Ministro da Saúde citou estudo do IEPS durante anúncio da suspensão das apostas; estimativa inclui impactos relacionados à saúde, desemprego, perda de moradia e outros efeitos sociais

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta sexta-feira (25) que os danos associados às apostas online e aos jogos de azar representam um custo social estimado em R$ 38,8 bilhões por ano no Brasil. O número foi apresentado durante o anúncio das novas medidas do governo federal contra as bets.

Segundo Padilha, a estimativa tem como base estudo elaborado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), em parceria com entidades ligadas à área de saúde pública.

O ministro utilizou os dados para defender a adoção de medidas mais restritivas ao mercado de apostas e destacou os efeitos sobre a saúde da população, especialmente entre pessoas que desenvolvem comportamento de jogo problemático.

R$ 30,6 BILHÕES RELACIONADOS À SAÚDE

Do total estimado de R$ 38,8 bilhões, aproximadamente R$ 30,6 bilhões estão relacionados a impactos na saúde.

O estudo considera, entre outros fatores, custos associados à depressão, perda de qualidade de vida e mortes adicionais por suicídio. A estimativa de R$ 38,8 bilhões também incorpora outros efeitos sociais e econômicos.

De acordo com os dados apresentados no estudo, cerca de R$ 17 bilhões estão relacionados às mortes adicionais por suicídio, enquanto aproximadamente R$ 10,4 bilhões correspondem à perda de qualidade de vida associada à depressão. Outros R$ 3 bilhões são relacionados a custos de tratamento médico para depressão.

MINISTRO CLASSIFICA BETS COMO QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA

Durante o anúncio, Padilha afirmou que o avanço das apostas deve ser tratado também como uma questão de saúde pública.

A preocupação do Ministério da Saúde envolve principalmente os casos em que o comportamento de apostar deixa de ser recreativo e passa a provocar consequências financeiras, psicológicas, familiares e sociais.

O governo vem ampliando mecanismos de prevenção e atendimento para pessoas que apresentam problemas relacionados às apostas.

Dados divulgados recentemente indicam crescimento da procura por serviços de orientação e atendimento relacionados ao comportamento de apostas.

IMPACTO SOBRE OS JOVENS

A exposição de jovens às plataformas e à publicidade de apostas também está entre as preocupações apresentadas por órgãos públicos.

Recomendação publicada pelo Ministério Público do Espírito Santo, por exemplo, reuniu dados segundo os quais 53% das pessoas entre 9 e 17 anos entrevistadas relataram ter visto publicidade de apostas na internet. Entre adolescentes de 15 a 17 anos, o índice citado chegou a 63%.

O documento também cita dados segundo os quais, entre adolescentes que declararam ter apostado, 55,2% apresentaram indicadores classificados como comportamento de jogo problemático ou de risco.

Esses dados, porém, correspondem às pesquisas e populações específicas analisadas e não significam que todos os jovens brasileiros apresentem esse comportamento.

CUSTO SOCIAL É UMA ESTIMATIVA

O valor de R$ 38,8 bilhões não representa uma despesa anual efetivamente paga pelo governo.

Trata-se de uma estimativa econômica dos danos sociais associados às apostas, calculada a partir de diferentes impactos mensuráveis.

O próprio estudo considera que a estimativa possui limitações. Alguns efeitos sociais, como determinados impactos sobre relacionamentos familiares, não puderam ser contabilizados.

Além disso, entidades representantes do setor de apostas contestam a metodologia utilizada pelo IEPS. O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), por exemplo, questionou a utilização de parâmetros baseados em estudos estrangeiros e afirmou que o cálculo não refletiria adequadamente o mercado brasileiro após a regulamentação.

ARRECADAÇÃO E DANOS SOCIAIS

Outro dado citado no debate é a arrecadação tributária do setor.

Segundo levantamento baseado no estudo do IEPS, as apostas recolheram aproximadamente R$ 6,8 bilhões em impostos entre janeiro e setembro de 2025, enquanto o custo social estimado para o país seria de R$ 38,8 bilhões anuais.

Os valores, entretanto, representam métricas diferentes: a arrecadação corresponde a tributos efetivamente recolhidos em determinado período, enquanto os R$ 38,8 bilhões representam uma estimativa anual dos custos e danos associados ao fenômeno das apostas.

GOVERNO ANUNCIA RESTRIÇÕES ÀS BETS

As declarações de Padilha ocorreram durante o anúncio de novas medidas do governo federal em relação às plataformas de apostas.

A discussão envolve a interrupção das operações das bets e um cronograma para que os usuários possam retirar os valores existentes nas plataformas.

De acordo com as informações divulgadas nesta sexta-feira, os apostadores terão prazo para solicitar o saque de seus saldos antes do encerramento das operações, conforme as regras estabelecidas pelo governo.

A medida representa uma mudança importante na política brasileira para o setor, que havia passado por um processo de regulamentação e autorização de empresas nos últimos anos.

DEBATE SOBRE REGULAÇÃO

O anúncio reacende a discussão sobre o modelo de tratamento das apostas online no Brasil.

De um lado, o governo e entidades da área de saúde destacam os custos associados à dependência, endividamento e outros impactos sociais. De outro, representantes do setor questionam estudos e defendem a manutenção de um mercado regulado, com fiscalização e diferenciação entre empresas autorizadas e plataformas ilegais.

A estimativa de R$ 38,8 bilhões, portanto, deve ser entendida como resultado de um estudo específico sobre os custos sociais associados às apostas, e não como um valor diretamente desembolsado pelo poder público.

Fonte: Ministério da Saúde; Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS); Poder360; Folha de S.Paulo; Ministério Público do Espírito Santo.

#HASHTAGS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *