Emissora pediu desculpas após associar Flávio Bolsonaro a projeto antigo sobre Nossa Senhora Aparecida; levantamento aponta R$ 267 milhões em publicidade oficial destinada ao Grupo Globo entre 2023 e junho de 2026 A GloboNews precisou corrigir e pedir desculpas após uma fala exibida no programa “Em Pauta” associar o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta articulação para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A informação, que ganhou grande repercussão nas redes sociais, estava relacionada a um projeto de lei apresentado em 2007, quase duas décadas antes da atual disputa eleitoral. O texto era de autoria do então deputado federal Professor Victório Galli e não tinha relação com Flávio Bolsonaro. A proposta foi rejeitada e posteriormente arquivada pela Câmara dos Deputados em 22 de agosto de 2008. GloboNews reconheceu o erro Após a repercussão, a GloboNews esclareceu a informação durante a edição da madrugada e reconheceu que a proposta mencionada era antiga e já havia sido arquivada. O episódio ocorreu depois de um comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes, durante o “Em Pauta”, que mencionou uma suposta movimentação envolvendo o tema. A associação da declaração com Flávio Bolsonaro passou a circular nas redes sociais, levando o candidato a negar que exista qualquer projeto de sua autoria ou de sua campanha com esse objetivo. Flávio classificou a informação como falsa e afirmou que não existe iniciativa ligada a ele para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O que dizia o projeto de 2007 O projeto citado no episódio foi o PL 2.623/2007, apresentado pelo então deputado Professor Victório Galli. A proposta pretendia alterar a legislação que reconhecia Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil, substituindo a expressão por uma referência à padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos. O projeto, porém, não prosperou. Foi rejeitado e arquivado em 2008 e não corresponde a uma iniciativa legislativa apresentada por Flávio Bolsonaro em 2026. R$ 267 milhões em publicidade oficial Paralelamente à repercussão do episódio, levantamentos publicados em junho deste ano voltaram a chamar atenção para os valores destinados ao Grupo Globo em publicidade oficial durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo levantamento divulgado pelo Poder360, com base em dados da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o Grupo Globo recebeu aproximadamente R$ 267 milhões em publicidade entre 1º de janeiro de 2023 e 15 de junho de 2026. O valor representaria 25,6% dos R$ 954,5 milhões destinados pela Secom à publicidade institucional do Palácio do Planalto no período analisado. É importante destacar que esse levantamento se refere aos recursos de publicidade administrados diretamente pela Secom. Os números não incluem, nessa conta, despesas publicitárias realizadas diretamente por ministérios, empresas estatais e sociedades de economia mista. Publicidade oficial não comprova orientação editorial A existência de contratos de publicidade oficial, por si só, não demonstra que uma emissora tenha recebido determinação do governo para produzir ou publicar determinado conteúdo editorial. São questões distintas: a publicidade corresponde à veiculação de campanhas institucionais, enquanto o conteúdo jornalístico e opinativo possui outra natureza. O dado, entretanto, passou a ser utilizado em debates políticos sobre a relação entre grandes veículos de comunicação e o governo federal, especialmente em um período de intensa disputa eleitoral. Episódio gera debate sobre responsabilidade jornalística A correção feita pela GloboNews recolocou no centro do debate a responsabilidade das empresas de comunicação na apuração de informações envolvendo candidatos e temas de forte apelo religioso. No caso específico, a informação correta é que o projeto mencionado era de 2007, não foi apresentado por Flávio Bolsonaro e foi arquivado em 2008. A própria GloboNews reconheceu o erro e se retratou. Já os R$ 267 milhões correspondem a publicidade oficial contratada pela Secom no período indicado pelo levantamento. O valor, isoladamente, não permite concluir que exista relação causal entre os repasses publicitários e o erro jornalístico ocorrido na GloboNews. O episódio, portanto, reúne dois fatos distintos: uma informação incorreta posteriormente corrigida pela emissora e dados sobre o volume de publicidade oficial destinado ao Grupo Globo durante o governo Lula. Fonte: Poder360, UOL, CNN Brasil e Câmara dos Deputados.Apuração: Alfa Notícia 7. Navegação de Post Viih Tube admite cirurgias estéticas, mas afirma ter perdido 20 kg ‘na marra’ “COMEÇANDO POR ELE?” GOVERNO LULA PROPÕE ATÉ SEIS ANOS DE PRISÃO PARA OPERAÇÃO DE BETS ILEGAIS