O procurador-geral da República, Paulo Gonet, e integrantes de sua família aparecem ao menos 33 vezes nos documentos da investigação envolvendo o Banco Master, segundo informações divulgadas após o levantamento do sigilo do material pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 1º de setembro de 2026.

A divulgação do conteúdo ocorreu no mesmo período em que Gonet apresentou manifestação ao STF pedindo a nulidade das investigações. O procurador-geral argumenta que Mendonça não teria autorização do Plenário da Corte para conduzir diligências que alcançassem outro ministro do Supremo, no caso, Alexandre de Moraes.

Mensagens encontradas no celular de Vorcaro

Parte das referências a Gonet aparece em mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O advogado Ciro Soares, que mantinha contato com Vorcaro e atuava como intermediário em contatos com autoridades, aparece em diversas conversas relacionadas ao procurador-geral.

Em 15 de março de 2025, por exemplo, Ciro Soares enviou a Vorcaro uma fotografia em que aparece ao lado de Paulo Gonet. Logo depois, escreveu que Gonet queria falar com o banqueiro.

Na sequência, foram registradas quatro chamadas de voz entre o telefone de Vorcaro e o de Ciro Soares. Os registros indicam que as ligações duraram aproximadamente 57 segundos, 27 segundos, 17 segundos e 3 minutos e 49 segundos. O relatório, entretanto, não apresenta o conteúdo das conversas.

Mensagens atribuídas a Paulo Gonet

Outro conjunto de mensagens aparece em 28 de março de 2025.

Segundo o relatório, Ciro encaminhou a Vorcaro mensagens que atribuiu a Gonet. Entre elas estavam manifestações de torcida e saudade, além da informação de que o procurador estava viajando para Roma.

Vorcaro teria respondido agradecendo o carinho e dizendo também sentir saudades. Ciro, então, afirmou que Gonet iria para Londres com o grupo.

Uma das mensagens encaminhadas posteriormente fazia referência a charuto e Macallan, uma marca de uísque escocês.

Viagem para Londres

As conversas também envolvem uma possível viagem a Londres, relacionada a um evento que seria realizado com participação de pessoas ligadas ao meio jurídico.

Segundo os registros divulgados, Ciro informou a Vorcaro que Gonet havia perguntado se seu filho, Pedro Gonet, poderia viajar com o grupo. O banqueiro teria concordado.

Documentos analisados pela imprensa também apontam que a participação de Pedro Gonet estava entre as pessoas que poderiam ter despesas custeadas pelo grupo ligado ao Banco Master. O evento, contudo, acabou não acontecendo.

Referências anteriores a Gonet

As menções ao procurador-geral não começaram em 2025.

Em abril de 2024, Ciro Soares já havia escrito a Vorcaro mensagens mencionando Gonet e afirmando que ele seria uma pessoa “firme”. Na mesma conversa, o advogado relatou uma suposta atuação do procurador em uma disputa relacionada a uma candidatura dentro do Ministério Público.

É importante destacar que, nesse episódio, o relatório apresenta principalmente relatos feitos pelo próprio Ciro Soares. Isso não equivale, por si só, a uma confirmação independente de que Paulo Gonet tenha praticado as ações descritas pelo advogado.

Pedido de nulidade

Após o levantamento do sigilo, Paulo Gonet pediu que as investigações fossem consideradas nulas.

A principal argumentação da PGR é de natureza processual: segundo Gonet, André Mendonça teria conhecimento de que a apuração poderia alcançar Alexandre de Moraes e, ainda assim, determinado diligências sem autorização do Plenário do STF.

O caso envolve, portanto, dois pontos que passaram a ser analisados conjuntamente: o conteúdo das mensagens e contatos revelados pela investigação e a discussão jurídica sobre a validade das diligências determinadas por Mendonça.

Também é importante diferenciar menção em relatório, conversa atribuída a alguém e comprovação de uma conduta. A existência das mensagens e registros telefônicos não significa, por si só, que todas as suspeitas ou interpretações decorrentes deles estejam comprovadas.

📌 Em resumo

Paulo Gonet e familiares aparecem ao menos 33 vezes nos documentos do caso Master.

O material foi tornado público após decisão de André Mendonça em 1º de setembro de 2026.

Ciro Soares aparece como uma espécie de intermediário entre Gonet e Daniel Vorcaro.

Há registros de mensagens atribuídas a Gonet e de chamadas intermediadas pelo advogado.

As conversas também mencionam uma viagem a Londres e o filho de Gonet.

Gonet pediu a nulidade das investigações, questionando a competência de Mendonça para conduzir diligências que alcançassem Moraes.

**Matéria atualizada em 2 de setembro de 2026.**

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