Proprietário do escritório onde Isabelle Caracristi estagiava afirmou à polícia que precisou separar fisicamente a jovem de João Munhoz Neto e advertiu o então gestor após ela relatar dificuldades para trabalhar com autonomia

Novos detalhes sobre os últimos meses de vida de Isabelle Caracristi, de 22 anos, surgiram durante a investigação da morte da estudante de Direito em Fortaleza, no Ceará.

O proprietário do escritório de advocacia onde Isabelle estagiava e onde o namorado dela, João Munhoz Neto, atuava como gestor prestou depoimento à Polícia Civil e relatou que a jovem havia reclamado da dinâmica profissional mantida com o companheiro.

Segundo o depoimento, Isabelle afirmou que se sentia “sufocada” no ambiente de trabalho e que tinha dificuldades para desempenhar determinadas funções com autonomia. As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo e pelo Diário do Nordeste.

DONO DO ESCRITÓRIO FOI PROCURADO PELA ESTUDANTE

De acordo com o depoimento de Rudá Bezerra de Carvalho, proprietário do escritório, Isabelle procurou o então chefe para relatar problemas relacionados à maneira como João conduzia a rotina profissional dos dois.

Segundo o advogado que representa Rudá, a estudante teria dito que não conseguia exercer suas funções com a independência que esperava.

Ela teria relatado, ainda, que João não permitia que participasse sozinha de determinadas audiências ou desempenhasse algumas atividades profissionais de forma independente.

A informação consta do depoimento prestado à Polícia Civil e deve ser analisada em conjunto com os demais elementos reunidos no inquérito.

COMPUTADORES FORAM SEPARADOS

O proprietário do escritório também afirmou que tomou medidas para evitar a proximidade constante entre os dois durante o expediente.

Segundo o relato, os computadores utilizados por Isabelle e João foram colocados em locais diferentes.

A medida teria sido adotada depois que Rudá tomou conhecimento do relacionamento entre os dois e conversou individualmente com ambos.

O proprietário também teria advertido João sobre a situação e determinado que Isabelle não poderia continuar trabalhando em condições que, segundo o relato dela, prejudicavam sua autonomia profissional.

JOÃO TERIA SIDO ADVERTIDO

Ainda conforme o depoimento, Rudá teria dito a João que, caso a situação continuasse, Isabelle poderia deixar o escritório.

O proprietário afirmou também que João teria pedido em outras ocasiões que a namorada retornasse ao escritório depois de seu desligamento.

O pedido, segundo o depoimento, foi recusado.

Isabelle deixou o escritório em 17 de agosto, alegando questões pessoais e falta de adaptação ao ambiente profissional. Segundo o relato do ex-chefe, ela não mencionou especificamente o namorado como motivo formal para o desligamento naquele momento.

RELACIONAMENTO PROFISSIONAL E AFETIVO

A relação entre Isabelle e João tinha uma particularidade: além de serem namorados, os dois mantinham vínculo profissional.

Essa proximidade passou a ser um dos pontos analisados pelos investigadores.

O depoimento do proprietário do escritório acrescenta informações sobre o período anterior à morte da estudante e sobre reclamações que, segundo ele, foram feitas por Isabelle enquanto ainda trabalhava no local.

As informações, entretanto, não constituem, isoladamente, uma conclusão sobre a causa ou a dinâmica da morte.

POLÍCIA INVESTIGA POSSÍVEL VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA

A Polícia Civil do Ceará afirmou anteriormente que possui depoimentos e elementos que apontam para uma possível situação de violência psicológica envolvendo Isabelle.

O delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, afirmou que havia relatos segundo os quais a estudante enfrentava restrições relacionadas à sua liberdade e rotina.

O Diário do Nordeste também informou que a extração inicial de dados do celular da vítima apontou elementos que, segundo a perícia, sustentam a continuidade da investigação sobre possível violência psicológica e eventual induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio.

Essas linhas de investigação ainda dependem da conclusão do inquérito e da análise das provas.

MENSAGENS E ÁUDIOS ESTÃO NO CENTRO DA INVESTIGAÇÃO

O celular de Isabelle foi apreendido e submetido à perícia.

Segundo o Diário do Nordeste, a estudante teria enviado mensagens e áudios a um parente no dia de sua morte relatando problemas no relacionamento e pedindo que determinados registros fossem preservados.

O conteúdo está sendo analisado pelos investigadores.

A reportagem também informou que Isabelle teria relatado ao familiar situações envolvendo ciúmes, controle e ameaças atribuídas ao namorado.

As declarações são atribuídas à vítima e integram o material investigativo, não representando, por si só, uma condenação ou conclusão definitiva sobre João.

MORTE OCORREU EM 13 DE SETEMBRO

Isabelle foi encontrada morta em 13 de setembro, em um condomínio localizado no bairro Aldeota, em Fortaleza.

O laudo da Perícia Forense do Ceará apontou politraumatismo, com lesões compatíveis com impacto contra o solo após uma queda.

Os exames toxicológicos divulgados até o momento não identificaram substâncias tóxicas no organismo da jovem.

A dinâmica completa da morte continua sendo investigada.

JOÃO MUNHOZ ESTÁ PRESO

João Munhoz Neto foi preso preventivamente pela Polícia Civil do Ceará em 22 de setembro.

Segundo informações divulgadas sobre o caso, a prisão foi fundamentada em investigação relacionada aos crimes de ameaça e de induzimento, instigação ou auxílio a suicídio.

A defesa de João nega envolvimento na morte de Isabelle e afirma que ele tem colaborado com as investigações. Também contesta a existência de elementos que comprovem uma postura controladora ou violência psicológica por parte dele.

INVESTIGAÇÃO AINDA BUSCA RECONSTRUIR AS ÚLTIMAS HORAS

Além dos depoimentos, a Polícia Civil analisa imagens de câmeras de segurança, dados de celulares e outros vestígios recolhidos durante a investigação.

A perícia também realizou exames no local onde Isabelle foi encontrada.

Até o momento, as autoridades ainda não divulgaram uma conclusão definitiva sobre todas as circunstâncias que antecederam a queda.

O novo depoimento do proprietário do escritório, portanto, acrescenta uma peça à investigação ao revelar que Isabelle já havia relatado dificuldades na relação profissional com João antes de deixar o emprego.

CASO SEGUE SOB INVESTIGAÇÃO

O caso reúne depoimentos de familiares, amigos, antigos colegas de trabalho e outras pessoas que tiveram contato com Isabelle nos dias e semanas anteriores à morte.

O objetivo da investigação é reconstruir a rotina da jovem, esclarecer as circunstâncias da queda e verificar se houve algum tipo de violência ou influência de terceiros.

Até que a apuração seja concluída e as provas sejam analisadas pelas autoridades e pelo Judiciário, as acusações contra João Munhoz devem ser tratadas como alegações sob investigação, preservando-se o direito à defesa e a presunção de inocência.

Fonte: Folha de S.Paulo; Diário do Nordeste; CNN Brasil; Polícia Civil do Ceará.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *