Dirigentes do PT apontam falhas na articulação política e na estratégia de campanha após o resultado do primeiro turno O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 provocou uma onda de cobranças dentro do Partido dos Trabalhadores (PT). Segundo informações publicadas nesta quinta-feira (8) pelo jornalista Cláudio Humberto, no Diário do Poder, dirigentes petistas passaram a atribuir parte da responsabilidade pelo desempenho eleitoral ao próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com a publicação, Lula teria responsabilizado o presidente nacional do PT, Edinho Silva, pela desorganização da campanha. A transmissão de uma reunião do partido pelo canal oficial no YouTube chegou a ser interrompida enquanto Lula ainda falava, em um episódio que aumentou a repercussão sobre as divergências internas. As cobranças, entretanto, não ficaram restritas a Edinho Silva. Segundo a coluna, integrantes do partido passaram a questionar a condução política do próprio Lula e afirmaram que o presidente teria subestimado os riscos da eleição e a força eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL). Um dirigente ligado a Edinho Silva afirmou, segundo Cláudio Humberto, que Lula acreditava que sua reeleição não estava ameaçada e que teria percebido a dimensão da disputa somente ao acompanhar a apuração pela televisão. A declaração foi apresentada como relato de bastidor, e não como uma afirmação pública do presidente. A coluna também relata que Lula teria deixado de lado o chamado “varejo político”, expressão usada para definir a articulação cotidiana com aliados, parlamentares e lideranças capazes de mobilizar votos. Segundo os relatos publicados, essa falta de articulação teria prejudicado a campanha petista. Outro questionamento interno envolve a estratégia para o primeiro turno. De acordo com a reportagem, integrantes do PT avaliam que Lula não teria trabalhado suficientemente para estimular candidaturas de outros partidos capazes de disputar votos com Flávio Bolsonaro. Um dos relatos publicados pela coluna questiona, inclusive, se o petista conseguiria herdar votos de candidatos que ficaram fora do segundo turno. O resultado das urnas aumentou a pressão sobre a estrutura da campanha. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula registrou 45,16%, levando a disputa para o segundo turno. A avaliação de que Flávio teria sido subestimado também apareceu em análises externas ao PT. Em entrevista à revista Exame, o cientista político Aldo Fornazieri afirmou que a campanha petista teria tratado Flávio como um adversário mais fraco e não teria dimensionado adequadamente sua capacidade de articulação política. Dentro do PT, as críticas também atingem a organização da campanha. O próprio Lula reconheceu publicamente que o trabalho realizado no primeiro turno ficou abaixo do esperado. Em declaração feita a aliados, o presidente afirmou que aquela havia sido a campanha menos organizada de que participou desde 1989 e disse que a equipe poderia ter feito mais. A declaração ocorreu ao lado de Edinho Silva, que passou a ser alvo de críticas internas pela condução da campanha. A fala de Lula acabou reforçando o debate dentro da legenda sobre responsabilidades e sobre a necessidade de mudanças para o segundo turno. A reação do PT já começou a produzir mudanças na coordenação da campanha. Segundo o Diário do Poder, o senador Camilo Santana passou a dividir com Edinho Silva a coordenação política da candidatura de Lula, em uma tentativa de ampliar a articulação eleitoral e fortalecer a campanha para a segunda etapa. A campanha também deverá buscar uma aproximação maior com setores que apoiaram candidatos derrotados no primeiro turno. Com a disputa agora concentrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, os votos dos demais candidatos e dos eleitores que ainda não decidiram seu voto passam a ter importância central na estratégia das duas campanhas. O cenário também é acompanhado por mudanças na comunicação da campanha petista. Reportagens indicam que a equipe de Lula pretende ampliar a atuação junto a aliados e concentrar a estratégia do segundo turno em temas econômicos e sociais, além de apresentar críticas ao programa e às posições de Flávio Bolsonaro. Do outro lado, a campanha de Flávio Bolsonaro busca consolidar os apoios conquistados após o primeiro turno. A própria coluna de Cláudio Humberto destacou que dirigentes petistas reconhecem como um diferencial a capacidade do candidato do PL de buscar apoio de nomes que ficaram fora da segunda etapa da eleição. As divergências internas colocam o PT diante de um desafio adicional: reorganizar a campanha sem ampliar os conflitos dentro da própria legenda. O partido precisa, ao mesmo tempo, reagir ao resultado do primeiro turno, ampliar alianças e disputar os eleitores que ainda não definiram sua escolha. A disputa presidencial entra agora em uma nova fase. Lula e Flávio Bolsonaro terão até 25 de outubro para apresentar suas propostas, conquistar novos apoios e tentar ampliar suas respectivas bases eleitorais. O resultado da primeira etapa, porém, já provocou uma revisão da estratégia petista e abriu uma disputa interna sobre os motivos que levaram Lula a terminar o primeiro turno atrás do candidato do PL. As informações sobre as críticas internas ao presidente foram divulgadas pelo Diário do Poder e são baseadas em relatos atribuídos a dirigentes petistas. Até o momento, não há manifestação pública de Lula confirmando individualmente todas as declarações atribuídas aos integrantes da legenda. Fonte: Diário do Poder, coluna de Cláudio Humberto; Exame; Bahia Notícias. 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