Estoque da dívida encerra agosto em R$ 9,293 trilhões, enquanto juros somam R$ 88,39 bilhões no mês e custo médio sobe para 12,59% ao ano A Dívida Pública Federal (DPF) encerrou agosto de 2026 em aproximadamente R$ 9,293 trilhões, segundo dados do Relatório Mensal da Dívida divulgado nesta segunda-feira (28) pelo Tesouro Nacional. O estoque avançou 0,04% em relação a julho, quando estava em cerca de R$ 9,288 trilhões. O resultado ocorreu mesmo com um resgate líquido de R$ 84,43 bilhões durante o mês. A pressão contrária veio da apropriação de juros, que acrescentou R$ 88,39 bilhões ao estoque da dívida em agosto. Juros impedem redução do estoque Os números mostram o peso dos encargos financeiros na evolução da dívida. Embora o Tesouro tenha resgatado mais títulos do que emitiu em agosto, a apropriação de juros foi suficiente para compensar o efeito dos resgates e manter o estoque em trajetória positiva. Na Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi), o estoque caiu 0,05%, passando de R$ 8,948 trilhões para R$ 8,944 trilhões. Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe) avançou 2,41%, chegando a R$ 348,26 bilhões. Mais da metade da dívida está vinculada a taxas flutuantes A composição da dívida também mudou em agosto. Os títulos remunerados por taxas flutuantes, principalmente aqueles vinculados à Selic, passaram de 51,11% para 52,74% da DPF. Os títulos vinculados a índices de preços representaram 23,22%, enquanto os prefixados responderam por 20,31%. Os papéis cambiais representaram os 3,74% restantes. A participação dos títulos atrelados à Selic ficou dentro da faixa prevista no Plano Anual de Financiamento (PAF) revisado para 2026, de 49% a 53%. Custo médio sobe para 12,59% Outro indicador acompanhado pelo Tesouro foi o custo médio da dívida. O custo médio acumulado em 12 meses passou de 12,45% ao ano, em julho, para 12,59% ao ano, em agosto. Ao mesmo tempo, o prazo médio aumentou de 4,05 para 4,10 anos, indicando um pequeno alongamento do perfil dos vencimentos. A parcela da dívida com vencimento em até 12 meses também caiu de 18,91% para 16,39%, reduzindo a concentração de vencimentos de curto prazo. Colchão de liquidez recua quase 12% A reserva de liquidez do Tesouro Nacional, utilizada para administrar os compromissos financeiros da União, também sofreu redução. O chamado colchão de liquidez caiu 11,89% em termos nominais durante agosto, passando de aproximadamente R$ 1,37 trilhão para R$ 1,208 trilhão. Apesar da queda em relação a julho, a reserva ainda estava 6,49% acima do valor registrado em agosto de 2025, quando somava cerca de R$ 1,13 trilhão. Dívida já supera R$ 9 trilhões O novo resultado mantém a dívida federal em patamar nominal recorde. A evolução do estoque precisa ser analisada levando em consideração diferentes fatores, entre eles emissões e resgates de títulos, apropriação de juros, inflação e variações cambiais. Portanto, o crescimento nominal do estoque não representa, isoladamente, uma medida completa da situação fiscal do país. O próprio Tesouro acompanha, além do valor nominal, indicadores como custo médio, prazo de vencimento, composição dos títulos e necessidade de refinanciamento. Projeção para o fim de 2026 Com os números registrados até agosto, o Tesouro mantém a projeção de que a Dívida Pública Federal encerre 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. Isso significa que, dependendo da evolução das emissões, resgates, juros e demais fatores até dezembro, o estoque poderá terminar o ano significativamente acima do nível registrado no final de 2025. Debate fiscal ganha novo elemento O resultado divulgado pelo Tesouro coloca novamente a trajetória da dívida pública no centro do debate econômico. O governo federal defende sua estratégia de gestão fiscal e de administração da dívida, enquanto economistas e críticos da política fiscal divergem sobre o ritmo adequado de ajuste das contas públicas e sobre os efeitos dos juros na trajetória do endividamento. O dado objetivo divulgado nesta segunda-feira é que a Dívida Pública Federal chegou a aproximadamente R$ 9,293 trilhões em agosto, com alta mensal de 0,04%, enquanto o custo médio acumulado em 12 meses alcançou 12,59% ao ano. O próximo relatório do Tesouro permitirá acompanhar se o estoque continuará avançando e como os juros, as emissões e os resgates afetarão a trajetória da dívida nos últimos meses de 2026. Fontes: Tesouro Nacional, Ministério da Fazenda e Relatório Mensal da Dívida Pública Federal. Navegação de Post APÓS FLÁVIO DESAFIAR LULA, DEBATE DA GLOBO ENTRA NA RETA FINAL COM PRESENÇA DO PRESIDENTE AINDA INDEFINIDA NUNES MARQUES PREPARA REAÇÃO A DINO E COBRA FACHIN SOBRE DECISÕES ELEITORAIS