Jornal americano destaca repercussões políticas e internacionais das investigações envolvendo Alexandre de Moraes, Daniel Vorcaro e o contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes O caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, ganhou novo destaque internacional nesta quinta-feira (24), após uma reportagem do The New York Times relacionar o episódio ao cenário político e eleitoral brasileiro. Segundo a reportagem repercutida pela imprensa brasileira, o jornal norte-americano destacou que as revelações envolvendo Moraes passaram a integrar o debate político em torno da eleição presidencial de 2026 e das relações entre Brasil e Estados Unidos. O caso ganhou força após a Polícia Federal analisar mensagens, documentos e outros dados extraídos do celular de Vorcaro, que está no centro das investigações relacionadas ao Banco Master. CONTRATO DE R$ 131 MILHÕES Um dos principais pontos da controvérsia é o contrato firmado em janeiro de 2024 entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, pertencente à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O acordo previa 36 parcelas de aproximadamente R$ 3,6 milhões, totalizando R$ 131 milhões durante o período contratual. Segundo documentos divulgados no curso das investigações, até novembro de 2025 haviam sido pagos R$ 80,2 milhões. A Polícia Federal também analisou os metadados do documento e concluiu que Moraes fez alterações na minuta antes da assinatura. O escritório de Viviane Barci de Moraes confirmou que o ministro teve acesso ao documento, mas apresentou outra explicação para o episódio. Segundo a banca, o setor de compliance solicitou informações a Moraes, na condição de marido da sócia-diretora, para verificar a existência de possíveis impedimentos legais relacionados à contratação. O escritório afirma que, como não havia previsão de atuação perante o STF nem impedimento identificado, o contrato foi assinado e os serviços foram prestados. MORAES NEGA IRREGULARIDADES Alexandre de Moraes nega ter cometido irregularidades e contesta as interpretações feitas a partir dos documentos e mensagens. Em manifestações sobre o caso, o ministro classificou como “farsa” as acusações de que teria atuado de maneira irregular em benefício do Banco Master ou de Vorcaro. Segundo a defesa apresentada pelo ministro e por seu entorno, ele nunca julgou causa envolvendo diretamente o Banco Master ou Daniel Vorcaro. As alegações e explicações apresentadas pelas partes ainda fazem parte do debate em torno das investigações. ENCONTROS E CONTATOS COM VORCARO Além do contrato, documentos analisados pela Polícia Federal apontam para uma relação social entre Moraes e Vorcaro. Mensagens encontradas no telefone do ex-banqueiro e outros registros passaram a ser analisados pelas autoridades e pela imprensa. A Folha de S.Paulo relatou que o material inclui registros de encontros privados e contatos entre os dois, além de informações relacionadas a viagens em aeronaves ligadas a empresas associadas a Vorcaro. O escritório de Viviane Barci de Moraes também se manifestou sobre os voos. A banca afirmou que contratou serviços de táxi aéreo da Prime Aviation, empresa associada a Vorcaro, mas negou que o empresário estivesse presente nos voos utilizados pelo escritório. VIAGENS EM AERONAVES LIGADAS AO EMPRESÁRIO A utilização de aeronaves vinculadas a empresas relacionadas a Vorcaro tornou-se outro ponto de questionamento público. Segundo informações divulgadas no curso das investigações, Moraes e sua esposa utilizaram aeronaves associadas a empresas ligadas ao empresário em determinados deslocamentos. O escritório afirma que contratava os serviços de aviação por meio das empresas responsáveis pelo transporte e que a escolha da aeronave não era feita diretamente pelo casal. Também declarou que Vorcaro não estava presente nos voos mencionados. CASO CHEGA AO CENÁRIO ELEITORAL A repercussão do caso ocorre em um momento particularmente sensível da política brasileira, às vésperas da eleição presidencial de 2026. Segundo o New York Times, o episódio passou a ser utilizado no debate político envolvendo os principais candidatos à Presidência, ampliando a dimensão da crise para além das discussões jurídicas e institucionais. Uma pesquisa Datafolha divulgada em setembro mostrou que 47% dos entrevistados disseram acreditar que a crise envolvendo o STF e o Banco Master terá alguma influência em seu voto para presidente. Outros 49% afirmaram que o episódio não terá impacto na decisão, enquanto 4% não souberam responder. A pesquisa ouviu 2.001 eleitores e teve margem de erro de dois pontos percentuais. O dado demonstra que o caso já alcançou o debate eleitoral, embora a pesquisa não permita concluir qual candidato seria beneficiado ou prejudicado pela repercussão. MORAES SE DECLARA IMPEDIDO EM PROCESSO SOBRE A PRÓPRIA ESPOSA Outro episódio recente aumentou a atenção sobre o caso. Em 21 de setembro, Moraes se declarou impedido de atuar como relator de uma ação que solicitava informações sobre registros de entrada e saída do Senado envolvendo sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e Daniel Vorcaro. O ministro havia sido sorteado para relatar o processo, mas deixou a relatoria após reconhecer que a ação envolvia diretamente sua esposa. Um novo relator deverá conduzir o caso. A decisão foi tomada com base no Código de Processo Civil, que prevê hipóteses de impedimento quando o processo envolve cônjuge ou parente próximo do magistrado. REPERCUSSÃO INTERNACIONAL A publicação do New York Times acrescenta uma dimensão internacional à controvérsia. O caso Banco Master já vinha sendo acompanhado por veículos estrangeiros. A Reuters, por exemplo, publicou uma investigação sobre a ascensão de Daniel Vorcaro aos círculos de poder em Brasília e sobre as relações que o banqueiro estabeleceu com autoridades e figuras políticas. Com as novas revelações, o episódio passou a ser discutido não apenas sob a perspectiva financeira e judicial, mas também em relação à transparência das relações entre empresários, autoridades públicas e instituições do Estado. INVESTIGAÇÃO CONTINUA As informações divulgadas até agora fazem parte de um conjunto mais amplo de documentos, mensagens e registros analisados no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master. A existência de contratos, encontros ou contatos entre empresários, advogados e autoridades não comprova, isoladamente, a prática de crime ou corrupção. A eventual existência de irregularidades depende da análise do conjunto das provas e das conclusões das autoridades competentes. O caso continua produzindo repercussões no STF, no Congresso, no ambiente político e na imprensa nacional e internacional. Fonte: The New York Times, Polícia Federal, Folha de S.Paulo, VEJA, CNN Brasil e UOL. Navegação de Post “TEMO PELA MINHA VIDA”: EMPRESÁRIO É MORTO E POLÍCIA INVESTIGA SUPOSTO PLANO NA BAHIA PF DESCOBRE MENSAGENS DE EX-CHEFE DE GABINETE DE LULA ATUANDO COMO CANAL DO BANCO MASTER NO PLANALTO