Presidente anunciou o Desenrola 3.0 nesta sexta-feira (25); programa prevê uso de recursos públicos para aquisição de dívidas antigas com descontos negociados com os bancos

REDAÇÃO
25/09/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (25) uma nova etapa do programa de renegociação de dívidas do governo federal, batizada de Desenrola 3.0.

Durante o anúncio, Lula afirmou que considera a nova versão superior às anteriores e explicou que o governo pretende atuar diretamente na aquisição de dívidas de brasileiros que estão inadimplentes.

Segundo o presidente, a proposta é utilizar recursos públicos para comprar determinados créditos dos bancos com desconto e, posteriormente, buscar uma forma de regularizar a situação dos devedores.

A declaração ocorre no mesmo dia em que o governo anunciou outras medidas econômicas por meio de medidas provisórias.

GOVERNO PRETENDE DESTINAR ATÉ R$ 15 BILHÕES

De acordo com as informações divulgadas sobre o novo programa, o governo pretende disponibilizar até R$ 15 bilhões para a aquisição das dívidas.

O ministro responsável pela área econômica informou que o repasse inicial será de aproximadamente R$ 5 bilhões, com a possibilidade de liberação de recursos adicionais conforme o andamento dos leilões e das operações previstas pelo programa.

A estratégia prevê que as instituições financeiras ofereçam as carteiras de crédito com descontos. O governo, então, poderá adquirir esses créditos dentro das regras estabelecidas.

COMO FUNCIONARÁ

O novo modelo muda a forma de atuação em relação às versões anteriores do Desenrola.

Nas iniciativas anteriores, o foco estava principalmente na criação de condições para que credores e consumidores renegociassem diretamente os débitos.

No Desenrola 3.0, a proposta anunciada pelo governo é que o Estado adquira determinadas dívidas dos bancos, utilizando recursos públicos e descontos negociados, para posteriormente promover a regularização desses débitos.

A possibilidade de compra de dívidas antigas já vinha sendo discutida pelo governo. Reportagem publicada antes do anúncio informou que o Executivo estudava adquirir créditos considerados de baixa possibilidade de recuperação, com descontos que poderiam chegar a 95%, dependendo das condições da operação.

QUAIS DÍVIDAS PODERÃO SER INCLUÍDAS?

O programa é voltado para dívidas antigas de pessoas físicas que se enquadrem nos critérios definidos pelo governo.

As regras detalhadas da operação deverão estabelecer quais débitos poderão participar, os limites de valor, os critérios para seleção das carteiras oferecidas pelos bancos e as condições para regularização dos consumidores.

Por isso, nem toda dívida existente será automaticamente quitada pelo governo. A inclusão dependerá das regras do programa e das condições estabelecidas para as operações.

O QUE ACONTECE COM O DEVEDOR?

A proposta anunciada é permitir que pessoas que possuem determinadas dívidas antigas tenham a situação regularizada por meio da operação.

O funcionamento exato dependerá da regulamentação e dos mecanismos definidos para cada tipo de dívida.

O governo também pretende utilizar o programa como instrumento para reduzir o volume de famílias com débitos em atraso e facilitar o retorno dos consumidores ao mercado de crédito.

LULA DIZ QUE NOVA VERSÃO É SUPERIOR ÀS ANTERIORES

Ao comentar o lançamento, Lula classificou o Desenrola 3.0 como a melhor versão do programa até agora.

A avaliação é uma declaração do próprio presidente sobre a iniciativa. O programa ainda terá sua execução acompanhada conforme as regras estabelecidas pelo governo e a implementação das operações.

DESENROLA 2.0

A nova iniciativa ocorre depois de uma segunda versão do programa.

Dados divulgados recentemente indicam que o Desenrola 2.0 renegociou cerca de R$ 22,4 bilhões em dívidas, envolvendo aproximadamente 10 milhões de débitos em mais de 5 milhões de operações. O desconto médio informado foi de cerca de 80%.

O novo programa parte de uma estratégia diferente ao colocar a compra de determinados créditos como instrumento central da política de renegociação.

USO DE DINHEIRO PÚBLICO

Um dos principais pontos da proposta é justamente a utilização de recursos públicos para aquisição das carteiras de crédito.

Nesse modelo, os bancos venderiam determinados créditos com desconto, enquanto o governo utilizaria recursos previstos para o programa.

O impacto financeiro para os cofres públicos dependerá das condições efetivamente negociadas, dos valores das carteiras adquiridas e da execução do programa.

MEDIDA PROVISÓRIA

O Desenrola 3.0 foi anunciado por meio de medida provisória, instrumento que passa a produzir efeitos após sua publicação, mas que precisa ser analisado pelo Congresso Nacional dentro dos prazos constitucionais para permanecer em vigor.

Durante a tramitação, o texto poderá ser alterado pelos parlamentares.

OBJETIVO DECLARADO

Segundo o governo, a iniciativa tem como objetivo enfrentar o elevado nível de endividamento das famílias, recuperar créditos considerados de difícil cobrança e permitir que consumidores inadimplentes possam regularizar sua situação.

A medida também ocorre em um cenário de preocupação com o comprometimento da renda das famílias com dívidas. Dados recentes citados em levantamento sobre o Desenrola 2.0 apontaram que milhões de brasileiros permanecem inadimplentes.

O QUE AINDA PRECISA SER DEFINIDO

Apesar do anúncio, detalhes operacionais ainda dependem da regulamentação e da implementação do programa.

Entre os pontos que deverão ser acompanhados estão:

  • quais dívidas poderão ser compradas;
  • quais consumidores serão beneficiados;
  • qual será o desconto mínimo exigido dos bancos;
  • como ocorrerão os leilões das carteiras;
  • como será feita a regularização dos débitos;
  • quais serão os critérios para participação das instituições financeiras;
  • e qual será o impacto financeiro final da operação.

O governo afirma que a nova iniciativa busca ampliar o alcance das políticas de renegociação de dívidas, enquanto a efetiva execução dependerá das regras e operações que serão implementadas.

Fonte: Governo Federal, Ministério da Fazenda e informações divulgadas nesta sexta-feira (25).

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