Relatório da Polícia Federal reúne ligações, mensagens, benefícios e movimentações financeiras que levantaram suspeitas sobre a relação do senador baiano com Augusto Lima e o grupo ligado a Daniel Vorcaro Da Redação — Alfa Notícia 712 de setembro de 2026 A investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master colocou o senador Jaques Wagner (PT-BA) no centro de uma apuração que busca esclarecer a natureza de sua relação com empresários ligados à instituição financeira, especialmente Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. O relatório da PF, tornado público no decorrer da investigação, reúne mensagens, registros de chamadas, documentos financeiros, viagens, benefícios e episódios relacionados à atuação parlamentar de Wagner. Segundo os investigadores, o conjunto dos elementos levantou suspeitas sobre uma possível relação entre vantagens recebidas pelo senador e iniciativas de interesse do Banco Master. As conclusões, porém, fazem parte de uma investigação em andamento e não equivalem a uma condenação. Wagner nega irregularidades e afirma ter confiança de que provará sua inocência. 74 ligações entre Wagner e Augusto Lima Um dos pontos destacados pela Polícia Federal é a frequência dos contatos entre Jaques Wagner e Augusto Lima. De acordo com o relatório, foram identificadas 74 ligações entre os dois realizadas entre novembro de 2023 e maio de 2025. Somadas, as chamadas teriam durado aproximadamente cinco horas e meia. Os investigadores também observaram uma preferência por chamadas de voz em vez de mensagens escritas. Para a PF, esse padrão merece atenção porque poderia indicar que determinados assuntos eram tratados por telefone, reduzindo o registro documental das conversas. A existência das ligações, por si só, entretanto, não comprova a prática de crime. A investigação procura estabelecer o conteúdo e a finalidade dos contatos. Apartamento de aproximadamente R$ 2,5 milhões Outro ponto central do inquérito é um apartamento em Salvador avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões. Segundo a investigação, em novembro de 2024 Wagner enviou a Augusto Lima informações sobre um imóvel da construtora Moura Dubeux, indicando a unidade 1702 e o preço de aproximadamente R$ 2,45 milhões. Meses depois, o senador teria encaminhado a Lima uma mensagem recebida de um de seus filhos pedindo informações sobre o proprietário do imóvel, necessárias para a emissão de documentos relacionados a uma obra. Na avaliação apresentada pelo ministro André Mendonça com base nos elementos da investigação, as mensagens levantaram a hipótese de que o imóvel pudesse estar formalmente registrado em nome de terceiro, enquanto a titularidade real seria outra. A PF também identificou uma transferência de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada a Augusto Lima para uma empresa pertencente a Eduardo Sodré, apontado como enteado de Wagner e marido de sua filha. A investigação procura esclarecer se a operação tinha alguma relação com o imóvel e com o núcleo familiar do senador. Pagamentos de R$ 3,5 milhões A transferência de R$ 3,5 milhões é outro elemento considerado relevante pela investigação. Segundo os documentos divulgados, o dinheiro saiu da empresa PKL One, ligada a familiares de Augusto Lima, e foi destinado à BN Financeira, empresa ligada a Eduardo Sodré. Mensagens analisadas pela PF mostram cobranças relacionadas a pagamentos e boletos. Em determinado momento, Lima teria alegado dificuldades financeiras em razão da crise envolvendo o Banco Master e da tentativa frustrada de negociação com o BRB. Para os investigadores, a sequência dos fatos precisa ser esclarecida para determinar a finalidade real da transferência. Até o momento, a investigação trata esses elementos como indícios a serem esclarecidos, e não como prova definitiva de corrupção ou lavagem de dinheiro. Ingressos para shows de Taylor Swift O relatório também chama atenção para benefícios relacionados a shows da cantora Taylor Swift. Segundo a investigação, Augusto Lima teria solicitado a sua secretária a compra de ingressos para familiares de Jaques Wagner. A aquisição teria sido realizada pela gestora Reag, empresa que aparece em outras partes da investigação envolvendo o grupo de Daniel Vorcaro. O valor citado nos documentos para os ingressos chegou a aproximadamente R$ 63 mil, considerando os valores da época. A PF procura determinar se esses benefícios tinham caráter pessoal ou se poderiam estar relacionados à relação profissional e política entre Wagner e integrantes do grupo ligado ao Banco Master. Viagens e uso de aeronave Outro elemento citado pela investigação envolve viagens realizadas por Wagner em aeronaves disponibilizadas por Augusto Lima. Em outubro de 2023, segundo os investigadores, Augusto teria disponibilizado uma aeronave para uma viagem de Wagner à chamada Ilha da Paixão, na Bahia, propriedade ligada ao empresário. Em outra ocasião, em abril de 2024, Wagner teria procurado Lima para tratar de um deslocamento ao Rio de Janeiro. O empresário teria fornecido ao senador o contato de um piloto. Para a PF, esses episódios reforçam a percepção de proximidade entre o senador e o empresário. Atuação parlamentar em temas de interesse do Master O inquérito também investiga se Jaques Wagner atuou no Senado em assuntos que poderiam beneficiar interesses do Banco Master. A PF analisou projetos e emendas relacionados ao sistema financeiro e ao crédito consignado. Um dos pontos investigados envolve o Credcesta, modalidade de crédito consignado que teve origem na Bahia e posteriormente se tornou um dos produtos importantes para a expansão dos negócios associados a Augusto Lima e Daniel Vorcaro. A investigação busca estabelecer se houve atuação política em favor de interesses específicos do grupo empresarial e se essa atuação teria alguma relação com eventuais vantagens pessoais ou familiares. A relação com Daniel Vorcaro Embora parte significativa dos contatos analisados diretamente pela PF envolva Augusto Lima, a investigação considera a ligação relevante porque Lima foi sócio de Daniel Vorcaro e esteve associado à estrutura empresarial que deu origem à expansão do Banco Master. O inquérito, portanto, não analisa apenas uma relação pessoal entre Wagner e Lima. A PF tenta compreender se essa proximidade fazia parte de uma rede maior de relacionamento entre políticos, empresários e integrantes do grupo financeiro investigado. O nome de Vorcaro aparece nesse contexto como o principal controlador e personagem central da investigação sobre o Banco Master. PF também investiga possível atuação como interlocutor Segundo os investigadores, Augusto Lima teria exercido o papel de interlocutor entre representantes do Banco Master e Jaques Wagner em assuntos considerados estratégicos para a instituição. A PF analisou contatos realizados antes e depois de determinadas movimentações legislativas. Um dos pontos levantados pelos investigadores envolve uma ligação de Augusto Lima para Wagner em agosto de 2024, no mesmo período em que houve movimentações relacionadas a uma emenda envolvendo o Fundo Garantidor de Créditos. A correlação temporal foi considerada relevante pela investigação, embora uma ligação próxima a uma votação ou apresentação de emenda não seja, isoladamente, prova de corrupção ou de compra de influência. Relação antiga com o Credcesta O vínculo entre o grupo empresarial e a Bahia é anterior ao escândalo atual. Augusto Lima esteve ligado à criação e expansão do Credcesta, produto de crédito consignado voltado inicialmente a servidores públicos baianos. A PF também investiga a participação de agentes políticos na criação e expansão desse modelo e procura entender se decisões tomadas durante diferentes governos favoreceram posteriormente a expansão dos negócios que acabaram integrados ao Banco Master. Esse histórico é importante para compreender por que a investigação considera a relação de Wagner com Augusto Lima anterior à atual crise do banco. Wagner deixou a liderança do governo Após ser alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, em junho, Jaques Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado. Na época, o senador afirmou que não era réu, não havia sido denunciado e que não tinha cometido irregularidades. Posteriormente, Wagner declarou estar tranquilo e afirmou ter certeza de que conseguirá provar sua inocência. O que está comprovado e o que ainda é suspeita? É importante fazer uma distinção. Comprovado nos documentos divulgados: existem registros de contatos entre Wagner e Augusto Lima, incluindo 74 ligações; existem mensagens relacionadas a imóvel, pagamentos e deslocamentos; e a PF encontrou elementos financeiros e documentais que decidiu aprofundar. Ainda sob investigação: se eventuais benefícios recebidos pelo senador ou por pessoas próximas tinham relação com sua atuação política; se houve ocultação de propriedade de imóvel; qual era a finalidade dos R$ 3,5 milhões transferidos; e se houve alguma contrapartida política aos interesses do Banco Master. Até o momento, esses pontos são objeto de investigação e não podem ser apresentados como crimes definitivamente comprovados. Caso Master envolve políticos de diferentes grupos O escândalo do Banco Master alcançou políticos e autoridades de diferentes espectros ideológicos. Além de Jaques Wagner, a investigação envolve ou já envolveu nomes ligados a diferentes partidos e grupos políticos. A própria abertura dos documentos do caso provocou novos conflitos dentro do Supremo Tribunal Federal e ampliou o debate sobre o acesso às provas. Em setembro, o ministro André Mendonça determinou a abertura de documentos de diferentes procedimentos relacionados ao caso, incluindo investigações que envolvem Wagner. Conclusão O inquérito da Polícia Federal apresenta um conjunto de elementos que, segundo os investigadores, indica uma relação próxima entre Jaques Wagner, Augusto Lima e integrantes do grupo empresarial ligado a Daniel Vorcaro. Entre os principais pontos estão as 74 ligações telefônicas, o episódio envolvendo um apartamento de aproximadamente R$ 2,5 milhões, a transferência de R$ 3,5 milhões para uma empresa ligada ao núcleo familiar do senador, ingressos para shows, viagens e suspeitas de atuação parlamentar em temas de interesse do Banco Master. A investigação agora precisa esclarecer se esses fatos representam apenas relações pessoais e políticas legítimas ou se houve algum tipo de vantagem indevida em troca de atuação em favor do grupo financeiro. Até que a apuração seja concluída e haja eventual decisão judicial, Jaques Wagner permanece na condição de investigado e não de condenado. FONTE Polícia Federal, documentos do inquérito da Operação Compliance Zero, decisões do STF e reportagens de veículos como Poder360, Folha de S.Paulo e outros veículos que tiveram acesso aos documentos da investigação. ALFA NOTÍCIA 7 — Informação com fatos, registros e fontes. Navegação de Post MPF AFIRMA QUE TH JOIAS GUARDAVA 200 KG DE DROGAS E CONTROLAVA PAGAMENTOS DO TRÁFICO “É DIFÍCIL SILENCIAR 1.000 PROCURADORES”: REVOLTA CONTRA GONET CRESCE DENTRO DA PGR