Conselho que reúne lideranças evangélicas afirma que não existe iniciativa para retirar feriados religiosos ou impedir cultos e acusa presidente e apoiadores de utilizarem informação falsa para atingir adversário político

O Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil (CIMEB) divulgou nesta segunda-feira (28) uma nota de repúdio em meio à repercussão de uma informação envolvendo o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e questões religiosas.

Na manifestação, o conselho afirma que “evangélicos e católicos vivem em paz” e nega a existência de qualquer articulação de lideranças evangélicas, junto a candidaturas, para retirar feriados religiosos ou impedir cultos e celebrações de outras religiões.

Segundo a entidade, a narrativa que circula no ambiente político estaria sendo utilizada para provocar uma divisão entre católicos e evangélicos. O CIMEB acusa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seus apoiadores de recorrerem a uma informação que considera falsa para atingir um adversário político.

CIMEB fala em “guerra religiosa”

O episódio está relacionado à circulação de conteúdos que atribuem a Flávio Bolsonaro uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Flávio tem negado essa intenção. Segundo relatos publicados nesta segunda-feira, a manifestação do CIMEB surgiu justamente em meio à repercussão desse conteúdo e à disputa política em torno do tema religioso.

Na nota, o conselho afirma que a utilização da questão religiosa poderia estimular uma espécie de “guerra religiosa” entre católicos e evangélicos. Essa caracterização, porém, é atribuída à própria entidade e integra sua manifestação política sobre o episódio.

Entidade nega cancelamento de feriados e cultos

Um dos principais pontos do comunicado é a negativa de que lideranças evangélicas estejam negociando com candidatos propostas para cancelar feriados religiosos.

O CIMEB também afirma que não existe qualquer iniciativa para impedir cultos, celebrações ou manifestações religiosas de outras crenças.

A entidade sustenta que diferentes comunidades cristãs convivem normalmente no país e que divergências eleitorais não deveriam ser transformadas em conflito entre grupos religiosos.

Mais de 10 mil pastores

O CIMEB se apresenta como uma organização que reúne ministros evangélicos de diferentes denominações. Em sua própria página institucional, a entidade informa que recebe pastores, evangelistas e missionários como associados.

Na manifestação divulgada nesta segunda-feira, o conselho afirma reunir mais de 10 mil pastores.

Entre os nomes que aparecem associados ao documento estão Silas Malafaia, Estevam Hernandes, Robson Rodovalho, Samuel Câmara, César Augusto, Galdino Júnior, Jabes de Alencar, Teo Hayashi, Claudio Duarte, Luiz Hermínio, Ezequiel Teixeira, Paulo Roberto, Marcus Gregório e Simonton Araújo, segundo as reportagens que repercutiram a nota.

Alguns dos signatários são publicamente identificados com posições favoráveis a Flávio Bolsonaro, fato que também foi destacado nas reportagens sobre o episódio.

Religião volta ao centro da disputa eleitoral

A manifestação ocorre em um momento em que temas religiosos voltaram a ocupar espaço importante no debate eleitoral de 2026.

A controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida passou a ser explorada politicamente depois da circulação de conteúdos que associavam Flávio Bolsonaro a uma suposta proposta contra o título de Padroeira do Brasil. A informação foi negada pelo candidato, enquanto o CIMEB classificou a narrativa como falsa.

A acusação de que Lula e seus apoiadores estariam promovendo uma “guerra religiosa” é, portanto, uma posição expressa pelo CIMEB em sua nota de repúdio. As reportagens que registraram a manifestação não apresentam essa acusação como uma conclusão independente sobre a atuação do presidente.

Disputa política e informação religiosa

O caso evidencia como questões religiosas podem ser incorporadas à disputa eleitoral, especialmente quando envolvem símbolos de forte identificação para diferentes grupos da população.

O CIMEB afirma que não há articulação de líderes evangélicos para retirar feriados ou restringir manifestações religiosas e defende que católicos e evangélicos mantenham a convivência pacífica.

Ao final da manifestação, a entidade reafirma sua posição contra o que considera uma narrativa falsa e encerra o documento com a mensagem “Deus abençoe o Brasil”.

O episódio permanece inserido na disputa eleitoral de 2026, com diferentes grupos políticos apresentando interpretações distintas sobre o uso de temas religiosos na campanha.

Fontes: UOL/Agência Estado, CNN Brasil, Poder360, Metrópoles e CIMEB.

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