Senador e candidato à Presidência afirma esperar voto favorável da ministra à abertura de investigação contra o ministro do STF e diz que decisão poderá marcar a trajetória da magistrada

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) pressionou publicamente a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que se posicione favoravelmente à abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

A cobrança ocorreu neste domingo (6), durante uma transmissão nas redes sociais. Flávio afirmou que aguarda o posicionamento de Cármen Lúcia no julgamento previsto para analisar a possibilidade de investigação formal contra Moraes.

COBRANÇA DIRETA À MINISTRA

Durante a transmissão, Flávio questionou como Cármen Lúcia irá votar e associou a decisão ao histórico da ministra no Supremo.

O senador afirmou que espera que ela mantenha, no caso, posições que atribuiu à sua trajetória, como defesa da democracia, da liberdade e do combate à impunidade.

Em seguida, fez uma cobrança direta à magistrada, perguntando se ela permitirá que Moraes seja formalmente investigado ou se, segundo suas palavras, irá proteger o colega de Corte. Flávio também afirmou que uma eventual decisão contrária à investigação poderia prejudicar a história e a biografia da ministra.

CRISE ENVOLVE MORAES E MENDONÇA

A manifestação de Flávio ocorre em meio à crescente crise interna no STF envolvendo Moraes e o ministro André Mendonça.

O caso ganhou força após a divulgação de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e relacionadas a Moraes. O material foi obtido pela Polícia Federal no contexto das investigações envolvendo o Banco Master e posteriormente teve o sigilo levantado por Mendonça.

Mendonça também liberou o caso para julgamento no plenário do Supremo. A definição da data cabe ao presidente da Corte, Edson Fachin.

CÁRMEN LÚCIA NO CENTRO DA DISPUTA

Nesse cenário, Cármen Lúcia passou a ser considerada uma figura importante para o desfecho da disputa interna. Segundo informações publicadas neste domingo, a ministra ainda não teria declarado apoio a nenhum dos lados e avalia questionamentos relacionados tanto a Moraes quanto a Mendonça.

A posição da ministra é acompanhada de perto porque o julgamento poderá expor publicamente diferentes posições dentro da Corte e aprofundar o debate sobre os limites da atuação dos ministros.

FLÁVIO TAMBÉM CONVOCA APOIADORES PARA O 7 DE SETEMBRO

Durante a mesma transmissão, Flávio Bolsonaro convocou seus apoiadores para as manifestações previstas para esta segunda-feira (7), Dia da Independência.

O candidato afirmou que a mobilização popular poderá exercer pressão sobre integrantes do Supremo. Segundo ele, uma grande participação nos atos poderia influenciar ministros considerados sensíveis à pressão da opinião pública.

A declaração acrescenta um componente político à crise institucional que envolve o STF, justamente às vésperas das manifestações de 7 de Setembro.

DISPUTA GANHA DIMENSÃO POLÍTICA

A cobrança de Flávio ocorre durante a campanha presidencial de 2026 e coloca o conflito envolvendo Moraes no centro do debate político nacional.

Enquanto setores ligados à direita defendem uma investigação sobre a conduta de Moraes, aliados do ministro contestam a forma como Mendonça conduziu parte das apurações e questionam a validade de determinados procedimentos.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também apresentou questionamentos sobre o relatório da Polícia Federal e sobre a forma como a investigação foi conduzida.

Até o momento, Cármen Lúcia não anunciou publicamente qual será seu posicionamento. O julgamento deverá definir os próximos passos da crise e poderá representar um dos momentos mais delicados da atual disputa interna no Supremo.

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