Reportagem exibida pelo Jornal Nacional apontou que a Polícia Federal solicitou documentos sobre o programa de crédito consignado; segundo a apuração, parte do material ainda não havia sido encaminhada pelo governo Jerônimo Rodrigues Uma reportagem exibida pelo Jornal Nacional neste sábado (12) colocou novamente o Credcesta, programa de crédito consignado destinado a servidores públicos da Bahia, no centro das investigações relacionadas ao caso Banco Master. Segundo a reportagem, a Polícia Federal solicitou ao Governo da Bahia documentos relacionados à criação e à operação do Credcesta, incluindo informações sobre a licitação e o decreto que instituiu o programa. Até a data da reportagem, entretanto, a PF ainda não teria recebido toda a documentação solicitada. O episódio acrescenta um novo capítulo às investigações que buscam reconstruir a trajetória do Credcesta e sua relação com instituições que posteriormente estiveram ligadas ao Banco Master. PF QUER DOCUMENTOS SOBRE A ORIGEM DO CREDCESTA De acordo com as informações divulgadas, a Polícia Federal pediu ao governo baiano a íntegra da documentação relacionada à licitação e ao decreto que criou o Credcesta. O objetivo é reunir elementos para compreender como o programa foi estruturado, quais regras foram estabelecidas pelo poder público e como ocorreu a evolução do negócio ao longo dos anos. A documentação também pode ajudar os investigadores a reconstruir a sequência de atos administrativos que permitiram a operação do crédito consignado destinado aos servidores estaduais. Segundo a reportagem do Jornal Nacional, parte dos documentos ainda não havia sido encaminhada à Polícia Federal. CREDCESTA ENTROU NO RADAR DO CASO MASTER O Credcesta passou a ocupar posição importante nas investigações sobre o Banco Master porque o programa acabou sendo operado por instituições financeiras que posteriormente fizeram parte da trajetória de expansão do grupo. Reportagens anteriores apontaram que o programa teve origem na estrutura da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e passou por um processo de privatização durante o governo de Rui Costa, em 2018. Segundo levantamento do Poder360, o leilão incluiu a rede Cesta do Povo e o programa de consignados. Posteriormente, o Credcesta passou a ser operado pelo Banco Máxima, instituição que mais tarde se tornou o Banco Master. A PF busca justamente esclarecer se houve irregularidades em alguma etapa dessa trajetória. O PAPEL DO GOVERNO DA BAHIA O atual governo estadual é comandado por Jerônimo Rodrigues (PT). O programa, porém, possui uma trajetória que atravessa diferentes administrações estaduais. Isso significa que a solicitação da PF não se limita necessariamente a atos praticados durante a atual gestão. A investigação precisa analisar documentos de diferentes períodos para entender como o Credcesta foi criado, privatizado, regulamentado e posteriormente operado. O Poder360, por exemplo, publicou levantamento apontando que decretos assinados durante o governo Rui Costa, em 2018 e posteriormente em 2022, alteraram regras relacionadas ao programa. As pessoas citadas nas reportagens negam irregularidades. INVESTIGAÇÃO TAMBÉM ALCANÇA POLÍTICOS E EMPRESÁRIOS O caso Master deixou de ser restrito à situação financeira do banco e passou a envolver diferentes relações empresariais e políticas que estão sendo analisadas pela Polícia Federal. Entre os nomes que aparecem em documentos e reportagens relacionadas à investigação está o senador Jaques Wagner (PT-BA). A PF também investigou relações envolvendo Augusto Lima, empresário que teve participação na história do Credcesta e posteriormente se tornou sócio de Daniel Vorcaro. Em junho, a Folha de S.Paulo informou que a PF investigava a atuação de Eduardo Sodré, secretário de Meio Ambiente da Bahia e enteado de Jaques Wagner, em cobranças dirigidas a Augusto Lima. A reportagem também mencionou um repasse de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada ao Credcesta para uma empresa da esposa de Sodré. Essas