Polícia Federal encerra apuração preliminar sobre possível interferência dos Estados Unidos nas eleições de 2026 após concluir que não havia elementos mínimos para justificar a abertura de inquérito

A Polícia Federal arquivou nesta quarta-feira (7) a apuração preliminar que analisava uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições presidenciais brasileiras de 2026. Segundo informações divulgadas nesta quarta, a corporação concluiu que não havia indícios mínimos de ilícitos que justificassem a abertura de um inquérito policial.
A apuração havia sido solicitada pela Advocacia-Geral da União (AGU), após uma reportagem do jornal britânico The Guardian levantar suspeitas sobre o uso de recursos do governo norte-americano para financiar iniciativas e organizações com atuação no Brasil.
O caso ganhou repercussão depois de informações sobre um programa do Departamento de Estado dos Estados Unidos destinado ao financiamento de projetos relacionados a direitos humanos e democracia. De acordo com a denúncia que motivou a reação do governo brasileiro, cerca de US$ 1 milhão teria sido direcionado para um projeto denominado “Countering Lawfare and Censorship in Brazil”, relacionado a críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A partir das informações divulgadas, a AGU pediu que as autoridades brasileiras verificassem se havia participação de entidades ou pessoas no Brasil e se os recursos poderiam representar uma tentativa de interferência estrangeira no processo político e eleitoral brasileiro.
A Polícia Federal, porém, realizou uma análise preliminar dos elementos disponíveis e concluiu que não havia base mínima para transformar o procedimento em um inquérito policial formal. Com isso, a apuração foi encerrada.
A investigação preliminar havia sido anunciada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, poucos dias antes do primeiro turno. Na ocasião, ele explicou que a análise prévia fazia parte dos procedimentos utilizados pela instituição para verificar se existiam elementos suficientes para uma investigação formal.
A possibilidade de interferência estrangeira também chegou ao debate no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em meio à disputa presidencial e às tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou durante o processo eleitoral que não havia ameaça concreta à realização do pleito.
A posição do TSE contrastou com a preocupação manifestada anteriormente por setores do governo brasileiro, que consideraram necessário esclarecer se recursos públicos estrangeiros estavam sendo destinados a grupos brasileiros e se havia alguma relação entre esse financiamento e a disputa eleitoral.
O pedido da AGU teve origem em uma denúncia jornalística sobre o programa norte-americano. Entretanto, a existência de um programa de financiamento ou de um edital, por si só, não comprovou que recursos tenham sido efetivamente utilizados para interferir diretamente nas eleições brasileiras.
A decisão da PF não significa que todas as questões relacionadas à atuação dos Estados Unidos no Brasil tenham sido encerradas. Existem outros episódios envolvendo a relação entre os dois países que permanecem no centro do debate político e diplomático, mas a apuração específica sobre eventual interferência eleitoral não avançou para um inquérito formal.
O episódio ocorreu em um momento de forte tensão entre Brasília e Washington. O governo de Donald Trump vinha acompanhando publicamente a situação política brasileira, enquanto autoridades americanas e brasileiras trocavam críticas e medidas diplomáticas relacionadas ao processo eleitoral e às instituições brasileiras.
Trump afirmou que acompanhava de perto as eleições brasileiras e classificou o pleito como importante, mas não declarou apoio formal a nenhum dos candidatos presidenciais. A declaração ocorreu poucos dias antes do primeiro turno, em meio às discussões sobre a relação entre os dois governos.
Paralelamente, a campanha de Lula havia solicitado ao TSE que analisasse outros episódios envolvendo os Estados Unidos, incluindo a suspensão temporária de serviços presenciais em representações diplomáticas americanas no Brasil. A iniciativa foi apresentada no contexto das suspeitas de possível interferência estrangeira nas eleições.
Com o arquivamento anunciado pela Polícia Federal, a hipótese específica de que recursos norte-americanos estariam sendo utilizados para interferir diretamente nas eleições de 2026 não resultou, até o momento, em investigação policial formal.
A decisão também ocorre após o primeiro turno das eleições, realizado no domingo (4), quando o processo eleitoral foi concluído sem registro de ameaça concreta à realização da votação. O TSE informou que a Justiça Eleitoral passou a preparar a segunda etapa do pleito após o encerramento da apuração.
Dessa forma, a apuração solicitada pela AGU terminou sem que a Polícia Federal encontrasse elementos suficientes para sustentar a abertura de um inquérito. O caso, que havia levantado suspeitas sobre uma possível interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro, foi encerrado na fase preliminar.

Fonte: Polícia Federal, Tribunal Superior Eleitoral e informações divulgadas pela imprensa sobre o pedido da AGU e a apuração preliminar.

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