Pesquisa revela cenário preocupante entre adolescentes baianos; meninas apresentam índices muito superiores aos dos meninos nos principais indicadores de saúde mental Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela um cenário preocupante de saúde mental entre adolescentes na Bahia. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, realizada em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio do Ministério da Educação. A pesquisa ouviu estudantes de 13 a 17 anos e mostrou que sentimentos como tristeza, falta de perspectiva e vontade de se machucar atingem uma parcela significativa dos adolescentes baianos. O quadro é especialmente preocupante entre as meninas, que apresentam índices muito superiores aos registrados entre os meninos. QUASE 3 EM CADA 10 ADOLESCENTES SE SENTEM TRISTES Na Bahia, 29,4% dos estudantes de 13 a 17 anos afirmaram sentir tristeza na maioria das vezes ou sempre. O percentual praticamente não mudou em relação a 2019, quando era de 29,6%. A diferença entre meninas e meninos chama atenção: 41,9% das adolescentes baianas relataram tristeza frequente, contra 15,6% dos adolescentes do sexo masculino. Ou seja, entre as meninas, o percentual é mais de duas vezes e meia superior ao observado entre os meninos. VONTADE DE SE MACHUCAR ATINGE 31,9% Um dos dados mais preocupantes da pesquisa é relacionado à vontade de se machucar de propósito. Em 2024, 31,9% dos adolescentes baianos disseram ter sentido esse desejo nos 12 meses anteriores à pesquisa. O indicador foi investigado pela primeira vez na PeNSE de 2024. Mais uma vez, as meninas aparecem em situação de maior vulnerabilidade. Entre as adolescentes baianas, 42,5% disseram ter sentido vontade de se machucar de propósito, enquanto entre os meninos o percentual foi de 20,3%. Em Salvador, o índice foi ainda maior: 35,8% dos estudantes relataram essa vontade. Entre as meninas da capital, o percentual chegou a 48,5%, contra 23,5% entre os meninos. QUASE 2 EM CADA 10 DIZEM QUE A VIDA NÃO VALE A PENA Outro indicador analisado pelo IBGE foi o sentimento de que a vida não vale a pena ser vivida. Na Bahia, 19,9% dos adolescentes afirmaram ter esse sentimento na maioria das vezes ou sempre. Em 2019, o percentual era de 21,1%, o que representa uma redução, embora o número continue elevado. Entre as meninas, o índice chegou a 27,1%. Entre os meninos, ficou em 12%. SAÚDE MENTAL NEGATIVA A pesquisa também perguntou aos estudantes como eles avaliavam a própria saúde mental. Na Bahia, 15,2% dos adolescentes fizeram uma avaliação negativa da própria saúde mental em 2024. O índice apresentou queda em relação aos 16,3% registrados em 2019. Apesar da melhora, o resultado mostra que uma parcela importante dos jovens enfrenta dificuldades emocionais que podem afetar sua rotina, seus estudos, seus relacionamentos e sua qualidade de vida. MENINAS SÃO AS MAIS AFETADAS Os dados da PeNSE mostram uma diferença consistente entre os sexos nos indicadores de saúde mental. No Brasil, o IBGE também identificou que as meninas apresentam percentuais mais altos de tristeza, irritação, sensação de falta de preocupação por parte de outras pessoas, percepção de que a vida não vale a pena e vontade de se machucar. Na Bahia, esse padrão se repete de forma expressiva. Segundo especialistas ouvidos pelo Correio, fatores como pressão social, cobrança, comparação nas redes sociais, questões relacionadas ao corpo e exposição a diferentes formas de violência podem contribuir para o sofrimento emocional das adolescentes. UM ALERTA PARA FAMÍLIAS E ESCOLAS Os números não significam que todos os adolescentes que relatam tristeza ou vontade de se machucar tenham depressão ou outro transtorno mental. A pesquisa mede indicadores e sentimentos relatados pelos estudantes, e não substitui uma avaliação profissional. Ainda assim, os resultados funcionam como um importante sinal de alerta para famílias, escolas, profissionais de saúde e autoridades públicas. A pesquisa do IBGE destaca a importância de acompanhar a saúde mental dos adolescentes e fortalecer políticas de prevenção e proteção. QUANDO PEDIR AJUDA Qualquer adolescente que esteja enfrentando sofrimento intenso, pensamentos de morte ou vontade de se machucar deve ser levado a sério e receber apoio. Famílias e responsáveis devem procurar ajuda profissional e evitar julgamentos ou minimizar aquilo que o jovem está sentindo. Em situações de emergência ou risco imediato, é fundamental procurar um serviço de emergência. No Brasil, o CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, oferecendo apoio emocional e prevenção do suicídio. OS PRINCIPAIS NÚMEROS NA BAHIA 29,4% dos adolescentes relataram tristeza frequente; 41,9% das meninas relataram tristeza, contra 15,6% dos meninos; 31,9% disseram ter sentido vontade de se machucar de propósito; Entre as meninas, o índice chegou a 42,5%; Entre os meninos, foi de 20,3%; 19,9% disseram sentir que a vida não vale a pena ser vivida; Entre as meninas, foram 27,1%; Entre os meninos, 12%; 15,2% avaliaram negativamente a própria saúde mental. Os dados mostram que, apesar de algumas pequenas melhorias em relação a 2019, a saúde mental dos adolescentes baianos continua exigindo atenção, principalmente entre as meninas. A PeNSE 2024 reforça que ouvir os adolescentes, identificar sinais de sofrimento e ampliar as redes de apoio são medidas essenciais para enfrentar o problema. Fonte: IBGE — Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024. 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