Ex-vereadora foi presa após condenação definitiva a 10 anos e 8 meses; ao chegar à unidade policial, ela afirmou que sofreu violência doméstica e contestou a decisão judicial

A empresária e ex-vereadora do Rio de Janeiro Verônica Costa, conhecida como “Mãe Loira do Funk”, foi presa na noite de quinta-feira (24), em Petrópolis, na Região Serrana do Rio. A prisão ocorreu após o trânsito em julgado da condenação pelo crime de tortura contra o ex-marido, Márcio Costa.

Ao chegar à Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter), na zona norte do Rio, Verônica contestou a condenação e afirmou que considera ter sido vítima de um erro judicial.

“Não sou nenhuma bandida, nenhuma marginal ou homicida. Aqui tem uma mulher que teve uma arma apontada para a cabeça e que foi vítima de um erro do Judiciário”, declarou.

Ela também afirmou que sempre teve respeito pelo Poder Judiciário e disse estar surpresa com a prisão. Segundo Verônica, sua trajetória pública e seu trabalho social deveriam ser considerados no caso.

CONDENAÇÃO DEFINITIVA

A ordem de prisão foi expedida pela 16ª Vara Criminal do Rio de Janeiro depois que se esgotaram os recursos contra a condenação.

Em 2019, Verônica havia sido condenada em primeira instância a cinco anos e dez meses de prisão. Em 2023, após recurso apresentado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça aumentou a pena para 10 anos e 8 meses, com início do cumprimento em regime fechado. A decisão também manteve a determinação de perda do mandato parlamentar.

Com o trânsito em julgado, a condenação tornou-se definitiva e foi determinado o cumprimento da pena.

VERÔNICA ALEGA QUE SOFRIA VIOLÊNCIA

A defesa de Verônica sustenta que ela também teria sido vítima de violência doméstica durante o relacionamento com Márcio Costa.

Segundo os advogados, a ex-vereadora registrou um boletim de ocorrência em 2010 relatando agressões físicas e psicológicas e ameaças com arma. A defesa afirma ainda que ela teria solicitado uma medida protetiva, que não teria sido concedida.

Os advogados argumentam que, meses depois, Verônica teria sido novamente agredida e que familiares, ao encontrá-la machucada, teriam reagido contra Márcio.

A defesa, segundo o UOL, reconhece que a reação dos familiares não pode ser considerada uma forma adequada de resolver o conflito, mas sustenta que o episódio precisa ser analisado dentro do contexto de violência alegado pela ex-vereadora.

A Polícia Civil informou ao UOL que não havia respondido, até a publicação da reportagem, à solicitação para confirmar o registro policial mencionado pela defesa.

DENÚNCIA DE TORTURA

O caso teve início em fevereiro de 2011, quando Márcio Costa procurou a Polícia Civil e denunciou ter sido agredido por familiares de Verônica.

Segundo a denúncia do Ministério Público e as informações que fundamentaram o processo, Márcio teria sido imobilizado, amarrado e submetido a agressões. Também foram relatadas ameaças e o uso de substâncias que teriam provocado lesões.

De acordo com as informações divulgadas durante o processo, ele conseguiu escapar e buscar ajuda. O caso deu origem à investigação criminal que terminou com a condenação de Verônica e de outros envolvidos.

OUTROS FAMILIARES TAMBÉM FORAM PRESOS

Além de Verônica, foram presos Bruno Chaves Ribeiro, irmão da ex-vereadora; Tatiane Chaves Ribeiro, irmã; e Bruno Marcelo Bahia Marques, marido de Tatiane.

Os quatro foram localizados em um imóvel no Vale das Videiras, em Petrópolis, após trabalho de inteligência e diligências da Polícia Civil. O padrasto de Verônica, Sebastião de Oliveira Evangelista, também é alvo da ordem de prisão e permanece foragido, segundo as autoridades.

A Polícia Civil informou que Verônica era considerada foragida desde a quarta-feira (23), quando agentes tentaram cumprir o mandado em um endereço ligado a ela na capital fluminense.

MÁRCIO COSTA DIZ ESTAR “ALIVIADO”

Após a prisão, Márcio Costa publicou uma manifestação nas redes sociais. Ele afirmou que não considerava o episódio uma comemoração, mas disse estar aliviado diante do cumprimento da decisão judicial.

“Esperei tempo demais por esse momento”, escreveu.

Márcio também afirmou que passou anos convivendo com as consequências do episódio e declarou esperar que a decisão judicial representasse o encerramento de um longo período de conflito.

TRAJETÓRIA NA VIDA PÚBLICA

Verônica Costa exerceu mandatos como vereadora do Rio de Janeiro ao longo de diferentes períodos e ficou conhecida nacionalmente também pela atuação no cenário do funk carioca.

Segundo a Agência Brasil, ela exerceu cinco mandatos como vereadora, totalizando cerca de 20 anos de atuação parlamentar. Sua trajetória política começou em 2001.

Ao deixar a Polinter, Verônica voltou a afirmar que considera injusta a condenação e disse que pretende defender sua versão dos fatos.

A prisão, entretanto, ocorre após o encerramento das possibilidades de recurso ordinário no processo e a determinação judicial para o cumprimento da pena.

Fonte

Agência Brasil, UOL/Estadão Conteúdo e O Dia.

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