Presidente comparou o avanço das apostas on-line a um “tumor” e afirmou que a decisão de proibir as plataformas foi tomada diante de relatos de endividamento e outros problemas associados ao vício em apostas O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (25) que a decisão do governo de proibir as casas de apostas on-line no Brasil foi tomada após o avanço dos problemas associados ao jogo compulsivo. Durante o anúncio da medida em São Paulo, Lula comparou as bets a um “tumor” e declarou: “Ou a gente tira o tumor, ou esse tumor vai matar a gente.” A declaração ocorreu durante a apresentação de uma medida provisória (MP) que determina o encerramento das operações das plataformas de apostas no país. A MP produz efeitos a partir de sua publicação, mas precisa ser analisada pelo Congresso Nacional dentro do prazo constitucional para continuar vigente de forma definitiva. LULA CITA O AVANÇO DO VÍCIO EM APOSTAS Durante o discurso, Lula afirmou que os relatos recebidos pelo governo sobre pessoas endividadas em razão das apostas fizeram com que ele comparasse a situação ao período inicial da expansão do crack no Brasil. Segundo o presidente, a intenção da medida é interromper o acesso às plataformas e evitar que o problema continue se expandindo. Lula também afirmou que o governo chegou a discutir uma intervenção parcial, mas optou por uma medida mais abrangente. MEDIDA PROVISÓRIA BLOQUEIA NOVOS DEPÓSITOS A medida anunciada nesta sexta-feira determina o bloqueio de novos depósitos nas plataformas e estabelece um período para que os usuários possam retirar os valores existentes nas contas. Os apostadores terão até 23h59 de 5 de outubro para solicitar o saque dos saldos. A previsão é que, a partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos das plataformas sejam retirados do ar. O cronograma também prevê procedimentos posteriores para a identificação dos saldos e a devolução dos valores aos usuários. GOVERNO APONTA QUESTÕES DE SAÚDE PÚBLICA Durante o anúncio, integrantes do governo apresentaram as apostas como uma questão que também envolve saúde pública. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que os custos sociais associados às bets alcançariam R$ 38,8 bilhões por ano, segundo estimativa apresentada durante a cerimônia. O valor é uma estimativa e depende da metodologia utilizada para calcular os impactos sociais e econômicos das apostas. O Ministério da Fazenda também vinha adotando medidas contra plataformas consideradas irregulares. Em setembro, a Secretaria de Prêmios e Apostas publicou uma portaria ampliando mecanismos de prevenção, identificação e repressão a transações relacionadas à exploração ilegal de apostas. REDES SOCIAIS TAMBÉM ENTRARAM NO RADAR Um dia antes do anúncio da proibição, o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou ter determinado a remoção de 1.367 páginas e perfis utilizados para divulgar plataformas irregulares de apostas no Facebook e no Instagram. Segundo o ministério, foram identificadas 1.274 páginas no Facebook e 93 perfis no Instagram. A medida foi resultado de monitoramento realizado pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab). SETOR DAS BETS CONTESTA A DECISÃO A decisão do governo também provocou reação das entidades que representam o setor. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) afirmou que a medida poderá empurrar apostadores para plataformas ilegais e questionou os efeitos econômicos da proibição. A entidade também informou que avalia medidas judiciais contra a decisão. Essas manifestações representam a posição das empresas e entidades do setor e não alteram, por si só, a vigência imediata da medida provisória. MP AINDA SERÁ ANALISADA PELO CONGRESSO Embora a medida provisória tenha efeito imediato após sua publicação, sua continuidade depende da tramitação no Congresso Nacional. Caso não seja aprovada dentro do prazo constitucional, a MP poderá perder a eficácia. Durante esse período, deputados e senadores poderão analisar o texto e eventualmente propor alterações. A proibição anunciada pelo governo, portanto, ainda está sujeita ao processo legislativo previsto para medidas provisórias. DECLARAÇÃO DE LULA Ao justificar a decisão, Lula utilizou a comparação com um tumor para explicar a necessidade, segundo sua própria avaliação, de retirar as plataformas do mercado. “Ou a gente tira o tumor, ou esse tumor vai matar a gente”, afirmou o presidente durante o anúncio. A frase passou a repercutir nas redes sociais e em veículos de imprensa após a cerimônia. FONTE Estadão Conteúdo, Poder360, Ministério da Fazenda e Ministério da Justiça e Segurança Pública. Navegação de Post PATROCÍNIOS DE BETS CORRESPONDEM A 7,9% DAS RECEITAS DOS CLUBES DA SÉRIE A DO BRASILEIRÃO PREÇO DO ETANOL SOBE EM 13 ESTADOS, CAI EM 10 E FICA ESTÁVEL EM 2 E NO DF, APONTA ANP