Ministro do STF analisa acordo de colaboração premiada firmado pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, ligado aos repasses financeiros investigados no caso do filme sobre Jair Bolsonaro

REDAÇÃO
08/09/2026 – 17h31

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), avançou nesta terça-feira (8) na análise do acordo de colaboração premiada firmado pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master e aos recursos destinados à produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A defesa do empresário esteve nesta terça-feira em reunião com o gabinete de Mendonça, etapa que antecede a possível homologação do acordo. Freixo é dono da Entre Investimentos e Participações, empresa apontada nas investigações como responsável por repasses relacionados ao financiamento do longa.

Acordo ainda depende de homologação

O acordo foi firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e encaminhado ao STF para análise do ministro André Mendonça, relator do caso. A homologação judicial não significa, por si só, que as declarações do colaborador sejam consideradas verdadeiras ou comprovadas.

Nesta etapa, o ministro deve avaliar requisitos legais da colaboração, incluindo a voluntariedade do acordo e as condições em que as informações foram apresentadas. Posteriormente, os relatos e documentos entregues pelo colaborador precisam ser confrontados com outros elementos de prova.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, Freixo deverá prestar esclarecimentos sobre operações financeiras relacionadas ao caso e sobre os repasses realizados para um fundo nos Estados Unidos associado ao financiamento do filme.

Repasse de recursos para o filme

As investigações apuram a movimentação de recursos do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para a produção de Dark Horse.

Reportagens apontam que a Entre Investimentos teria participado de operações financeiras relacionadas aos recursos destinados ao Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos que administrava valores destinados à produção cinematográfica. O fundo teria entre seus administradores o advogado Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

Dados divulgados anteriormente também apontaram movimentações financeiras entre empresas relacionadas ao caso Banco Master e a estrutura utilizada para financiar o longa.

O Poder360 informou que o Banco Master teria pago R$ 2,3 milhões à Entre Investimentos, empresa que aparece nas investigações relacionadas ao financiamento do filme.

Flávio Bolsonaro reconheceu negociação por patrocínio

O senador Flávio Bolsonaro confirmou em maio que procurou Daniel Vorcaro em busca de financiamento privado para o filme sobre seu pai.

Na ocasião, Flávio afirmou que se tratava de uma tentativa de obter patrocínio privado para uma produção cinematográfica particular e negou o uso de dinheiro público ou irregularidades na operação.

Investigações e reportagens posteriores passaram a examinar a origem dos recursos, os caminhos percorridos pelo dinheiro e a estrutura utilizada para financiar a produção.

Eduardo Bolsonaro também aparece nas apurações

O nome do ex-deputado Eduardo Bolsonaro aparece nas investigações em razão da relação de seu advogado com o fundo utilizado na estrutura financeira do filme.

Um contrato divulgado pelo Intercept Brasil apontou que Eduardo participou da produção como produtor-executivo e tinha atribuições relacionadas a questões estratégicas de financiamento do projeto. A reportagem, contudo, também destacou que não havia informação que demonstrasse quem efetivamente executou cada uma dessas funções.

Eduardo nega ter recebido recursos destinados ao filme ou ter cometido irregularidades.

Investigação ainda não representa conclusão sobre os envolvidos

A análise do acordo de colaboração ocorre dentro de uma investigação ainda em andamento. Portanto, o fato de nomes de empresários, políticos ou empresas aparecerem nos autos não significa, por si só, que essas pessoas tenham cometido crimes.

As informações eventualmente apresentadas pelo colaborador deverão ser verificadas e confrontadas com documentos, registros financeiros e demais provas obtidas pelas autoridades.

A própria homologação de uma colaboração premiada não representa uma declaração de culpa dos citados nem valida automaticamente todas as acusações ou relatos apresentados pelo colaborador.

Próximos passos

Após a análise do acordo e da eventual oitiva do empresário, André Mendonça deverá decidir se a colaboração atende aos requisitos necessários para ser homologada.

Caso seja homologado, o conteúdo dos anexos poderá contribuir para o avanço das investigações sobre as movimentações financeiras relacionadas ao Banco Master e ao financiamento de Dark Horse, conforme o que for considerado pertinente pelas autoridades responsáveis pelo caso.

Até o momento, as apurações continuam e eventuais responsabilidades individuais dependerão da análise das provas e das decisões judiciais posteriores.

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