Mila Seidl detalhou o caminho percorrido para obter o tratamento e afirmou que o processo envolveu médicos, hospital, farmacêutica e órgãos reguladores no Brasil e nos Estados Unidos A esposa do influenciador e especialista em aviação Lito Sousa, Mila Seidl, decidiu se manifestar publicamente após surgirem comentários e especulações de que o marido teria conseguido acesso a um medicamento experimental por meio de privilégios ou influência política. Lito, de 59 anos, foi diagnosticado com doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma enfermidade neurodegenerativa rara, grave e sem tratamento aprovado. Diante da rápida evolução do quadro e da ausência de alternativas terapêuticas, a família buscou uma possibilidade de tratamento experimental. Em vídeos publicados nas redes sociais, Mila afirmou que o processo foi conduzido pela própria família, com acompanhamento médico, e seguiu os procedimentos necessários para a utilização compassiva do medicamento. “Não foi privilégio”, afirma Mila Mila negou que ministros, empresários ou qualquer outra autoridade tenham interferido para garantir o acesso ao tratamento. Segundo ela, a família foi responsável por buscar alternativas e estabelecer contato com a empresa responsável pelo medicamento. A esposa de Lito também afirmou que não houve financiamento público ou arrecadação de dinheiro para viabilizar o tratamento. A empresária explicou que decidiu falar sobre o assunto justamente para mostrar que existe um caminho regulatório para pacientes com doenças graves que não possuem alternativas terapêuticas disponíveis. Para Mila, o acesso por meio do chamado uso compassivo não representa uma regalia, mas um mecanismo previsto para situações específicas. Primeira tentativa foi participar de estudo Antes de recorrer ao uso compassivo, a família tentou incluir Lito em um estudo experimental. De acordo com Mila, a tentativa não avançou porque não havia mais vagas disponíveis. Ela ressaltou que a negativa não ocorreu porque o influenciador não atendesse aos critérios médicos, mas porque o estudo já estava fechado para novos participantes. Depois disso, a família procurou outra alternativa e conseguiu contato com a farmacêutica responsável pelo desenvolvimento do composto. Mila relatou que apresentou o caso de Lito à empresa e participou de reuniões para avaliar a possibilidade de acesso ao tratamento. Processo envolveu Brasil e Estados Unidos A obtenção do medicamento exigiu uma série de etapas burocráticas e médicas. Segundo o relato de Mila, foram reunidos exames, documentos médicos, informações científicas e materiais fornecidos pela própria farmacêutica. O caso também precisou passar pelos procedimentos regulatórios necessários tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. No Brasil, o Hospital Israelita Albert Einstein, responsável pelo acompanhamento de Lito, formalizou o pedido para a importação excepcional da substância. A solicitação foi posteriormente analisada pela Anvisa, que autorizou a importação do medicamento em caráter excepcional. Anvisa autoriza importação do ALN-6457 A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou na sexta-feira (4) a importação do ALN-6457, substância experimental desenvolvida pela farmacêutica Regeneron Pharmaceuticals. O composto ainda está em fase pré-clínica para doenças causadas por príons e não havia passado por estudos clínicos formais em seres humanos para essa finalidade. Por isso, a autorização da Anvisa não significa que o medicamento tenha sido aprovado como tratamento ou que sua eficácia esteja comprovada. A liberação ocorreu dentro do mecanismo de uso compassivo, destinado a situações nas quais um paciente apresenta doença grave ou rara, não dispõe de tratamento satisfatório e não possui alternativas terapêuticas disponíveis. No caso de Lito, a decisão levou em consideração a gravidade e a rápida evolução da doença, além da ausência de um representante do medicamento no Brasil. O que é uso compassivo? O uso compassivo permite que determinados pacientes tenham acesso excepcional a medicamentos ainda sem registro no país quando existem circunstâncias médicas específicas. O procedimento não equivale à aprovação comercial do produto. Trata-se de uma autorização individual, baseada nas condições clínicas do paciente e nas informações disponíveis sobre a substância. No caso de Lito, a autorização permite a importação do composto para que o tratamento seja realizado sob acompanhamento médico. Mila afirmou que o mecanismo pode ser utilizado por outras pessoas que estejam em situação semelhante, desde que sejam atendidos os requisitos estabelecidos pelas autoridades regulatórias. Medicamento ainda é experimental Um dos pontos mais importantes do caso é que o ALN-6457 não é um medicamento aprovado para tratar a doença de Creutzfeldt-Jakob. A substância ainda está em desenvolvimento e não teve sua segurança e eficácia comprovadas em ensaios clínicos em seres humanos para a doença. Portanto, o tratamento representa uma tentativa experimental diante de um quadro para o qual atualmente não existe terapia capaz de interromper a evolução da enfermidade. O composto foi desenvolvido utilizando tecnologia de interferência de RNA, com o objetivo de reduzir a produção da proteína priônica envolvida na progressão das doenças causadas por príons. Família pretende ajudar outros pacientes Além de defender o processo utilizado para conseguir o medicamento, Mila afirmou que pretende compartilhar informações sobre o caminho percorrido pela família. A intenção é ajudar outras pessoas que enfrentam doenças raras e graves a entender quais são as possibilidades existentes quando não há tratamento convencional disponível. Ela também criticou a falta de informações claras sobre esses procedimentos e disse que precisou pesquisar e buscar diferentes contatos para compreender as etapas necessárias. Lito mantém esperança Enquanto aguarda a chegada do medicamento, Lito segue acompanhado por sua equipe médica. Em uma publicação recente, o influenciador afirmou que suas perspectivas haviam mudado de forma simbólica, passando de uma situação que ele considerava sem possibilidade de recuperação para uma pequena esperança de resposta ao tratamento. Mesmo enfrentando limitações físicas, ele demonstrou manter a lucidez e o interesse por assuntos relacionados à aviação. A previsão divulgada anteriormente era de que o medicamento chegasse ao Brasil alguns dias após a autorização da Anvisa. Caso chama atenção para doenças raras A história de Lito Sousa também colocou em evidência as dificuldades enfrentadas por pacientes com doenças raras que buscam tratamentos experimentais. O caso envolve uma substância que ainda está em desenvolvimento, autoridades regulatórias de dois países, uma farmacêutica internacional, equipe médica e um hospital brasileiro. Ao rebater as acusações de privilégio, Mila sustenta que a família apenas percorreu os caminhos disponíveis para tentar oferecer ao marido uma alternativa diante de uma doença grave e sem tratamento convencional. A autorização concedida pela Anvisa permite a importação excepcional do composto, mas não representa garantia de eficácia ou cura. O resultado do tratamento somente poderá ser avaliado depois que o medicamento for administrado e acompanhado pela equipe médica responsável. Enquanto isso, a família mantém a expectativa pela chegada do ALN-6457 e espera que a experiência possa também contribuir para que outros pacientes com doenças raras conheçam melhor os mecanismos existentes para buscar tratamentos experimentais. Navegação de Post Após revelar depressão, atriz de Rebelde desaparece das redes e preocupa fãs Ex-BBB Tia Milena denuncia racismo após abordagem de segurança no Rock in Rio