Sessão desta terça-feira (15) foi marcada por fortes divergências entre ministros, declarações de impedimento e suspeição e um pedido de vista de Flávio Dino, que interrompeu a análise do processo. 15 de setembro de 2026 — 19h16 O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou nesta terça-feira (15) uma das sessões mais tensas relacionadas ao chamado caso Banco Master sem chegar ao mérito sobre uma eventual investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. A análise foi interrompida após o ministro Flávio Dino pedir vista do processo. A sessão começou com uma discussão de natureza processual. O ministro Gilmar Mendes havia defendido que os procedimentos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça fossem analisados conjuntamente. A proposta foi rejeitada provisoriamente por 4 votos a 3, mas o resultado não foi definitivo porque Dino retirou seu voto ao pedir vista. Votaram pela manutenção dos casos separados o presidente do STF, Edson Fachin, além de André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Pela análise conjunta se manifestaram Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes. Dino havia indicado posição favorável à reunião dos casos, mas seu voto deixou de ser contabilizado após o pedido de vista. PEDIDO DE VISTA INTERROMPE JULGAMENTO Com o pedido de vista, a discussão foi suspensa. O mecanismo permite que um ministro solicite mais tempo para analisar o processo antes de votar definitivamente. Segundo informações divulgadas após a sessão, a suspensão pode chegar a 90 dias conforme as regras aplicáveis ao pedido de vista. Na prática, portanto, o STF não decidiu nesta terça-feira se Alexandre de Moraes será investigado. A Corte também não chegou à análise definitiva do conteúdo das mensagens e demais elementos relacionados ao ministro e ao empresário Daniel Vorcaro. SESSÃO FOI MARCADA POR EMBATES ENTRE MINISTROS Além da disputa sobre a tramitação dos processos, a sessão foi marcada por divergências públicas entre integrantes da Corte. Durante os debates, ministros questionaram a condução dos procedimentos, a atuação de colegas e a decisão de concentrar determinados atos processuais. Flávio Dino e Edson Fachin protagonizaram momentos de discordância sobre os procedimentos adotados, enquanto Alexandre de Moraes e André Mendonça também trocaram acusações relacionadas à condução das investigações. Mendonça havia sido responsável por medidas relacionadas às investigações do caso Master antes de Fachin assumir a condução de determinados procedimentos. A discussão sobre quem deveria conduzir os casos acabou se tornando um dos pontos centrais do conflito entre os ministros. TOFFOLI E NUNES MARQUES FICARAM FORA A composição do julgamento também foi alterada pela ausência de dois ministros. Dias Toffoli declarou-se suspeito e não participou da votação. Segundo informações divulgadas durante a sessão, ele já havia se afastado anteriormente de processos relacionados ao caso Master. Kassio Nunes Marques também não participou da votação após declarar-se impedido. Com isso, o número de ministros envolvidos diretamente na deliberação foi reduzido. O QUE FICOU DECIDIDO Apesar do placar provisório de 4 a 3, não houve decisão definitiva sobre a reunião dos casos nem sobre a abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes. O pedido de vista de Flávio Dino interrompeu a sessão justamente antes de o STF avançar para o mérito da questão relacionada ao material envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro. A sessão seguinte relacionada ao caso de André Mendonça está prevista para 23 de setembro, enquanto o julgamento interrompido nesta terça-feira permanece pendente de retomada. DIVISÕES INTERNAS GANHAM VISIBILIDADE O episódio tornou públicas divergências que normalmente ficam restritas aos debates internos do tribunal. A sessão expôs diferentes interpretações entre os ministros sobre a condução dos procedimentos, a competência para determinadas decisões e a forma como os casos deveriam ser analisados. A intensidade dos debates levou veículos de imprensa a descreverem a sessão como uma demonstração de forte divisão interna no STF. Essa avaliação, contudo, é uma interpretação jornalística sobre o ambiente do julgamento, e não uma conclusão formal da Corte. Ao final, o principal resultado concreto foi a suspensão da análise. O STF encerrou o dia sem decidir se os casos de Moraes e Mendonça serão reunidos e sem enfrentar o mérito sobre uma eventual investigação envolvendo Moraes. Fontes consultadas: STF, Reuters, Folha de S.Paulo, UOL, Migalhas e CartaCapital. Navegação de Post TOFFOLI SE DECLARA IMPEDIDO E FICA FORA DO JULGAMENTO DE MORAES NIKOLAS FERREIRA REAGE À SESSÃO DO STF E CRITICA MORAES E DINO: “O BRASIL ODEIA VOCÊS”