Assistente de acusação afirma que participação de uma terceira pessoa ainda não foi confirmada; dois acusados enfrentam júri popular nesta terça-feira (6), em Salvador

Quase dez anos após o assassinato do cabeleireiro Valdir Macário, conhecido como Valdir Cabeleireiro, o caso voltou ao centro das atenções em Salvador nesta terça-feira (6), com o julgamento de dois acusados pelo crime no Fórum Ruy Barbosa.

Edgar da Silva Santos e Patric Ribeiro Tupinambá respondem pela acusação de homicídio qualificado. O julgamento ocorre perante o 2º Juízo da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Salvador e é conduzido pelo juiz Paulo Sérgio Barbosa de Oliveira.

O crime aconteceu em 12 de novembro de 2016, dentro do próprio salão de Valdir, localizado na Avenida Vasco da Gama. Segundo as informações reunidas no processo, homens armados entraram no estabelecimento enquanto clientes aguardavam atendimento e efetuaram diversos disparos contra o cabeleireiro. A ação foi registrada por câmeras de segurança.

Terceiro suspeito ainda não foi identificado

Um dos pontos que continuam sem resposta definitiva no caso é a possível participação de uma terceira pessoa.

Em entrevista nesta terça-feira, o assistente de acusação Alonso Guimarães afirmou que, até o momento, as investigações não conseguiram confirmar a participação desse terceiro suspeito.

Segundo Alonso, após a ação, Edgar ou Patric teriam informado que outros indivíduos envolvidos teriam seguido para outro local. No entanto, não há, até agora, confirmação suficiente para responsabilizar uma terceira pessoa.

“A gente não tem essa informação”, explicou o advogado, acrescentando que a polícia poderá continuar investigando caso surjam novas provas capazes de identificar e responsabilizar outros envolvidos.

Edgar é apontado como suposto mandante

De acordo com a acusação apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), Edgar da Silva Santos, conhecido como “Chocolate”, é apontado como mandante do assassinato, enquanto Patric Ribeiro Tupinambá é acusado de participação na execução.

A motivação apresentada pela investigação estaria relacionada a uma suposta vingança envolvendo ciúmes.

Segundo informações divulgadas sobre o processo, Edgar teria acreditado que Valdir estaria ajudando o irmão, Reginaldo, a manter encontros com sua companheira. Antes do assassinato, ainda conforme a denúncia, teria ocorrido uma tentativa de matar Reginaldo no próprio salão de Valdir.

Confissão e provas

Após a prisão, Edgar teria confessado à polícia ser o mandante do crime. As investigações também reuniram imagens das câmeras de segurança do salão, que registraram a ação criminosa.

Os dois acusados foram presos em janeiro de 2017, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Na ocasião, a Polícia Civil informou que três armas utilizadas no crime haviam sido apreendidas.

Apesar dos elementos reunidos pela investigação, a situação processual dos acusados precisou passar por diferentes etapas até chegar ao julgamento pelo Tribunal do Júri.

Julgamento foi adiado diversas vezes

O júri popular sofreu sucessivos adiamentos ao longo dos anos.

A sessão marcada para 10 de setembro de 2026 foi novamente suspensa após um pedido da defesa relacionado a problemas de saúde. O Tribunal de Justiça da Bahia informou, na ocasião, que o pedido foi apresentado poucos minutos antes do início dos trabalhos.

A nova data foi estabelecida para 6 de outubro, no mesmo Fórum Ruy Barbosa.

Com isso, o caso chegou ao julgamento quase uma década depois do assassinato. O TJBA informou que a sessão integra o projeto TJBA Mais Júri, iniciativa criada para ampliar a realização de julgamentos de crimes dolosos contra a vida no estado.

Família aguarda julgamento

Valdir Macário era conhecido pelo trabalho como cabeleireiro e mantinha seu salão na Avenida Vasco da Gama, em Salvador. O assassinato dentro do estabelecimento causou grande repercussão na época.

Agora, cabe ao Tribunal do Júri analisar as provas apresentadas pela acusação e pela defesa e decidir sobre a responsabilidade criminal dos dois réus.

Quanto à possível existência de um terceiro envolvido, a investigação ainda não chegou a uma conclusão definitiva. Conforme explicou o assistente de acusação, novas diligências poderão ser realizadas caso surjam elementos capazes de esclarecer quem seriam os outros envolvidos e qual teria sido sua participação.

Quase uma década em busca de respostas

O julgamento representa uma etapa importante para esclarecer judicialmente a morte de Valdir Cabeleireiro, mas o caso ainda possui pontos que permanecem em investigação.

A possível participação de uma terceira pessoa é um deles. Até o momento, não há confirmação oficial de que esse terceiro suspeito tenha participado do assassinato, e eventual responsabilização dependeria da produção de novas provas e das conclusões das autoridades policiais e judiciais.

O julgamento desta terça-feira poderá definir a situação dos dois acusados que chegaram ao Tribunal do Júri, enquanto as investigações sobre eventuais outros envolvidos podem continuar.

Fonte: Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), BNews, Correio e Hora 1 Bahia.

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