Presidente americano destacou que resultados do primeiro turno brasileiro foram divulgados no mesmo dia e aproveitou a comparação para voltar a criticar o processo eleitoral dos Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou nesta segunda-feira (5) a rapidez da apuração do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras e utilizou o resultado para fazer novas críticas ao sistema eleitoral norte-americano.

Em publicação na rede social Truth Social, Trump destacou que cerca de 125 milhões de pessoas votaram no primeiro turno no Brasil e chamou atenção para o fato de os resultados terem começado a ser divulgados poucas horas depois do encerramento da votação.

“125 milhões de pessoas votaram hoje no primeiro turno da eleição presidencial do Brasil. Os resultados saíram logo após o encerramento da votação, NO MESMO DIA!”, escreveu o presidente americano.

CRÍTICAS AO SISTEMA ELEITORAL DOS EUA

Na sequência, Trump comparou o processo brasileiro com a apuração nos Estados Unidos. Ele citou cidades como Detroit e Filadélfia, além do estado da Califórnia, e afirmou que resultados eleitorais americanos, mesmo envolvendo um número menor de votos, podem levar semanas para serem concluídos.

O republicano terminou a publicação classificando a votação nos Estados Unidos como “corrupta”. A afirmação foi apresentada por Trump como uma crítica à demora na divulgação dos resultados, mas não foi acompanhada, na publicação, por evidências de que a demora na apuração seja resultado de fraude.

Especialistas e verificadores destacam que a velocidade de divulgação dos resultados, por si só, não constitui evidência de fraude eleitoral. Brasil e Estados Unidos possuem sistemas eleitorais diferentes, com regras, procedimentos e estruturas administrativas distintas.

POR QUE O BRASIL APURA MAIS RAPIDAMENTE?

Uma das principais diferenças está na organização do processo eleitoral.

No Brasil, o sistema é nacionalmente padronizado e utiliza urnas eletrônicas, com procedimentos definidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Após o encerramento da votação, os dados são transmitidos e os resultados são consolidados nacionalmente.

Nos Estados Unidos, a administração das eleições é descentralizada. Os estados e, em muitos casos, os condados possuem regras próprias para votação, contagem e certificação dos resultados.

Além disso, o voto pelo correio possui participação significativa em algumas regiões americanas. A contagem dessas cédulas pode exigir procedimentos adicionais, como abertura de envelopes, verificação e processamento dos votos.

Assim, a diferença de velocidade não significa, por si só, que um sistema seja fraudulento ou que o outro seja necessariamente mais confiável. São modelos eleitorais diferentes.

TRUMP CONFUNDIU BRASIL COM A ÍNDIA

A publicação de Trump também chamou atenção por outro motivo.

Na primeira versão do texto, o presidente americano escreveu que 125 milhões de pessoas haviam votado no primeiro turno da eleição presidencial da Índia. A informação estava incorreta, já que o pleito mencionado por ele era o brasileiro.

Pouco depois, a publicação foi editada e a referência à Índia foi substituída por Brasil. Antes da correção, porém, capturas da mensagem já haviam circulado nas redes sociais.

TRUMP NÃO CITOU LULA NA PUBLICAÇÃO

Apesar de elogiar a velocidade da apuração brasileira, Trump não mencionou diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem fez referência direta ao resultado dos candidatos na publicação sobre o sistema eleitoral.

Posteriormente, entretanto, Trump comentou o resultado do primeiro turno e classificou a liderança de Flávio Bolsonaro como uma “grande vitória”, além de afirmar que o segundo turno deverá ser disputado.

Lula e Flávio Bolsonaro disputarão o segundo turno da eleição presidencial brasileira em 25 de outubro.

UM ELOGIO QUE GANHOU REPERCUSSÃO

A declaração ganhou destaque porque Trump possui um histórico de críticas ao sistema eleitoral americano e, ao mesmo tempo, já havia demonstrado interesse pelo cenário político brasileiro.

A comparação feita pelo presidente americano também ocorre em um momento de forte atenção internacional sobre a eleição brasileira, que colocou frente a frente, no segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro.

No caso brasileiro, a apuração eletrônica permitiu que os resultados fossem conhecidos ainda no dia da votação. Nos Estados Unidos, a estrutura descentralizada e as diferentes modalidades de votação fazem com que o prazo para divulgação e certificação dos resultados varie de acordo com cada estado e localidade.

Portanto, a principal comparação feita por Trump foi sobre velocidade de apuração, enquanto as diferenças entre os dois modelos eleitorais envolvem também legislação, administração, métodos de votação e procedimentos de contagem.

Fonte: CNN Brasil, Reuters, Veja, PolitiFact e Agência Estado.

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