogados, a cirurgia transcorreu sem intercorrências até a fase final, quando Adriele teria apresentado uma alteração grave e súbita em seu quadro clínico. A defesa afirma que a paciente teria apresentado sinais compatíveis com hipertermia maligna, uma condição rara, grave e potencialmente fatal associada à reação do organismo a determinados agentes utilizados em anestesia. Ainda segundo os advogados, medidas de emergência foram adotadas imediatamente, mas a paciente não respondeu aos esforços da equipe médica. A defesa sustenta que se trataria de uma reação imprevisível e que não teria relação com a técnica cirúrgica empregada. Família busca esclarecimentos A família registrou um boletim de ocorrência e questiona circunstâncias relacionadas ao atendimento e à demora para comunicar a morte. O advogado também afirmou ter identificado questionamentos no relatório médico, inclusive sobre a assinatura do atestado de óbito. Agora, o inquérito do MP-BA deverá reunir documentos, depoimentos, informações médicas e outros elementos que possam ajudar a esclarecer o que aconteceu durante a cirurgia e quais foram as causas da morte. Investigação ainda está em andamento Até o momento, não há conclusão oficial de que tenha ocorrido erro médico ou crime. O objetivo do inquérito é justamente esclarecer os fatos e determinar se houve responsabilidade de alguma pessoa ou instituição. O caso também é acompanhado pela Polícia Civil, enquanto o Cremeb avalia as informações apresentadas pela família. A investigação deverá ser fundamental para esclarecer as circunstâncias da morte de Adriele e verificar se os procedimentos realizados, as condições do centro cirúrgico e o atendimento prestado seguiram as normas técnicas e sanitárias. Navegação de Post Populares protestam contra demora na regulação de pacientes em Madre de Deus Marceneiro preso por dopar clientes em Itabuna é suspeito de roubar pelo menos R$ 60 mil