Durante entrevista ao Canal Livre, presidente foi confrontado sobre falsa associação de Flávio Bolsonaro a projeto relacionado a Nossa Senhora Aparecida e afirmou que o conteúdo circulava fortemente nas redes sociais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi questionado durante entrevista ao programa Canal Livre, exibida pela Band no domingo (27), sobre a informação falsa que circulou nas redes sociais associando o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Durante a entrevista, a jornalista Adriana Araújo interrompeu a fala do presidente para questioná-lo sobre a veracidade da informação.

“Mas foi uma fake news, né, presidente?”, perguntou a jornalista.

Lula respondeu: “Eu não sei se foi fake news.” Em seguida, afirmou que o conteúdo estava circulando nas redes sociais.

“O dado concreto é que isso está na rede social muito forte”, declarou o presidente.

Na sequência, Lula afirmou que considera inaceitável qualquer tentativa de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida e fez referência a episódios envolvendo grupos religiosos.

“Mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável, não é aceitável”, disse o presidente. Ele também afirmou que respeita a religião evangélica e defendeu o respeito entre diferentes religiões.

Informação já havia sido desmentida

A declaração ocorreu poucos dias depois de a GloboNews corrigir uma informação veiculada no programa Em Pauta, que havia sido interpretada nas redes sociais como uma associação entre Flávio Bolsonaro e uma suposta proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Na madrugada de sexta-feira (25), a emissora reconheceu o erro e informou que a proposta mencionada havia sido apresentada em 2007 e arquivada pela Câmara dos Deputados em 2008. O projeto não foi apresentado por Flávio Bolsonaro.

Segundo o UOL, tratava-se do Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli. A proposta pretendia alterar a legislação relacionada ao feriado de 12 de outubro e foi arquivada em agosto de 2008.

Flávio Bolsonaro negou ter relação com a proposta e afirmou publicamente que a informação era falsa.

Decisão da Justiça Eleitoral

A repercussão do caso também chegou à Justiça Eleitoral. Na sexta-feira (25), o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a remoção de publicações que apresentassem como verdadeira a informação de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Na decisão provisória, Mendonça classificou a informação como “notoriamente inverídica” e determinou que as plataformas atuassem para impedir a disseminação de conteúdos que reproduzissem a narrativa como verdadeira.

Posteriormente, no domingo (27), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu uma decisão específica relacionada a uma publicação no X sobre Nossa Senhora Aparecida. Dino entendeu que aquele conteúdo não citava Flávio Bolsonaro nem integrantes de sua família e determinou o restabelecimento da postagem.

Repercussão eleitoral

O episódio passou a integrar o debate eleitoral na reta final do primeiro turno. Segundo levantamento citado pela Folha, a narrativa falsa alcançou ampla circulação nas redes sociais e provocou reações entre usuários que acreditaram na informação.

A declaração de Lula no Canal Livre acrescentou um novo capítulo à controvérsia porque ocorreu depois da retratação da GloboNews e de decisões judiciais relacionadas à disseminação da informação.

Ao afirmar que não sabia se a informação era falsa e que o conteúdo estava circulando fortemente nas redes, Lula não apresentou durante a entrevista uma fonte que comprovasse a existência de uma iniciativa de Flávio Bolsonaro nesse sentido.

O episódio passou a ser explorado pelas campanhas e por apoiadores dos dois candidatos, em meio à disputa presidencial de 2026. A discussão envolve, de um lado, a circulação de uma informação já desmentida e, de outro, o debate sobre como candidatos e plataformas devem lidar com conteúdos religiosos e políticos disseminados nas redes sociais.

O que está comprovado

Até o momento, os registros públicos consultados indicam que:

  • não há comprovação de que Flávio Bolsonaro tenha apresentado ou apoiado projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil;
  • o projeto mencionado na origem da controvérsia foi apresentado em 2007 por outro deputado;
  • a proposta foi arquivada em 2008;
  • a GloboNews corrigiu a informação e pediu desculpas;
  • a Justiça Eleitoral determinou a remoção de conteúdos que apresentassem a narrativa como verdadeira;
  • Lula, questionado sobre o assunto no Canal Livre, afirmou: “Eu não sei se foi fake news”, acrescentando que o conteúdo circulava fortemente nas redes sociais.

O caso continua repercutindo no ambiente eleitoral e nas redes sociais, especialmente pelo uso de temas religiosos na disputa presidencial.

Fonte: CNN Brasil, UOL, Folha de S.Paulo, Poder360 e Agência Brasil.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *