Ministro Alexandre de Moraes questionou a condução de André Mendonça no caso Master; Cristiano Zanin pediu acesso à íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro antes da sessão do STF marcada para terça-feira (15) A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (11), às vésperas da sessão extraordinária marcada para terça-feira (15), que deverá analisar o relatório da Polícia Federal relacionado às conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O episódio envolve diretamente os ministros Alexandre de Moraes, André Mendonça, Cristiano Zanin e o presidente da Corte, Edson Fachin, e tem como um dos principais pontos de tensão o acesso aos dados extraídos do celular de Vorcaro. Zanin pede acesso à íntegra do celular Cristiano Zanin encaminhou a Fachin um pedido para ter acesso à íntegra do material extraído do celular de Daniel Vorcaro. Segundo Zanin, o acesso completo seria necessário para permitir uma análise adequada dos elementos que serão considerados pelo Supremo na sessão de 15 de setembro. O ministro pediu que a mídia integral fosse disponibilizada em um HD específico, e não apenas os elementos selecionados para os relatórios produzidos pela Polícia Federal. O pedido ocorreu depois de Fachin determinar o compartilhamento dos materiais relacionados ao caso com os demais ministros. O objetivo é permitir que os integrantes da Corte tenham acesso ao conteúdo necessário antes de deliberar sobre os pedidos relacionados à investigação de Moraes. Mendonça afirma que material está lacrado André Mendonça, relator do caso no STF, afirmou que os dados extraídos do aparelho foram encaminhados pela Polícia Federal ao seu gabinete de forma lacrada. De acordo com a explicação apresentada pelo ministro, o aparelho original permanece sob custódia da Polícia Federal, enquanto seu gabinete possui uma cópia de segurança armazenada em mídia lacrada. Mendonça sustenta que a preservação desse material é necessária para garantir a integridade da prova e evitar alterações ou acessos indevidos. A posição do relator contrasta com o entendimento de Zanin, que considera necessário consultar diretamente a íntegra do conteúdo para que os ministros possam avaliar de maneira completa os elementos que serão levados ao plenário. Moraes acusa Mendonça de seletividade Paralelamente à solicitação de Zanin, Alexandre de Moraes encaminhou manifestação a Fachin criticando a forma como Mendonça conduziu o levantamento do sigilo dos documentos do caso Master. Moraes afirmou que houve uma espécie de “escolha seletiva” dos documentos que tiveram o sigilo retirado. O ministro defendeu que todo o material relacionado ao caso seja disponibilizado, argumentando que a divulgação integral evitaria interpretações parciais e garantiria isonomia entre os integrantes do tribunal. Mendonça, por sua vez, contestou a acusação e afirmou que liberou todos os documentos que poderiam ser divulgados naquele momento. Segundo o relator, parte da divergência decorre da organização dos documentos em diferentes procedimentos e da existência de diligências que ainda estão em andamento. Fachin determina ampliação da transparência Diante da disputa, Edson Fachin determinou que Mendonça ampliasse o levantamento do sigilo dos documentos relacionados ao caso. O presidente do STF estabeleceu prazo de 24 horas para a retirada do sigilo dos materiais, ressalvando informações relacionadas a diligências ainda em andamento. A determinação ocorreu após pedidos da Procuradoria-Geral da República e de integrantes do próprio Supremo para que os documentos fossem disponibilizados de forma mais ampla. A medida tenta reduzir a controvérsia sobre quais informações estão efetivamente disponíveis aos ministros antes da sessão. Caso envolve possível investigação de Moraes O material extraído do celular de Vorcaro é considerado relevante porque serviu de base para um relatório da Polícia Federal que aponta contatos entre o empresário e Alexandre de Moraes. A sessão de terça-feira deverá discutir a validade desse material e os pedidos relacionados à possibilidade de investigação do ministro. É importante destacar que a existência de mensagens ou contatos entre Moraes e Vorcaro não constitui, por si só, prova de crime ou irregularidade. O conteúdo precisa ser analisado e contextualizado pelas autoridades competentes. Moraes também quer julgamento conjunto Em meio à disputa, Moraes solicitou a Fachin que os procedimentos relacionados às suspeitas envolvendo sua atuação sejam analisados conjuntamente com as alegações e questionamentos relacionados à atuação de André Mendonça. A estratégia amplia o alcance da sessão e pode colocar no mesmo debate as acusações e questionamentos apresentados por diferentes integrantes do Supremo. Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira, aliados de Moraes também trabalham para que a sessão de 15 de setembro seja adiada ou tenha sua pauta ampliada, incluindo as acusações contra Mendonça. Disputa sobre os dados aumenta tensão no STF A discussão sobre o celular de Vorcaro tornou-se um dos principais pontos de tensão entre os ministros. De um lado, Zanin defende que os ministros tenham acesso à íntegra do material para poderem formar sua própria avaliação antes da decisão. De outro, Mendonça afirma que o conteúdo deve permanecer protegido e seguir os procedimentos necessários para preservação da cadeia de custódia. A divergência ocorre justamente quando o STF se prepara para analisar um caso que envolve um de seus próprios ministros. Fachin tenta controlar crise Edson Fachin passou a exercer papel central na tentativa de organizar a crise. Além de determinar o compartilhamento de documentos, o presidente do STF também precisa administrar os diferentes pedidos apresentados pelos ministros e definir o formato da sessão extraordinária. A situação se tornou ainda mais delicada porque decisões individuais de ministros passaram a produzir efeitos sobre outros procedimentos relacionados ao caso Master. Sessão de 15 de setembro ganha importância A sessão marcada para terça-feira deverá representar um momento decisivo. Os ministros terão de analisar questões relacionadas ao relatório da Polícia Federal, aos dados extraídos do celular de Vorcaro, ao levantamento dos sigilos e aos pedidos apresentados pela Procuradoria-Geral da República. Também estará em discussão a possibilidade de investigação de Alexandre de Moraes e a validade de determinados elementos produzidos durante a apuração. O resultado poderá definir os próximos passos do caso e estabelecer quais procedimentos continuarão em andamento. Crise expõe divisão dentro da Corte O episódio revela uma divisão cada vez mais evidente dentro do Supremo. A disputa deixou de envolver apenas questões técnicas sobre sigilo e preservação de provas e passou a incluir acusações de seletividade, questionamentos sobre competência e pedidos para que diferentes procedimentos sejam julgados conjuntamente. Ao mesmo tempo, ministros que não estão diretamente envolvidos no conflito demonstram preocupação com o impacto da crise sobre a imagem institucional da Corte. O caso Master, portanto, transformou-se em uma disputa que envolve não apenas Daniel Vorcaro e o Banco Master, mas também a própria forma como o Supremo administra investigações que atingem seus integrantes. Próximos passos A expectativa agora está concentrada nas decisões de Edson Fachin e na sessão de 15 de setembro. Antes do julgamento, os ministros deverão receber os documentos liberados por Mendonça e avaliar os pedidos de acesso à íntegra do material extraído do celular de Vorcaro. A depender das decisões tomadas nos próximos dias, a sessão poderá manter o formato inicialmente previsto, ter sua pauta ampliada ou até mesmo ser adiada. Enquanto isso, a troca de manifestações entre Moraes, Mendonça e Zanin aumenta a pressão sobre Fachin para encontrar uma solução que garanta acesso às informações, preservação das provas e respeito ao devido processo legal. O caso Master chega, assim, à semana decisiva com uma questão central ainda em aberto: como o Supremo irá investigar e julgar suspeitas que envolvem um de seus próprios ministros sem comprometer a independência, a transparência e a credibilidade da Corte? Fontes: Folha de S.Paulo, UOL, R7, STF e Agência Brasil. Navegação de Post GILMAR PEDE ADIAMENTO DE SESSÃO E PROPÕE UNIFICAÇÃO DE PROCEDIMENTOS NO STF VAZAMENTO DE FOTO ÍNTIMA REVOLTA ANA PAULA RENAULT E DESENCADEIA CAÇADA AO AUTOR