Ministro afirma que relatório é uma “farsa”, acusa André Mendonça de agir por “vingança” e pede arquivamento do procedimento 15 de setembro de 2026 O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou na noite de segunda-feira (14) uma manifestação de 44 páginas e 121 tópicos ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, na véspera da sessão que analisará os desdobramentos do chamado caso Banco Master. No documento, Moraes contesta de forma contundente o relatório produzido no âmbito da investigação conduzida pelo ministro André Mendonça e afirma que o material não apresenta elementos capazes de justificar uma investigação criminal contra ele. Segundo relatos sobre a manifestação, Moraes classificou o relatório como uma “farsa”, além de afirmar que a apuração teria sido conduzida de maneira ilegal e com motivação político-eleitoral. Moraes pede anulação das provas Um dos principais pontos da manifestação é o pedido para que sejam declarados nulos os elementos utilizados contra ele e, consequentemente, que o procedimento seja arquivado. Moraes sustenta que não haveria indícios de infração penal relacionados à sua atuação e questiona a forma como a investigação foi instaurada e conduzida. De acordo com a defesa apresentada, a apuração teria ocorrido sem provocação da Procuradoria-Geral da República e sem autorização do plenário do Supremo, argumentos utilizados pelo ministro para questionar a validade do procedimento. O ministro também afirma que o relatório teria sido direcionado para produzir uma narrativa capaz de vinculá-lo ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master. Críticas a André Mendonça A manifestação representa também um confronto direto entre dois integrantes do Supremo. Moraes atribui a Mendonça uma suposta tentativa de “vingança”, relacionando a investigação às decisões tomadas pelo próprio ministro em processos envolvendo aliados e integrantes do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Na avaliação apresentada por Moraes, a investigação teria sido utilizada com finalidade política para atingir sua imagem. Mendonça, por sua vez, foi responsável por autorizar e conduzir medidas relacionadas ao caso Master e determinou a análise de elementos obtidos durante a investigação da Polícia Federal. Relatório da PF está no centro da disputa A controvérsia gira principalmente em torno de informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro e de outros elementos reunidos pela Polícia Federal. O relatório analisado por Mendonça levantou questionamentos sobre contatos entre Moraes e Vorcaro e sobre a relação entre o ministro e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Moraes nega irregularidades e afirma que os elementos reunidos pela investigação não comprovam a prática de qualquer crime. Segundo a manifestação, a análise de 7.742 documentos não teria encontrado elementos suficientes para caracterizar uma infração penal atribuível ao ministro. Relação com o escritório da esposa Outro ponto abordado por Moraes é o contrato de aproximadamente R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes. O ministro nega que tenha ocorrido qualquer favorecimento ao banco ou recebimento irregular de valores. A defesa sustenta que sua atuação relacionada ao contrato teve como objetivo evitar conflitos de interesse e garantir conformidade jurídica. A existência do contrato e a atuação do escritório são fatos distintos da comprovação de eventual crime, que depende da análise das autoridades competentes e das provas reunidas no processo. Moraes nega relação irregular com Vorcaro O ministro também contesta as interpretações feitas a partir dos dados extraídos do aparelho de Daniel Vorcaro. Moraes afirma que não manteve comunicação direta com o empresário nos termos sugeridos pelo relatório e rejeita a acusação de que teria atuado em favor do Banco Master. As alegações apresentadas fazem parte da própria manifestação de defesa e ainda serão analisadas no contexto do procedimento. Fachin assume papel central O presidente do STF, Edson Fachin, passou a desempenhar papel central na condução da crise interna da Corte. Nos últimos dias, Fachin determinou medidas para ampliar a transparência sobre documentos relacionados ao caso e estabeleceu os procedimentos para a sessão desta terça-feira. Antes disso, Moraes já havia criticado a divulgação parcial de documentos do caso Master e pedido o levantamento integral dos sigilos, alegando que poderia estar ocorrendo uma seleção subjetiva das informações tornadas públicas. Fachin também determinou o levantamento de determinados sigilos envolvendo pagamentos e documentos relacionados ao caso, ampliando o material disponível para análise dos ministros. Sessão desta terça-feira será decisiva A manifestação de Moraes chega ao STF poucas horas antes da sessão marcada para esta terça-feira (15). O plenário deverá analisar os elementos relacionados ao relatório da Polícia Federal e os pedidos apresentados no contexto da crise envolvendo o ministro e o caso Master. O julgamento ocorre em um momento excepcional para o Supremo, marcado por divergências públicas entre ministros, troca de acusações e decisões conflitantes relacionadas à investigação. A sessão também deverá estabelecer os próximos passos institucionais diante dos questionamentos apresentados contra Moraes. Uma crise que ultrapassou o caso Banco Master O episódio deixou de ser apenas uma discussão sobre as operações do Banco Master e passou a envolver diretamente a relação entre integrantes do Supremo, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. De um lado, Moraes afirma que foi alvo de uma investigação irregular e politicamente direcionada. De outro, o relatório produzido no âmbito da investigação levantou questionamentos que agora estão submetidos à análise da própria Corte. A situação também ganhou repercussão internacional e política, especialmente em razão do momento eleitoral e da importância de Moraes no histórico de processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. O que está em discussão Entre os principais pontos que deverão ser considerados estão: a validade do procedimento conduzido contra Moraes; a legalidade das provas utilizadas no relatório; o conteúdo das mensagens e documentos extraídos do celular de Daniel Vorcaro; a relação entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes; as circunstâncias em que a investigação foi instaurada; a atuação de André Mendonça na condução do procedimento; e a existência ou não de elementos que justifiquem a abertura de uma investigação formal contra Moraes. Conclusão A manifestação de 44 páginas e 121 tópicos apresentada por Alexandre de Moraes coloca o ministro em posição de confronto direto com o relatório da Polícia Federal e com a condução da investigação por André Mendonça. Moraes pede a anulação das provas e o arquivamento do caso, além de negar qualquer irregularidade relacionada ao Banco Master, a Daniel Vorcaro ou ao escritório de sua esposa. As acusações de ilegalidade e de “vingança”, entretanto, são alegações apresentadas pelo próprio Moraes em sua defesa e ainda dependem da análise dos demais ministros do Supremo. Com a sessão marcada para esta terça-feira (15), o STF terá diante de si um dos episódios mais delicados de sua história recente, envolvendo acusações, divergências internas e questionamentos sobre a atuação de integrantes da própria Corte. Navegação de Post GOVERNO DOS EUA DEVE ACOMPANHAR SESSÃO DO STF E AVALIA RETOMADA DE SANÇÕES CONTRA MORAES E VIVIANE ÁUDIOS DE JOVEM MORTA EM ACADEMIA EXPÕEM DETALHE SINISTRO ANTES DO CRIME