Edifício em construção desabou sobre uma casa na Penha; obra estava irregular e havia sido interditada pela Prefeitura desde 2019

O número de mortos no desabamento de um prédio em construção na Penha, zona leste de São Paulo, subiu para cinco. A estrutura caiu sobre uma residência na madrugada de sábado (12), durante um período de fortes chuvas que atingiram a capital paulista.

As equipes do Corpo de Bombeiros permanecem no local realizando buscas entre os escombros. Uma criança de 7 anos continua desaparecida, segundo as informações mais recentes divulgadas pelas autoridades.

PRÉDIO DESABOU SOBRE CASA

O edifício, localizado na Rua Tequici, tinha cerca de 11 a 12 andares em construção e pertencia à construtora New Home.

A estrutura atingiu diretamente uma casa vizinha onde viviam nove pessoas, em sua maioria de origem boliviana. O imóvel também funcionava como uma oficina de costura.

Duas pessoas foram resgatadas com vida e encaminhadas para atendimento médico. Entre as vítimas fatais estão duas mulheres, uma delas grávida. Outros três corpos foram localizados posteriormente durante o avanço das buscas.

OBRA JÁ HAVIA SIDO INTERDITADA

Um dos principais pontos da investigação é a situação irregular da construção.

Segundo informações divulgadas pela Prefeitura e pelas autoridades, a obra havia sido interditada em 2019 por problemas relacionados à documentação e à estrutura. Mesmo após a interdição e a aplicação de multas, os trabalhos teriam continuado.

Em 2021, a Prefeitura chegou a recorrer à Justiça em relação à situação do imóvel.

Já em 2023, foi emitido um alvará condicionado à demolição de uma estrutura existente. Técnicos municipais, porém, constataram posteriormente que a demolição prevista não teria sido efetivamente realizada.

POSSÍVEL FALHA NA FISCALIZAÇÃO

A tragédia também levantou questionamentos sobre a fiscalização da obra.

A Prefeitura de São Paulo abriu uma investigação para apurar possíveis falhas administrativas. Uma servidora responsável por uma vistoria foi afastada após surgirem suspeitas relacionadas à documentação que atestava o cumprimento das exigências municipais.

O objetivo é esclarecer como uma construção que já havia sido alvo de medidas administrativas conseguiu continuar avançando até o momento do desabamento.

CHUVAS PODEM TER CONTRIBUÍDO

As fortes chuvas registradas em São Paulo no período também estão sendo analisadas.

A Defesa Civil registrou dezenas de ocorrências relacionadas ao mau tempo em diferentes regiões do estado, incluindo alagamentos, deslizamentos e quedas de árvores.

As autoridades, entretanto, ainda não estabeleceram que a chuva tenha sido a causa do desabamento.

O governador Tarcísio de Freitas afirmou que há indícios de irregularidades na construção e avaliou que o colapso pode estar relacionado principalmente a problemas estruturais, embora a investigação ainda precise determinar a causa exata.

SÓCIO DA CONSTRUTORA É PRESO

Neste domingo (13), um dos sócios-proprietários da construtora New Home foi preso temporariamente pela Polícia Civil.

A corporação também tenta cumprir outros dois mandados de prisão contra representantes da empresa. O investigado preso foi encaminhado ao 24º Distrito Policial e permanece à disposição da Justiça.

A investigação deverá apurar eventual responsabilidade criminal pelo desabamento, incluindo as condições da obra, o cumprimento das determinações municipais e a atuação dos responsáveis técnicos.

A construtora declarou que está colaborando com as autoridades e prestando assistência às famílias afetadas.

BUSCAS CONTINUAM

As equipes de resgate seguem trabalhando nos escombros com cães farejadores, máquinas pesadas e equipes especializadas. A operação exige cuidados porque parte da estrutura permanece instável.

A prioridade continua sendo localizar a criança que permanece desaparecida e verificar se há outras pessoas sob os escombros.

O episódio provocou comoção na região e também levantou um debate sobre a fiscalização de obras irregulares na cidade de São Paulo.

INVESTIGAÇÃO VAI APURAR RESPONSABILIDADES

Com cinco mortes confirmadas, uma criança ainda desaparecida e duas pessoas resgatadas com vida, a Polícia Civil deverá concentrar a investigação em três pontos principais: as condições estruturais do prédio, a continuidade da obra apesar das interdições e possíveis falhas na fiscalização pública.

Até o momento, as autoridades ainda não concluíram oficialmente qual foi a causa do colapso. A existência de irregularidades na obra, porém, já é apontada pelas autoridades e consta das informações divulgadas sobre o caso.

Fontes: Corpo de Bombeiros de São Paulo; Defesa Civil; Prefeitura de São Paulo; Polícia Civil; Folha de S.Paulo; UOL.

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