Um crime brutal voltou a expor a violência enfrentada por lideranças indígenas no Brasil. O vice-cacique do povo Guarani-Kaiowá, identificado como Givaldo Santos Kaiowá, de 40 anos, foi assassinado a tiros na noite da última sexta-feira (1º), às margens da rodovia MS-289, no sul de Mato Grosso do Sul. O crime ocorreu nas proximidades da Reserva Indígena Taquaperi, entre os municípios de Coronel Sapucaia e Amambai. Segundo relatos da comunidade, dois homens em uma motocicleta abordaram o líder indígena e efetuaram vários disparos. Givaldo foi atingido, inclusive, na cabeça e morreu ainda no local. De acordo com testemunhas, os suspeitos teriam passado horas antes pela região perguntando pela vítima. No momento do ataque, o vice-cacique estava na estrada aguardando um familiar quando foi surpreendido pelos atiradores. Comunidade protesta e cobra justiça Após o assassinato, indígenas da reserva realizaram protestos e chegaram a bloquear a rodovia MS-289, exigindo a prisão dos responsáveis e denunciando a escalada de violência contra lideranças locais. O caso mobilizou o Ministério dos Povos Indígenas e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas, que enviaram equipes à comunidade para ouvir familiares e testemunhas, além de avaliar medidas emergenciais de segurança. Entre as reivindicações dos indígenas estão melhorias na rodovia, como iluminação, instalação de câmeras, radares e construção de passarelas, já que a via corta o território e é palco frequente de acidentes e episódios de violência. Série de assassinatos preocupa A morte de Givaldo não é um caso isolado. Segundo lideranças indígenas, este é o terceiro vice-cacique assassinado na região em apenas dois anos, o que reforça o clima de insegurança nas comunidades Guarani-Kaiowá. O povo Guarani-Kaiowá, que vive majoritariamente no Mato Grosso do Sul, enfrenta há décadas conflitos relacionados à disputa por terras, fator que frequentemente resulta em ameaças, ataques e assassinatos de lideranças. Investigação A Polícia Civil investiga o caso e trabalha para identificar os autores e a motivação do crime. Até o momento, ninguém foi preso. Givaldo deixa esposa, filhos e um neto. A comunidade indígena afirma que seguirá mobilizada até que haja justiça. Navegação de Post Menino de 6 anos morre após erro médico em Manaus