Polícia Civil aponta que investigado estava a poucos metros do local do crime; provas digitais e luvas semelhantes às usadas pelos atiradores foram apreendidas

A Polícia Civil prendeu, na sexta-feira (4), um homem suspeito de participação na execução do advogado Rafael Henrique Silva de Mello, morto a tiros em Campinas, no interior de São Paulo. O investigado é ex-cunhado da vítima e, segundo a polícia, teria uma desavença antiga com o advogado.

Rafael foi assassinado na noite de 27 de agosto de 2026, depois de ser retirado à força de dentro de uma imobiliária localizada no Jardim Marisa. A investigação aponta que dois homens chegaram ao estabelecimento em uma motocicleta e abordaram a vítima. Pouco depois, um deles efetuou os disparos.

Advogado teria sido atraído para uma reunião

Segundo as informações reunidas pela investigação, Rafael havia ido até a imobiliária para participar de uma reunião que, inicialmente, seria com um suposto cliente.

Câmeras de segurança registraram a movimentação dos criminosos. Os dois homens estavam de capacete e usavam roupas escuras e luvas. Depois de retirarem o advogado do estabelecimento, houve uma breve resistência e um dos suspeitos atirou contra ele.

Rafael morreu ainda no local.

Peritos encontraram na área do crime três projéteis deformados e uma cápsula de munição calibre .40. O celular da vítima também foi levado pelos criminosos.

Investigação chegou ao ex-cunhado

Durante o avanço das investigações, os policiais identificaram uma possível relação entre o homicídio e uma antiga desavença envolvendo Rafael e o ex-cunhado.

De acordo com a Polícia Civil, havia informações de que Rafael temia o investigado. Uma testemunha teria relatado aos investigadores que o advogado dizia considerar o ex-cunhado uma pessoa envolvida com atividades criminosas e chegou a manifestar intenção de adquirir uma arma para se proteger.

A polícia também apurou que o suspeito havia deixado a prisão em julho de 2025, após cumprir aproximadamente dez anos de pena por crimes de roubo e tentativa de homicídio. Ele estava em regime aberto quando foi preso pela investigação do assassinato.

Possível motivação estaria ligada a conflito familiar

Uma das linhas investigativas considera que o assassinato pode ter relação com conflitos familiares.

Segundo a Polícia Civil, Rafael teria praticado violência doméstica contra a ex-esposa, que é irmã do investigado. Essa situação teria contribuído para o surgimento de uma desavença entre os dois homens.

A polícia trabalha com a hipótese de que o crime possa ter sido motivado por vingança, mas a motivação ainda faz parte da investigação e não foi definitivamente estabelecida pela Justiça.

Provas digitais colocaram suspeito perto do local

Um dos principais elementos utilizados pelos investigadores para solicitar a prisão foi a análise de provas digitais e técnicas.

Segundo a Polícia Civil, os dados analisados indicaram que o ex-cunhado estava a poucos metros da imobiliária no momento em que Rafael foi morto.

A informação foi considerada relevante para a investigação porque contradiz, segundo os investigadores, a possibilidade de o suspeito estar distante do local durante a execução.

Com base no conjunto de elementos reunidos, a Polícia Civil solicitou à Justiça a prisão e um mandado de busca e apreensão na residência do investigado.

Luvas pretas são apreendidas

Durante o cumprimento do mandado de busca, policiais encontraram pares de luvas pretas no quarto do suspeito.

As luvas foram consideradas semelhantes às utilizadas pelos homens que aparecem nas imagens de segurança durante a execução do advogado.

O material foi apreendido e deverá passar por perícia para verificar se existem vestígios que possam relacioná-lo ao crime, inclusive resíduos de pólvora ou outros elementos de interesse para a investigação.

A existência das luvas, por si só, não comprova a participação do investigado. A Polícia Civil ainda precisa estabelecer a ligação entre o material apreendido e a execução.

Suspeito nega participação

Em depoimento aos investigadores, o homem negou ter cometido ou participado do assassinato.

Até a publicação das informações consultadas, a defesa do investigado não havia apresentado manifestação pública sobre todos os elementos reunidos pela polícia.

A prisão ocorre no curso do inquérito e, portanto, o homem permanece juridicamente na condição de suspeito/investigado, sem condenação definitiva pelo homicídio.

Polícia procura outros envolvidos

A investigação não está encerrada.

A Polícia Civil trabalha para esclarecer se o ex-cunhado teve participação direta na execução ou se teria desempenhado outra função na ação criminosa. Os investigadores também tentam identificar os dois homens que aparecem nas imagens de segurança, além de descobrir quem teria planejado o assassinato.

A possibilidade de participação de outras pessoas permanece sob apuração.

O caso

Rafael Henrique Silva de Mello tinha 45 anos, segundo as principais fontes que divulgaram o caso, e atuava como advogado nas áreas de Direito de Família, Direito Civil e Direito do Consumidor.

A morte ocorreu em frente a uma imobiliária no Jardim Marisa, em Campinas. A OAB Campinas acompanhou o caso e cobrou uma investigação rigorosa para esclarecer a autoria e a motivação do crime.

A prisão do ex-cunhado representa, segundo a Polícia Civil, um avanço na investigação, mas não encerra o caso. A perícia nas luvas e em outros elementos apreendidos poderá ajudar a confirmar ou afastar a suspeita.

Enquanto isso, os investigadores continuam tentando descobrir quem participou diretamente da execução e se o conflito familiar apontado pela polícia foi, de fato, a motivação do homicídio.

Fontes: Band · Todo Dia · Sampi Campinas

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