informações fazem parte de linhas investigativas distintas e não significam, por si só, comprovação de crime ou participação de todos os citados em eventuais irregularidades. POR QUE A DOCUMENTAÇÃO É IMPORTANTE? Para os investigadores, os documentos solicitados podem ajudar a responder perguntas fundamentais sobre o funcionamento do programa. Entre elas: Como o Credcesta foi estruturado originalmente; quais regras foram estabelecidas pelo governo estadual; como ocorreu a transferência da operação para a iniciativa privada; quais empresas participaram do negócio; como foram definidos os contratos; quais mudanças ocorreram ao longo dos anos; e se houve eventual favorecimento indevido ou irregularidade administrativa. A análise documental é especialmente importante porque a investigação precisa diferenciar atos administrativos regulares de eventuais condutas ilícitas. GOVERNO PRECISA EXPLICAR O QUE JÁ FOI ENVIADO A informação de que a PF ainda não teria recebido toda a documentação solicitada aumenta a pressão por esclarecimentos por parte do Governo da Bahia. É necessário saber quais documentos foram efetivamente entregues, quais ainda estão pendentes e por qual razão o material restante não havia sido encaminhado até a exibição da reportagem. Também é importante esclarecer se existe algum impedimento jurídico, administrativo ou técnico para o fornecimento dos documentos. Até o momento, a informação disponível é de que a PF afirma não ter recebido todo o material solicitado. Isso não permite concluir, por si só, que houve intenção de dificultar a investigação. CASO MASTER GANHA NOVOS DESDOBRAMENTOS O pedido relacionado ao Credcesta ocorre em um momento de ampliação das investigações sobre o Banco Master. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou recentemente a retirada do sigilo de documentos relacionados às investigações que envolvem políticos e pessoas ligadas ao banco. Entre os materiais analisados estão informações sobre relações financeiras e empresariais envolvendo diferentes personagens. No caso específico da Bahia, o Credcesta é considerado uma peça relevante para compreender a trajetória que levou o negócio de um programa vinculado à estrutura estatal para uma operação financeira posteriormente associada ao Banco Master. O QUE A PF AINDA PRECISA ESCLARECER A investigação terá de estabelecer se houve apenas decisões administrativas controversas ou se existem elementos que indiquem vantagem indevida, fraude, tráfico de influência, corrupção ou outros crimes. Até agora, é fundamental não transformar suspeitas investigativas em conclusões definitivas. O fato de a Polícia Federal solicitar documentos demonstra que a apuração está em andamento, mas não significa que irregularidades já tenham sido comprovadas. Da mesma forma, eventual atraso no envio de documentos precisa ser esclarecido antes que se atribua ao governo estadual qualquer intenção deliberada de impedir o trabalho da polícia. CONCLUSÃO A cobrança da Polícia Federal por documentos do Credcesta coloca novamente a Bahia no centro das investigações do caso Banco Master. A reportagem do Jornal Nacional revelou que, até sábado (12), a PF ainda não havia recebido toda a documentação solicitada ao Governo da Bahia sobre a origem e a estrutura do programa. Agora, a expectativa é que o governo estadual esclareça quais documentos foram entregues, quais permanecem pendentes e quando o material restante será encaminhado à Polícia Federal. A análise desses documentos poderá ser importante para reconstruir a história do Credcesta e verificar se houve alguma irregularidade na formação e evolução do negócio. Até que as investigações sejam concluídas, eventuais suspeitas devem ser tratadas como hipóteses investigativas, e não como fatos comprovados. Fontes: Jornal Nacional/TV Globo; Polícia Federal; Poder360; Folha de S.Paulo. Navegação de Post STF: SESSÃO QUE PODE DEFINIR FUTURO DE MORAES SERÁ TRANSMITIDA AO VIVO ÀS VÉSPERAS DO JULGAMENTO, MOVIMENTAÇÕES NO STF COLOCAM EM XEQUE SESSÃO SOBRE MORAES