Candidato do PL teria apresentado plano durante reunião com representantes da Conib; proposta busca reconstruir canais diplomáticos e sinalizar mudança na política externa brasileira em relação a Israel

O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, planeja visitar Israel logo no início de um eventual governo, caso seja eleito nas eleições de 2026. A informação foi divulgada pela Revista Oeste e também confirmada pela Folha de S.Paulo, a partir de uma reunião do senador com representantes da Confederação Israelita do Brasil (Conib).

A proposta sinaliza a intenção de Flávio de promover uma mudança na política externa brasileira em relação a Israel e buscar a reconstrução dos canais diplomáticos que foram fortemente afetados durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Reunião com a comunidade judaica

Segundo os relatos, Flávio apresentou a intenção de viajar a Israel durante encontro realizado em São Paulo com representantes da Conib, em 29 de setembro.

A entidade tem promovido reuniões com diferentes candidatos à Presidência durante o período eleitoral. Além de Flávio, participaram de encontros com a organização outros presidenciáveis, como Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury.

A eventual viagem de Flávio seguiria uma estratégia semelhante à adotada por seu pai, Jair Bolsonaro. Em 2019, poucos meses depois de assumir a Presidência, Bolsonaro realizou uma visita oficial a Israel.

Relação entre Lula e Israel

A relação entre os governos brasileiro e israelense sofreu uma forte deterioração em fevereiro de 2024, após declarações de Lula sobre a ofensiva israelense na Faixa de Gaza.

Durante uma viagem à Etiópia, o presidente brasileiro comparou a situação em Gaza às ações de Adolf Hitler contra os judeus durante o Holocausto. A declaração provocou uma reação imediata do governo israelense.

Em 19 de fevereiro daquele ano, o então ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, declarou Lula “persona non grata” no país até que houvesse uma retratação pelas declarações.

A decisão significou que o presidente brasileiro não seria recebido oficialmente em Israel enquanto a condição permanecesse vigente.

Não houve rompimento formal

Apesar do agravamento da crise, a relação entre Brasil e Israel não foi formalmente rompida.

O episódio, porém, provocou mudanças diplomáticas e uma redução significativa do nível de relacionamento entre os dois governos. A deterioração também envolveu a retirada do embaixador brasileiro de Israel e posteriores impasses relacionados à representação diplomática.

Por isso, uma eventual visita presidencial de Flávio a Israel teria também um caráter diplomático, caso o compromisso fosse colocado em prática.

Proposta representa mudança de orientação

A promessa de visitar Israel faz parte de uma sinalização mais ampla de mudança na política externa apresentada por Flávio Bolsonaro.

Reportagem da Folha publicada nesta semana também informou que o candidato estuda uma reformulação do Itamaraty inspirada em mudanças realizadas no Departamento de Estado dos Estados Unidos durante o governo Donald Trump. A proposta inclui revisão das prioridades diplomáticas brasileiras e concentração de esforços em países considerados estratégicos.

No caso de Israel, a eventual viagem logo no início de um governo representaria uma tentativa de reabrir canais políticos de alto nível e estabelecer uma nova relação com o governo israelense.

Relação com o governo Bolsonaro

A iniciativa também retoma uma política de aproximação que marcou o governo Jair Bolsonaro.

Durante sua Presidência, Bolsonaro realizou uma visita oficial a Israel em 2019 e estabeleceu uma relação política mais próxima com o governo israelense.

Flávio Bolsonaro agora sinaliza a intenção de recuperar parte dessa aproximação, caso assuma a Presidência.

Contexto eleitoral

A declaração ocorre durante a campanha presidencial de 2026 e em meio a uma série de manifestações dos candidatos sobre política externa.

A posição em relação a Israel também possui repercussão dentro da comunidade judaica brasileira, especialmente diante do histórico recente de tensão entre os governos de Brasília e Jerusalém.

A Conib, por sua vez, vem recebendo diferentes candidatos para apresentar suas propostas e discutir temas relacionados ao Brasil, à comunidade judaica e às relações internacionais.

O que está previsto

  • Flávio Bolsonaro afirmou que pretende visitar Israel no início de um eventual governo;
  • A intenção foi apresentada durante reunião com representantes da Conib;
  • A viagem teria como objetivo reconstruir canais diplomáticos com Israel;
  • A proposta ocorre após a deterioração das relações entre os governos Lula e Netanyahu;
  • Em 2024, Israel declarou Lula “persona non grata” após declarações do presidente brasileiro sobre a guerra em Gaza;
  • Brasil e Israel não romperam formalmente relações diplomáticas;
  • A iniciativa de Flávio retoma uma política de aproximação adotada durante o governo Jair Bolsonaro;
  • A eventual viagem dependeria da eleição e da formação do próximo governo brasileiro.

A proposta coloca a relação com Israel entre os temas de política externa discutidos na campanha presidencial e sinaliza que uma eventual administração de Flávio Bolsonaro pretende adotar uma orientação diferente da política implementada pelo governo Lula nos últimos anos.

Fonte: Revista Oeste e Folha de S.Paulo.

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