Denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal cita planilha chamada “Pó Amigo TH”, mensagens e imagens de grande quantidade de entorpecentes; ex-deputado tornou-se réu no caso

O Ministério Público Federal (MPF) afirma que o ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, teria participado diretamente de atividades relacionadas ao tráfico de drogas, incluindo a venda, o armazenamento e a oferta de entorpecentes.

As acusações fazem parte da denúncia apresentada no âmbito da Operação Zargun, investigação que apura a atuação de uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho e sua suposta infiltração em estruturas do Estado do Rio de Janeiro.

Entre os elementos reunidos pela Procuradoria estão mensagens de aplicativo, fotografias e uma planilha financeira intitulada “Pó Amigo TH”, que, segundo o MPF, teria sido utilizada para acompanhar pagamentos e dívidas relacionadas à venda de drogas.

PLANILHA “PÓ AMIGO TH”

Segundo a denúncia, um dos episódios investigados ocorreu em 8 de novembro de 2023.

O MPF afirma que TH manteve conversas com Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio”, apontado como integrante do grupo investigado.

De acordo com a acusação, os diálogos indicariam uma negociação envolvendo cocaína e, posteriormente, TH teria encaminhado uma planilha contendo datas de pagamentos e valores ainda devidos por um comprador.

O arquivo teria sido identificado como “PÓ AMIGO TH”.

Para os procuradores, o documento seria um indicativo de que o então deputado não apenas teria mantido contato com integrantes do grupo criminoso, mas também participado da intermediação da venda e do controle financeiro dos pagamentos.

“TEM 200 KG”

Outro episódio citado pelo MPF teria ocorrido em 21 de fevereiro de 2024.

Segundo a denúncia, TH enviou a Índio imagens que mostravam uma sala com diversos sacos contendo entorpecentes.

Na sequência, teria informado:

“Tem 200kg.”

Ainda segundo a acusação, Índio respondeu que aquela quantidade seria difícil de vender.

O MPF sustenta que as imagens e as mensagens indicariam que TH mantinha aproximadamente 200 quilos de drogas sob sua guarda, com finalidade comercial.

DIVERGÊNCIA SOBRE O TIPO DE DROGA

Um detalhe importante aparece na própria documentação do caso.

Embora determinado trecho da acusação faça referência à cocaína, a descrição das imagens identifica o material mostrado nos sacos como maconha.

Essa divergência consta nas informações divulgadas sobre a denúncia e deve ser considerada na análise do processo.

O ponto central para o MPF, entretanto, é que os registros seriam indicativos de que TH mantinha uma grande quantidade de entorpecentes sob sua guarda para posterior comercialização.

OFERTA DE COCAÍNA

A acusação aponta ainda um terceiro episódio.

Em 27 de junho de 2024, segundo o MPF, TH teria procurado novamente Índio para oferecer cocaína.

De acordo com a Procuradoria, o ex-deputado teria atuado como intermediário de um fornecedor que não foi identificado.

A própria acusação reconhece que não foi possível comprovar se a negociação terminou efetivamente com a entrega da droga. Mesmo assim, o MPF sustenta que a oferta seria suficiente para caracterizar uma das modalidades do crime de tráfico previstas na legislação.

TRÊS EPISÓDIOS DE TRÁFICO

Com base nesses elementos, o Ministério Público Federal atribuiu a TH Joias três episódios relacionados ao tráfico de drogas.

Segundo a denúncia, as condutas envolveriam:

  • participação na venda de entorpecentes;
  • manutenção de drogas em depósito;
  • oferta de drogas para comercialização.

Além dessas acusações, TH responde a outras imputações relacionadas à organização criminosa, comércio ilegal de armas, contrabando e corrupção.

SUPOSTA LIGAÇÃO COM O COMANDO VERMELHO

A denúncia do MPF descreve TH como integrante de um núcleo que teria funcionado como elo entre integrantes do Comando Vermelho e estruturas do poder público.

Segundo a Procuradoria, a organização teria buscado ocupar espaços estratégicos dentro da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e de órgãos do governo estadual.

O objetivo, de acordo com a acusação, seria obter informações privilegiadas, facilitar atividades criminosas e garantir vantagens para integrantes da organização.

OPERAÇÃO ZARGUN

As acusações contra TH Joias fazem parte da Operação Zargun, que investiga uma estrutura criminosa relacionada ao tráfico internacional de armas e à atuação do Comando Vermelho.

Segundo o MPF, o grupo também teria participado da importação clandestina de bloqueadores de sinais de drones, equipamentos que seriam utilizados para dificultar o monitoramento das forças de segurança durante operações policiais.

A investigação também identificou suspeitas de corrupção de agentes públicos e vazamento de informações policiais.

TH JOIAS VIROU RÉU

Em 10 de setembro de 2026, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal.

A decisão foi tomada por unanimidade pelos integrantes da 1ª Seção do tribunal.

Com o recebimento da denúncia, TH Joias e outros acusados passaram à condição de réus e responderão ao processo criminal perante a Justiça.

O tribunal também manteve a prisão preventiva do ex-deputado e determinou sua transferência para uma penitenciária federal.

ACUSAÇÃO AINDA SERÁ JULGADA

Apesar da quantidade de elementos apresentados pelo MPF, é importante destacar que denúncia não equivale a condenação.

As planilhas, mensagens, fotografias e demais documentos serão analisados durante o processo judicial, e a defesa terá direito de contestar as acusações e apresentar sua versão dos fatos.

A responsabilidade criminal de TH Joias somente poderá ser definida ao final do processo, após o julgamento e eventual trânsito em julgado da decisão.

INVESTIGAÇÃO APONTA ATUAÇÃO ALÉM DO TRÁFICO

Para o Ministério Público Federal, o caso não se limita à suspeita de comércio de drogas.

A Procuradoria afirma que TH teria desempenhado uma função estratégica dentro da organização, mantendo contatos com integrantes do grupo criminoso e utilizando sua posição política para facilitar interesses da estrutura investigada.

O MPF também sustenta que a organização teria buscado influência dentro de órgãos públicos para obter informações e vantagens.

Essas acusações ainda serão submetidas ao contraditório e à análise judicial.

CASO SEGUE NA JUSTIÇA

Com o recebimento da denúncia pelo TRF-2, o processo entra em uma nova fase.

As provas reunidas durante a investigação serão confrontadas com os argumentos das defesas dos acusados. Testemunhas poderão ser ouvidas, documentos serão analisados e outros elementos poderão ser incorporados ao processo.

O objetivo será determinar se as acusações apresentadas pelo MPF podem ser comprovadas judicialmente.

FONTE

Ministério Público Federal (MPF), Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) e documentos da investigação da Operação Zargun.

ALFA NOTÍCIA 7 — Informação com fatos, documentos e fontes.

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