Pesquisa BTG/Nexus mostra Lula com 56% contra 27% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno entre beneficiários do programa; no segundo turno, petista recua de 71% para 61%

A nova rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (28), registrou uma mudança nas intenções de voto entre eleitores que recebem o Bolsa Família ou moram com alguém que recebe o benefício.

No cenário estimulado de primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 56%, ante 64% na rodada anterior. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL) passou de 17% para 27%.

Com isso, Lula registrou queda de 8 pontos percentuais, enquanto Flávio avançou 10 pontos no recorte. Os dados foram divulgados pela pesquisa BTG/Nexus, que ouviu 2 mil eleitores entre 25 e 27 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Segundo turno também registra mudança

A alteração aparece também na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Na rodada anterior, Lula tinha 71% entre os beneficiários do programa, contra 23% de Flávio. Agora, o presidente aparece com 61%, enquanto o senador chega a 34%.

Isso representa uma queda de 10 pontos percentuais para Lula e um crescimento de 11 pontos para Flávio Bolsonaro nesse recorte específico.

Os números mostram que, dentro da amostra pesquisada, a distância entre os dois candidatos diminuiu tanto na simulação de primeiro quanto na de segundo turno.

Reajuste do Bolsa Família ocorreu dias antes

A nova pesquisa foi realizada poucos dias depois do anúncio de uma atualização nos valores do Bolsa Família.

Em 17 de setembro, o governo federal anunciou uma recomposição de 15,04% nos benefícios. O valor mínimo garantido por família passou de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio estimado passou de R$ 675 para R$ 777.

A atualização, porém, começa a valer a partir da folha de outubro. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, a medida recompõe a inflação acumulada pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026.

Portanto, a pesquisa registra uma mudança nas intenções de voto poucos dias depois do anúncio do reajuste, mas não permite estabelecer uma relação de causa e efeito entre a atualização do benefício e a variação eleitoral.

Resultado geral é diferente

No conjunto do eleitorado, os números da mesma pesquisa apresentam uma distribuição diferente.

No primeiro turno, Lula aparece com 42%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 37%. Na simulação de segundo turno, o presidente tem 46%, contra 44% do senador.

No segundo turno, a diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

A comparação evidencia que o recorte dos beneficiários do Bolsa Família apresenta percentuais diferentes daqueles registrados no eleitorado geral.

O que os números mostram

A pesquisa BTG/Nexus registra, portanto, três movimentos no segmento formado por beneficiários do Bolsa Família ou pessoas que vivem com beneficiários:

  • Lula: 64% → 56% no primeiro turno;
  • Flávio Bolsonaro: 17% → 27% no primeiro turno;
  • Lula: 71% → 61% no segundo turno;
  • Flávio Bolsonaro: 23% → 34% no segundo turno.

No primeiro turno, a diferença entre os dois caiu de 47 para 29 pontos percentuais. No segundo turno, passou de 48 para 27 pontos.

Essas variações representam o retrato das intenções de voto no período em que a pesquisa foi realizada e não constituem, isoladamente, evidência de uma mudança definitiva no comportamento eleitoral.

Bolsa Família segue no centro da disputa eleitoral

O comportamento dos beneficiários do programa ganhou importância na campanha presidencial de 2026 porque o Bolsa Família representa uma das principais políticas de transferência de renda do governo federal.

O reajuste anunciado em setembro acrescentou o tema ao debate eleitoral, enquanto a pesquisa BTG/Nexus passou a mostrar uma oscilação relevante nas intenções de voto dentro desse segmento.

O acompanhamento das próximas pesquisas poderá indicar se os percentuais registrados nesta rodada permanecem ou se voltam a oscilar, algo comum em levantamentos eleitorais realizados em períodos próximos à votação.

Fonte: BTG Pactual/Nexus, Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e Agência Brasil.

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