Ministro do Planejamento afirma que União pretende adquirir carteiras de dívidas bancárias e repassar às famílias os descontos obtidos em leilões O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou nesta sexta-feira (25) que o governo federal pretende criar um mecanismo para comprar carteiras de dívidas bancárias de famílias inadimplentes e promover a reestruturação desses débitos. A proposta integra o Desenrola 3.0, anunciado pelo governo federal em São Paulo. O programa tem como público-alvo pessoas com dívidas em atraso entre dois e quatro anos e meio, com débitos de até R$ 10 mil, principalmente relacionados a cartão de crédito e crédito pessoal não consignado. GOVERNO QUER COMPRAR CARTEIRAS DE DÍVIDAS Segundo Moretti, o governo pretende participar do mercado de compra de créditos inadimplentes. A ideia é que a União adquira carteiras oferecidas pelas instituições financeiras por meio de leilões. O ministro afirmou que o estoque de dívidas inadimplidas relacionadas principalmente a cartão de crédito e crédito pessoal não consignado chega a aproximadamente R$ 300 bilhões. Pelo desenho apresentado, o governo pretende alcançar até metade desse volume, cerca de R$ 150 bilhões, caso as condições previstas sejam atendidas. DESCONTOS PODERÃO CHEGAR A 90% Moretti explicou que os bancos poderiam apresentar suas carteiras de créditos em atraso em leilões. A instituição financeira que oferecer o maior desconto teria preferência na operação. Segundo o ministro, o objetivo é fazer com que esse desconto seja repassado diretamente aos consumidores. A estimativa apresentada pelo governo é de que os descontos possam chegar a 90% ou mais, dependendo das condições das carteiras adquiridas. Na hipótese de uma carteira de R$ 150 bilhões ser adquirida com desconto médio de 90%, o custo da aquisição seria de aproximadamente R$ 15 bilhões, segundo a estimativa apresentada por Moretti. QUAIS DÍVIDAS PODERÃO ENTRAR O desenho anunciado prevê a inclusão de dívidas vencidas há pelo menos dois anos e no máximo quatro anos e meio. O limite de quatro anos e meio foi relacionado ao prazo anterior à prescrição de determinadas dívidas, que ocorre, em regra, após cinco anos, observadas as características e condições jurídicas de cada obrigação. O foco anunciado está nas dívidas de pessoas físicas, principalmente: cartão de crédito; crédito pessoal não consignado; débitos de até R$ 10 mil; dívidas com atraso entre dois e quatro anos e meio. Os critérios definitivos dependem da regulamentação e do texto normativo que estabelecerá o funcionamento da operação. IDEIA É CENTRALIZAR A RENEGOCIAÇÃO Moretti explicou que o modelo pretende mudar a dinâmica tradicional de renegociação. Em vez de cada consumidor procurar individualmente o banco para tentar negociar uma dívida antiga, a União compraria as carteiras das instituições financeiras e conduziria a reestruturação dos débitos com os consumidores. A proposta, segundo o ministro, busca ampliar a escala das renegociações e permitir que os descontos obtidos na compra dos créditos sejam utilizados nas negociações com as famílias. POSSÍVEL LEILÃO EM NOVEMBRO De acordo com Moretti, caso o mecanismo seja formalizado por medida provisória, o primeiro leilão poderá ocorrer em novembro de 2026. A operação poderia ser executada diretamente pelo Tesouro Nacional ou por uma instituição financeira federal, como Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal. O governo também pretende estabelecer regras para acompanhar a concessão de crédito e evitar que famílias que tenham renegociado seus débitos voltem rapidamente a uma situação de superendividamento. PROGRAMA É APRESENTADO COMO “NOVO RECOMEÇO” Durante o anúncio, Moretti afirmou que o programa pretende contribuir para a reestruturação financeira das famílias. O ministro relacionou a iniciativa ao cenário de elevado endividamento e defendeu que a política permita aos consumidores reorganizar suas finanças e voltar a ter acesso ao crédito. A proposta foi apresentada no mesmo evento em que o governo anunciou medidas relacionadas às apostas de quota fixa, incluindo a proibição das bets no país. IMPACTO FISCAL Um dos pontos que ainda deverão ser detalhados é o impacto fiscal da operação. Na estimativa apresentada por Moretti, uma aquisição de R$ 150 bilhões com desconto de 90% representaria uma operação de aproximadamente R$ 15 bilhões. O valor efetivamente envolvido dependerá do volume de carteiras adquiridas, dos descontos obtidos nos leilões e das condições estabelecidas pelo governo. MEDIDA AINDA DEPENDE DE REGULAMENTAÇÃO Embora o governo tenha apresentado os principais parâmetros do programa, a implementação dependerá das regras que serão estabelecidas para a compra das carteiras, participação das instituições financeiras, critérios de elegibilidade e renegociação com os consumidores. O Congresso Nacional também deverá analisar eventual medida provisória utilizada para instituir o novo mecanismo, conforme as regras constitucionais aplicáveis. O objetivo anunciado pelo governo é ampliar a renegociação de dívidas antigas e reduzir o peso dos débitos sobre o orçamento das famílias. FONTE: Agência Estado/BOL, Folha de S.Paulo, CNN Brasil e Governo Federal. Navegação de Post DOU EXTRA TRAZ MP DO DESENROLA 3.0 E MP QUE PROÍBE OPERAÇÃO DAS BETS NO PAÍS APOSTA FRUSTRADA: APÓS ARRECADAR BILHÕES COM O SETOR, GOVERNO LULA PROÍBE BETS E ENCERRA MERCADO REGULADO